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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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Expo Pele: Alcanena reafirma-se Capital entre a “indústria mais sexy da Europa”

Sabia que Portugal exporta 150 milhões de euros de pele em malas, carteiras e cintos? Sem esquecer o sector do calçado, que em 2015 teve um volume de negócios de 1,865 mil milhões de euros em exportações, classificando-se como a “indústria mais sexy da Europa”. Os números, avançados pelo Jornal de Negócios com base na APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneo), são demonstrativos do crescimento do setor das Peles no país, que tem esta semana em Alcanena uma exposição dedicada a todas as vertentes da indústria, do design ao produto final. “Capital da Pele”, Alcanena quer continuar a afirmar-se entre a indústria de curtumes portuguesa.

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Na sua sexta edição, a Expo Pele vai ganhando gradualmente dimensão e nome a nível nacional, apesar dos “Leather Days”, em outubro passado, terem passado quase despercebidos do grande público. Alcanena, porém, não desiste de se promover enquanto “Capital da Pele” e torna a trazer dias 14, 15, 16 e 17 de julho a Expo Pele, com vários expositores de produtos em pele, indústrias de curtumes, design, escolas profissionais, máquinas e equipamentos, marcas de produtos acabados e entidades e associações representativas dos vários sectores da fileira do couro.

A requalificação de 6 milhões de euros da rede de coletores foi o derradeiro investimento da Câmara de Alcanena pela boa imagem da indústria de curtumes, afirmava em Novembro ao mediotejo.net o vereador responsável pelo urbanismo, Hugo Santarém. “Temos aqui um produto de excelência e uma indústria de excelência a nível mundial”, sublinhava o responsável, num município que fez os possíveis por se distanciar dos problemas ambientais, prejudiciais à evolução do negócio. Ao todo são 60 empresas, que empregam em Alcanena cerca de 2600 pessoas, com um volume de negócios de 280 milhões de euros e 40% de cota exportadora, referiu na ocasião.

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As fábricas de Alcanena fizeram um longo percurso desde os seus tempos primordiais e hoje estão “na vanguarda dos curtumes mundiais”, trabalhando-se “neste momento na vanguarda dos curtumes europeus”. A pele tratada no município está presente em vários artigos de luxo e da alta-costura, sendo um dos mais conhecidos o volante do Porsche Macan. Já a empresas Couro Azul, assim como a vizinha torrejana Digidelta, integraram este ano as 22 pequenas e médias empresas portuguesas consideradas “inspiradoras” pelo London Stock Exchange Group, num relatório anual com mil empresas inspiradoras europeias.

Mas porquê Alcanena? A história dos curtumes em Alcanena tem cerca de 200 anos, sendo o primeiro alvará régio para curtimenta na vila datado de 1786, à fábrica de João Rodrigues, refere a página do Centro Tecnológico das Indústrias de Couro (CTIC). “O alvará permitia aos seus detentores a utilização das armas reais sobre os pórticos das fábricas, restando ainda dessa altura um brasão pertencente à fábrica de Manoel Francisco Galvea, que se encontra num edifício de uma empresa actualmente ligada ao sector de curtumes”.

As águas calcárias do maciço da Serra d’Aire e Candeeiros era então essencial à curtimenta de peles de animais em solas e cabedais, facto que hoje, com as novas tecnologias, já não é necessário. Esta tradição fez com que se concentrasse em Alcanena uma larga percentagem da indústria de curtumes nacional, mas também no Porto e Guimarães, que se mantêm como pólos de produção. Refere a CTIC que “também nas outras regiões mencionadas existem ainda vestígios da história dos curtumes portugueses, sendo que em Guimarães ainda se encontram unidades a laborar em pleno centro histórico – declarado património mundial pela UNESCO – e o rio que percorre a cidade é ainda conhecido como “o rio de couros”. No entanto, os curtumes só nascem verdadeiramente enquanto indústria em Portugal em meados do século XIX em resultado do advento da revolução industrial, nascida na Inglaterra, e que progressivamente se foi estendendo ao resto da Europa. A manufactura artesanal vai dando lugar à mecanização, multiplicando o rendimento do trabalho e aumentando a produção global”.

A par da indústria do calçado, Portugal tem-se vindo a especializar-se em mais produtos em pele, crescendo no mercado externo. O mesmo artigo do Jornal de Negócios frisa que o país tem exportado “de malas e bolsas, com um crescimento de 15% para 82 milhões de euros. “Outros artigos em pele” e “vestuário e acessórios em pele”, com 56 milhões e 12 milhões, respectivamente, também se perfilam como segmentos importantes, realça a associação dos sector (APICCAPS)”.

Para ter um impacto de tudo isto, a Expo Pele dá uma imagem do sector este fim-de-semana em Alcanena. O programa inclui uma sessão solene de assinatura da geminação com o município de Santa Croce Sull’Arno (Itália), às 11 horas de dia 15, sexta-feira, e uma conferência internacional sobre “Novas Soluções Para Novos Desafios: A Resposta da Indústria Química”, no mesmo dia, pelas 18h30.

A apresentação do curso técnico superior profissional em Arte Técnica do Couro,  do Instituto Politécnico de Tomar, patrocinado pelo município de Alcanena,decorre sábado, dia 16, às 15 horas. Às 17 horas há um workshop de limpeza e conservação de produtos em pele. Domingo, dia 17 de julho, às 17 horas há um desfile de moda em pele. O certame decorre no Pavilhão Multiusos e é aberto ao público em geral, mas em especial aos vários sectores desta indústria.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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