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Sábado, Julho 24, 2021

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ESPECIAL FÁTIMA | Fátima falhou elevação a concelho há 14 anos, mas ideia mantém-se

A ciade de Fátima, localizada numa freguesia com cerca de 12 mil habitantes, falhou a elevação a concelho há 14 anos, vetada pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, mas a ideia mantém-se nos dias de hoje.

Eugénio Lucas, eleito pelo PSD, preside à assembleia de freguesia de Fátima e é um dos defensores da elevação da autarquia a concelho, agora como há 14 anos, em 2003, quando a resolução, votada por unanimidade no parlamento, foi vetada em Belém.

“Penso que é uma aspiração profunda, sentida, da cidade de Fátima”, disse à agência Lusa Eugénio Lucas, presidente da assembleia de freguesia de Fátima e um dos defensores da elevação a concelho.

O autarca, que em 2003 ocupava o mesmo cargo, demitiu-se na altura dos órgãos partidários locais e recusou candidatar-se nas eleições seguintes (em 2005), na sequência do veto presidencial e em protesto por o PSD, na Assembleia da República, não ter insistido na proposta.

Nos dias de hoje, a aspiração mantém-se, mas a causa “Fátima a Concelho” – que nasceu em 1988 e que chegou a originar um movimento cívico, hoje desativado – não está, ainda, na ordem do dia, reconhece.

“As pessoas falam disso informalmente, não há um movimento como havia na altura. Mas sentem que é uma necessidade e querem voltar a colocar este assunto à discussão”, frisou Eugénio Lucas.

Após o ‘chumbo’ presidencial, o assunto perdeu atualidade e, com a crise e os anos da ‘troika’, o presidente da assembleia de freguesia reconhece que “não era oportuno nem havia condições políticas” para a retomar.

“A reorganização administrativa é um assunto que vai ter de voltar a ser discutido e o que queremos é que, quando haja condições políticas, essa discussão se faça. Mas, na atual conjuntura nacional, a preocupação não é a criação de novos concelhos”, admitiu.

A nível local, no entanto, Eugénio Lucas não tem dúvidas de que “é muito fácil” chegar a um acordo político e, no início do atual mandato, voltou a suscitar a questão na assembleia de freguesia “e foi apoiada por todos”.

O autarca lembra que Fátima é maior que Ourém, a sede de concelho, “em população, indústria, impostos e eleitores”, mas frisou que a cidade “vive uma realidade estranha”, sem instalações da autoridade tributária, segurança social ou um tribunal.

Ao nível económico, a eventual criação do concelho de Fátima também é debatida, embora os empresários locais se tenham “habituado a viver sem um apoio a nível de infraestruturas do Estado”, argumenta Alexandre Marto Pereira, administrador de um grupo hoteleiro.

O empresário diz que Fátima “recebe milhares de pessoas por ano e faltam infraestruturas”, sustenta que os funcionários públicos são “quase inexistentes”, mas considera que existe na cidade “quase uma autonomia saudável, apesar de tudo, em relação ao Estado”.

Alexandre Marto Pereira admite também que a eventual criação do concelho “é um sentimento muito comum” na população e que esse sentimento “é mais forte nestas alturas de grande mediatização”, como as peregrinações do 12 e 13 de maio e, este ano, com a visita do papa Francisco.

“Mas não sei até que ponto isso resolvia os problemas, as pessoas de Ourém queixam-se que a visibilidade e os investimentos são todos em Fátima e Fátima responde que é o grande polo urbano e é cá que [os investimentos] devem ser feitos. O município, do ponto de vista geográfico, é muito grande, tem zonas de interior e uma realidade rural ainda forte, mas acredito que, daqui a algum tempo, a maior parte da população esteja aqui, porque aqui há trabalho”, sublinhou.

O papa Francisco visita Fátima na sexta-feira e no sábado e vai canonizar os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto.

O líder da Igreja Católica terá ainda encontros com o Presidente da República e com o primeiro-ministro, respetivamente Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.

Agência de Notícias de Portugal

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