Especial Abrantes | Parque urbano no Tejo e duas praias fluviais no Zêzere, uma delas com Bandeira Azul

O concelho de Abrantes com 714.73 km2 e 39 325 habitantes (Censos 2011), respira história, possui uma gastronomia própria e sente a cultura. A autarquia percebeu a importância do turismo e das potencialidades que dois dos maiores recursos hídricos do País: o rio Tejo (que atravessa o concelho numa extensão de cerca de 30 quilómetros) e a Albufeira de Castelo do Bode, nascida no leito do rio Zêzere, poderiam trazer, em forma de riqueza, para o concelho. E o Município apostou assim na criação de três praias fluviais: Aldeia do Mato, Aquapolis (Norte e Sul) e Fontes, esta última a inaugurar no verão de 2018, com abertura ao público dia 1 de julho.

Desde sempre que o turista ao chegar ao concelho de Abrantes optava por mergulhar nas frescas águas fluviais. Não havia quem chegasse e não ficasse impressionado com os variados recantos à beira rio. Muitos ainda permanecem em estado selvagem, segredos bem guardados pelos nativos renitentes em ver com bons olhos a expansão turística. Talvez poucos, até porque o turismo representa um balão de oxigénio numa economia frágil de um interior cada vez mais desertificado.

Os rios faziam assim as delícias dos banhistas, contudo faltavam os equipamentos de apoio, o nadador salvador e a Bandeira Azul atribuída anualmente às praias que cumprem um conjunto de requisitos de qualidade ambiental, segurança e infraestruturas, mas ainda assim convidativos a banhos, muito por causa da natureza em estado puro, da beleza envolvente e das altas temperaturas que, desde que há registo, são sentidas no Ribatejo. Entretanto, o Município apostou nas potencialidades de dois dos maiores recursos hídricos do País: o rio Tejo e a Albufeira de Castelo do Bode, e os equipamentos chegaram.

Mesmo com o cenário queimado pelos incêndios a praia fluvial de Aldeia do Mato continua um local de excelência territorial

Aldeia do Mato

A praia fluvial de Aldeia do Mato, a caminho da zona norte do concelho, volta a hastear em 2018 a Bandeira Azul, símbolo de qualidade atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa a 19 praias fluviais do Centro, assente em critérios como a Informação e Educação Ambiental, Qualidade da Água, Gestão Ambiental e Equipamentos, Segurança e Serviços.

Esta praia fluvial, que se encontra na margem esquerda do Rio Zêzere, em plena Albufeira de Castelo do Bode, recebe pela 8ª vez a Bandeira Azul, depois de ter sido hasteada em 2009, 2010, 2011, 2012, 2015, 2016 e 2017.

Inserindo-se também numa estratégia intermunicipal, esta praia fluvial recebeu recentemente a instalação de uma Estação intermodal que serve de infraestrutura de apoio para quem queira percorrer a Grande Rota do Zêzere, rota que completa 370 km ao longo de vários municípios desde a Serra da Estrela até à região do Médio Tejo, entre os quais Constância, Sardoal, Abrantes, Ferreira do Zêzere e Vila de Rei. O percurso pode ser feito a pé, de bicicleta ou de canoa, de forma contínua e encadeada, por troços ou em circuitos multimodais.

A praia fluvial de Aldeia do Mato é mais que uma piscina fluvial na Albufeira de Castelo de Bode com vigilância e nadador salvador. Vale pelas ótimas condições que oferece para atividades de recreio e lazer mas principalmente pela beleza da natureza envolvente. Ainda que o cenário tenha alterado após os incêndios que fustigaram aquela zona em agosto de 2017, a paisagem recompõe-se e mostra-se deslumbrante, não só da praia fluvial mas do miradouro da povoação.

A praia possui um Parque Náutico que dispõe de infraestruturas de apoio como piscinas flutuantes, cais de acostagem, equipamento para a prática de desportos náuticos – é possível o aluguer de canoas, kayaks e gaivotas -, passeios de barco, balneários, instalações sanitárias, bar com esplanada, bungalows para descansar ou passar a noite, estacionamento grátis e um parque de merendas.

Há ainda a possibilidade de aventurar-se em atividades mais radicais como rapel, BTT, tiro com arco, slide, escalada, percursos pedestres ou passeios de Moto4.

A piscina insuflável flutua nas águas do rio Zêzere mas ainda não recebe oficialmente banhistas, em Fontes

Fontes

Na freguesia de Fontes, a cerca de 30 quilómetros da cidade de Abrantes, nasceu outra praia fluvial no Zêzere, que conta com inauguração oficial este verão de 2018, data que terá uma concessão responsável pela gestão dos equipamentos e o selo de praia fluvial. A praia abre oficialmente ao público no dia 1 de julho.

As obras avançaram pelo valor de 150 mil euros. E quem for à praia de Fontes, que na verdade dista cerca de quatro quilómetros da aldeia, pode ver o equipamento em madeira para bar, sanitários e balneários e a piscina a flutuar no rio.

