Especial Autárquicas 2017 | Um Bloco a crescer à Esquerda

Quarenta anos depois das primeiras eleições autárquicas em Democracia (realizadas a 12 de dezembro de 1976), e a menos de um ano das próximas, o mediotejo.net iniciou a publicação de um conjunto de trabalhos para traçar o retrato sociopolítico do distrito, e em particular da região do Médio Tejo. Aos domingos, de 15 em 15 dias, abordamos infograficamente os resultados de cada partido nas últimas eleições e falamos com os responsáveis distritais dos movimentos políticos sobre as suas estratégias para a campanha que se avizinha. Hoje publicamos o artigo relativo ao Bloco de Esquerda.

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A equipa coordenadora do Bloco de Esquerda para as autárquicas de 2017 faz um balanço do trabalho realizado pelos seus autarcas no distrito como “muito intenso” e com “pontos muito positivos, sempre que foi possível influenciar a maioria para questões que claramente beneficiaram os munícipes”.

“Conseguimos apresentar ideias, projetos e alternativas que de outro modo não estariam ainda implementados, pelo que, de um modo geral, contribuímos para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”, salienta.

Como exemplos, aponta várias propostas do BE aprovadas na Câmara de Torres Novas, e concretizadas, como a realização do Orçamento Participativo (que teve a sua primeira edição em 2015), a colocação de uma ponte pedonal em Nicho de Riachos, para facilitar a travessia de pessoas em condições de segurança, o corte de cedros que colocavam em causa a segurança de habitações na localidade de Árgea, freguesia de Olaia, a retirada de uma fonte com repuxo que estava inativa, no Largo D. Diogo Fernandes de Almeida, tornando possível o usufruto deste espaço da cidade, o acolhimento de refugiados no concelho, a realização de reuniões de Câmara descentralizadas nas freguesias (sugerindo que passem a ser noturnas para facilitar a participação da população), entre outras.

Entre os projetos propostos pela vereadora Helena Pinto e aprovados pela Câmara de Torres Novas, mas ainda não concretizados, refere a reabilitação de pontes e fontes na freguesia de Riachos, a criação de duas Áreas de Reabilitação Urbana – em Lapas e Riachos –, as propostas para combater a poluição no Rio Almonda (aprovadas em junho de 2015 e que o BE considera que, se tivessem sido implementadas, teriam evitado os problemas de poluição que marcaram o último ano), a que acrescentou recentemente a “reposição da legalidade urbanística na empresa Fabrióleo”, a aquisição do Mercado de Riachos para reabilitação, a criação do Conselho Local de Desenvolvimento Urbano, para acompanhamento do Plano Estratégico.

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O BE sublinha ainda o contributo da sua vereadora para a introdução de melhorias em cadernos de encargos de concursos públicos e nos regulamentos de Urbanização e Edificação e de Taxas. Salienta medidas para uma maior transparência tanto nos serviços camarários como na faturação da Águas do Ribatejo e de maior apoio técnico às freguesias, além das recomendações feitas em áreas como o urbanismo, a promoção da prática desportiva nas freguesias, a inclusão.

Outro concelho do Médio Tejo apontado no balanço feito pelo BE é Abrantes, onde, não tendo qualquer vereador, o partido tem centrado o seu trabalho nas freguesias de Pego (um eleito) e Abrantes (um) e na Assembleia Municipal (um), focando a sua intervenção nas áreas do ambiente, saúde, e educação.

“O BE Abrantes, com a sua intervenção, modelou alguns aspetos da política do executivo municipal, pois em 2016 foi inaugurada a nova ETAR dos Carochos e, recentemente, [anunciado] que já se estava a trabalhar na monotorização das espécies piscícolas na escada passa peixe do açude de Abrantes”, afirma o partido.

Na resposta ao mediotejo.net, o BE refere ainda intervenções do partido em matérias como a poluição no rio Tejo, sobre a Central Nuclear de Almaraz, as escorrências de lixiviados e a existência de uma célula de resíduos industriais banais ilegal no aterro de Abrantes, a falta de médicos, os problemas nas Urgências do Hospital (salientando o facto de estar já prevista a sua remodelação), entre outros.

O BE salienta que a ação concertada das coordenadoras distritais de Santarém, Portalegre e Castelo Branco, em articulação com o grupo parlamentar e a direção nacional do partido, permitiram que alguns temas da política concelhia acabassem por ganhar “uma dimensão nacional e internacional”.

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O partido destaca as moções apresentadas pelo seu eleito na Assembleia Municipal e aprovadas, nomeadamente, contra a privatização da A23, de saudação ao povo grego, pelo encerramento de Almaraz, em defesa da mobilidade pedonal na Ponte Rodoviária de Abrantes, e a recomendação para a implementação do Orçamento Participativo, lamentando que outras tenham sido chumbadas.

“Uma das grandes batalhas do BE Abrantes tem sido em prol da transparência e do dever de informação, pois muitos ‘dossiers’ chegam às sessões de assembleia municipal com informação insuficiente e não permitem uma avaliação e uma decisão responsável”, afirma, lamentando ainda o “controlo” exercido pela maioria socialista sobre os órgãos concelhios.

Para as eleições autárquicas deste ano, o Bloco de Esquerda propõe-se reforçar a sua representatividade local e autárquica, apostando em candidaturas “abertas à cidadania, que marquem a exigência de um novo ciclo autárquico”, matéria que será discutida durante a Conferência Nacional Autárquica agendada para o próximo dia 18, em Lisboa.

Os candidatos são escolhidos em cada uma das concelhias, sendo cada cabeça de lista ratificado pela coordenadora distrital e posteriormente confirmado pela mesa nacional, num processo que o partido afirma ser “totalmente transparente”. A campanha e o orçamento “serão discutidas e elaboradas internamente em cada candidatura”, não estando por isso ainda definidas.

Em cada concelho será apresentado um programa próprio, sendo o rio Tejo, e os “problemas ambientais de que padece”, um tema central para o distrito.

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Sentiu-se pela primeira vez jornalista quando aterrou à noite e sem hotel marcado em Windhoek para cobrir o processo de independência da Namíbia. Era estagiária no semanário África, área que a levou à agência Lusa, a cujos quadros pertence há quase 25 anos. Foi editora adjunta da Editoria África e, mais recentemente, da Editoria Lusofonia/Mundo, com passagem, como redatora, na Editoria Economia. É, contudo, ao distrito de Santarém (que a adotou) que regressa sempre. Gosta da diversidade, da pluralidade, da diferença. Acredita que o mediotejo.net pode mostrar que há mais vida para além da que marca a chamada “atualidade”.

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