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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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ESPECIAL FÁTIMA | Excerto de “A Mensagem de Fátima na Rússia”, de José Milhazes

No Suplemento Especial Fátima partilhamos também alguns excertos de obras publicadas a propósito do Centenário das Aparições. Hoje propomos a leitura de “A Mensagem de Fátima na Rússia”(12,5€, Edição Aletheia), de José Milhazes, historiador e um dos mais reconhecidos jornalistas portugueses, que investigou o tema nos arquivos da ex-União Soviética, revelando neste livro muitas informações e documentos inéditos.

*

Em 2017, a Humanidade vai celebrar o centenário de dois dos mais importantes acontecimentos do século XX: das Aparições de Fátima em Portugal (Maio) e da revolução comunista na Rússia (Novembro). Tendo ambos ocorrido nos dois lados opostos do Continente Europeu, rapidamente se transformaram em fenómenos universais, pois as mensagens ideológicas que traziam dentro de si rapidamente se alastraram aos cantos mais remotos do planeta.

Acontecimentos situados em pólos ideológicos e filosóficos contrários deram origem a forças que acabaram por se cruzar e se envolver num combate de vida ou de morte no turbilhão que constituiu o século XX. Os bolcheviques‐comunistas apregoavam ter encontrado a verdade absoluta e a única via para a felicidade para toda a Humanidade. Até às Ilhas dos Açores poderia chegar a cavalaria vermelha e fazer com que as jovens comunistas açorianas entoassem canções revolucionárias.

Em 1925, o poeta soviético Iossif Utkin publicou o poema «Canção Açoriana»:

 

Algures nos Açores 

Jovens entoam sublimes cânticos. 

Em palavras calmas e simples 

Esconde‐se um sentido maravilhoso. 

As jovens erguem as sobrancelhas, 

Inclinam suas cabeças não‐russas. 

E sobre o Oceano galopam 

Os ardentes cavalos de Budionov. 

Fitas de combate ao peito, 

Trajando os famosos casacos de couro, 

A cavalaria avança! 

E, à frente, voa 

Um jovem não parecido aos açorianos. 

Delgado e encaracolado como a videira 

Flexível como uma liana, e alto. 

Ele 

Tem olhos bondosos 

Com a afabilidade sul‐ucraniana. 

Para ele 

As moças tecem lenços, 

Os jovens querem abraçá‐lo. 

Dele 

Como de fogo fogem 

Gordos capazes das plantações! 

… Não posso esquecer a canção! 

Vagueio por Moscovo qual um louco. 

Queria ser esse jovem, 

Herói da canção estrangeira. 

Poderia suportar tudo: 

Trópicos, contusões, estilhaços, 

Para que as jovens comunistas açorianas 

Entoassem sobre mim uma canção.  

Muitos amigos meus sofreram 

Nos combates, e não em palavras, 

Para que nas Ilhas dos Açores, 

moças cantem como comunistas.  

A cavalaria vermelha não chegou às Ilhas dos Açores, nem os bolcheviques conseguiram pôr fim à fé religiosa.

*

in “A mensagem de Fátima na Rússia”, de José Milhazes, Alêtheia Editores (2016)

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