Emoldurada por uma abundante vegetação em tons de verde em espelho nas límpidas águas do Zêzere, a praia fluvial de Fontes situa-se num recanto que privilegia o descanso e o silêncio, por vezes quebrado por uma ou outra embarcação de recreio.

A infraestrutura irá dispor de serviços de apoio que contam com nove lugares de estacionamento, um dos quais para pessoas com mobilidade reduzida, acessos pedonais incluindo percursos acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada, um bar com 18,75 metros quadrados, sanitários, balneários, duches com uma área de 24 metros quadrados, um ponto de água potável, uma zona de lazer equipada com mesas, bancos e papeleiras, um parque para contentores de resíduos indiferenciados e ecoponto e iluminação pública bem como piscina flutuante na água.

Até dia 1 de julho serão realizadas intervenções de manutenção do espaço. A garantia foi dada ao mediotejo.net pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, João Gomes. Falava de “limpeza de ervas, tratamentos de madeiras”. Além disso falta colocar “uma pérgola [estrutura para zona de sombra], passadiço até à piscina, que preferimos não colocar na altura das obras por questões de segurança e temendo atos de vandalismo. Puxar a piscina para a margem para facilitar o acesso e criar uma zona de proteção interdita a viaturas”, explicou.

O Aquapolis oferece zonas verdes para passeios e piqueniques

Aquapolis

Investimentos avultados no Aquapolis – “cidade à volta da água” -, num açude insuflável no Tejo e na requalificação das margens ribeirinhas de Abrantes, inverteram a relação da cidade com o rio, nas últimas décadas, embora sem a aposta privada esperada.

Uma obra da responsabilidade do ex-presidente da Câmara Municipal, Nelson de Carvalho, que esteve 16 anos no poder (1994-2009) tendo feito da “reintegração do rio na comunidade” uma das principais bandeiras dos seus mandatos.

Trata-se de um local de recreio e lazer dentro da cidade de Abrantes. Na margem norte o banhista pode refrescar-se no Tejo, apesar do rio apresentar um caudal estreito, dar um mergulho é viável desde que tenha disposição para caminhar uns bons metros, do areal até à água e ignorar os problemas de poluição. Este espaço público dispõe de chuveiros.

Os desportistas podem usufruir de diferentes espaços na praia fluvial para a prática de voleibol, futebol ou râguebi. Mais a baixo, o açude insuflável implantado para dar lugar a um espelho de água, pensando nos desportos aquáticos como o remo, a pesca desportiva e a canoagem. Ainda por construir o Centro Náutico “jóia da coroa do projeto” que Nelson de Carvalho tinha idealizado e considerado fundamental para a dinamização daquela zona. A execução do projeto do Centro Náutico chegou mesmo a ser adjudicada em 2009 ao concorrente Telmo Cruz, do Atelier MXT Arquitectos, por 73 mil euros, mas não avançou.

Entretanto, a atual presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, garantiu a construção do Centro Náutico, embora de menor dimensão do que o inicialmente projetado, no Aquapolis Sul, em Rossio ao Sul do Tejo. Contudo, no programa de ação 2017-2021 do Executivo municipal, dando conta da criação de condições para melhorar a aptidão e atratividade turística no concelho, o Centro Náutico não se encontra entre as prioridades.

A construção do açude, inaugurado a 16 de junho de 2007, “possibilitou uma redefinição completa da cidade e de uma zona altamente desqualificada e inútil do ponto de vista do uso dos cidadãos e das potencialidades que um rio tinha de ter. As margens sujas afastavam as pessoas e no verão corria apenas um fio de água num imenso deserto de areia, apesar do Tejo ser o maior rio da Península Ibérica”, descreveu Nelson de Carvalho à agência Lusa.

Este espaço resulta assim da reabilitação das duas margens do Tejo, num investimento total de 20 milhões de euros, abrangendo uma área de aproximadamente 85 hectares, 50 dos quais no rio, e tem como elemento principal o açude insuflável, responsável pela formação da albufeira artificial.

Na margem norte, o parque urbano ribeirinho possui também ciclovia e zona de patins e skate. Conta ainda com um parque de merendas, dois parques infantis, um campo de jogos, um restaurante com animação, música ao vivo e karaoke, parque de estacionamento gratuito e uma estação de serviço para autocaravanas. O clube de diversão noturna, o Aquaclub encerrou há dois meses e segundo Luís Mateus, gerente do restaurante Aquapolis, “sem perspectivas de reabertura” neste momento.

O parque urbano ribeirinho é embelezado pela imponente escultura da autoria de Charters de Almeida. Uma peça de grandes dimensões, na linha dos trabalhos de arte contemporânea, as “Cidades Imaginadas”, que o autor espalhou pelo mundo.

Na margem sul oferece espaços essencialmente de contemplação, zona de relvado, caminho ribeirinho, circuito de manutenção e duas zonas de estacionamento igualmente gratuito.

Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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