“Eu, a pandemia e a política”, por Carlos Alves

Neste momento acabo de percorrer o caminho! Todo o caminho onde hei de encontrar simples e breves palavras que preciso para deixar de lado as minhas amarguras e angústias. Muitas vezes penso que o universo não está preparado para as liturgias do Homem. É um mundo muito desigual. O dinheiro e o poder ainda prevalecem e condicionam o nosso progresso civilizacional. Acho muito importante que cada um de nós se autocritique e se autoavalie. É o caminho do sucesso. A vida sem partilha, sem bondade e generosidade, não faz sentido ser vivida. Sentir o mundo, perceber a sua dimensão cósmica. Tornarmo-nos unidos no bem e ter a capacidade de olhar o outro como um de nós. É esta a única base e o único fim de toda a sociedade.

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Em alguns momentos fazemos coisas imprevisíveis e impensáveis para a nossa natureza humana. Mas é assim que somos! Seres desviantes, camuflados nas nossas desordens mentais que nos levam a outra dimensão. Afinal quem somos nós?

Nesta hora do mundo, o aspeto mais importante que temos pela frente são os exemplos. Os exemplos individuais e os exemplos colectivos. Temos todos de entender que as faltas nesta área são as mesmas, quer do lado do coletivo, quer do lado do individuo. Onde estão as faltas, deveriam estar os valores. É incontornável que nos tempos difíceis que vivemos ainda existam indivíduos e coletividades que são autênticos torpes que se permitem ter outros cuidados, que não são exatamente aqueles que são mais urgentes a tudo o que atravessamos.

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É por isso que os bons exemplos, quer sejam individuais, quer sejam coletivos são geniais. Hoje em dia tornou-se o mais genial de todos.

A pandemia a isso obriga.

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Vivemos num estado de apatia política que não se exprime apenas pela abstenção do sufrágio. Há outros sintomas, talvez menos mensuráveis, mas bastante esclarecedores. Não direi que os partidos enfraqueceram, o sintoma é que são menos os militantes e mais os tíbios. Devido a isto o cenário não é motivador, engrossam as massas indiferentes, neutras, em muitas circunstâncias que podem decidir de uma eleição por força dos seus movimentos pendulares.

Outro sintoma é a queda do entusiasmo. A retórica política sofreu uma profunda mutação: passaram de moda as oratórias arrebatadoras e a grandiloquência impante. Em vez delas vieram as conferências de imprensa e as informações rigorosas. O povo assim o obrigou com o seu criticismo objectivo. Voltou-se para outras bandas mais entusiasmantes.

Outro sintoma não menos preocupante é o enfraquecimento da imprensa genuinamente política. Os jornais doutrinários já não são os de maior circulação, mas os sensacionalistas. Aqueles que eram os transmissores de uma ideologia, inclinaram-se para a reportagem popular ou converteram-se em órgãos minoritários.

O povo deixou de ver interesse nos debates parlamentares, nas promessas eleitorais. Enfim, das questões ideológicas.

Por último, as pessoas deixaram de dedicar algum do seu tempo livre à coisa pública. Os clubes e as tertúlias de política extinguiram-se. No próprio estado, a administração cresceu tecnicamente. Digamos que se especializou, aproximando o cidadão e o estado mecanicamente, a que corresponde a um distanciamento insensível e segregado.

Por isso a política tem de enfrentar estes medos, estas realidades, fazendo uma reflexão profunda: o abstencionismo eleitoral, a decadência do partidarismo e do entusiasmo e a desumanização do estado são, no meu ponto de vista, aquelas mais evidentes.

Temos que acreditar que é possível vivermos juntos.

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