PUB

Especial Abrantes | A cidade em obra, o legado, e os projetos da presidente (C/VIDEO)

Com Abrantes em festa, assinalando os 102 anos de elevação à condição de cidade, Maria do Céu Albuquerque, a cumprir o terceiro e último mandato como presidente da autarquia, concedeu uma entrevista ao mediotejo.net onde destacou os pontos altos da sua governação, falou de um legado para as novas gerações, das obras que estão a transformar a cidade num centro cultural a céu aberto, e vislumbrou continuar num futuro próximo ao serviço da causa pública.

mediotejo.net – A cumprir o seu terceiro mandato e a caminho de 10 anos de governação em Abrantes, que leitura faz do trabalho desenvolvido?  Que momentos destaca neste percurso?

Maria do Céu Albuquerque – Muitos e bons momentos. Outros menos bons, mas a nossa memória tem esta faculdade de ir apagando o menos bom, tirando ilações e registando os momentos positivos para potenciar mais ainda que outros aconteçam. Registo vários: a participação no Orçamento Participativo e a reforma que estamos a fazer do ponto de vista do acesso e da comunicação e ligação entre os munícipes e a autarquia, quer através da plataforma Abrantes 360, seja através daquilo que são as aplicações da cidade inteligente que estamos a desenvolver. Isto é de grande importância para nos tornar mais próximos do cidadão.

Destaco o apoio que temos estado a dar e que faz com que hoje grande parte da nossa população já tenha médico de família, os incentivos para a contratação de médicos ou para retirar do hospital a unidade de cuidados na comunidade. Destaco a aquisição do Colégio de Fátima, que era um imóvel que ia ficar devoluto e que vai dar corpo à instalação do centro escolar para termos as melhores condições de aprendizagem para os nossos cidadãos.

E, depois, toda a campanha do Abrantes Investe, o apoio ao empresário que aqui atrás de nós [Luna Hotel- Hotel Turismo de Abrantes] é um corolário: este hotel esteve fechado durante muito tempo, fazia falta não só à cidade como a toda a região, e o que fizemos foi potenciar que alguém quisesse ficar com ele, que o recuperasse, e criasse condições para o tornar disponível. Estas piscinas já não garantiam condições de utilização e foram também elas o motor para que esta reabilitação pudesse acontecer.

Esta é a perspetiva muito daquilo que as autarquias hoje têm de ser: não só pensar no domínio material da manutenção e recuperação mas na criação de incentivos de coisas mais de caráter imaterial que claramente corroborem para a nossa competitividade porquanto potenciam a qualidade de vida e os investimentos privados que são determinantes para criarem postos de trabalho.

Maria do Céu Albuquerque destacou toda a campanha do Abrantes Investe, de apoio ao empresário, e do qual o Luna Hotel- ex-Hotel Turismo de Abrantes foi o corolário. Foto: mediotejo.net

A cidade apresenta-se em obras, em plenas festas da cidade. A que se deve tanta obra em simultâneo?

Temos um quadro comunitário para utilizar, que começou tarde com condições que não são as mais vantajosas para o nosso país e para os municípios em concreto mas que, por via disso mesmo, e por via da crise que abalou as empresas construtoras, este quadro comunitário só agora está verdadeiramente em velocidade de cruzeiro.

Nós candidatámo-nos a um conjunto de intervenções que estão praticamente todas em obra e a grande fatia deste montante diz respeito a intervenções na regeneração urbana. O que estamos a fazer é promover a reabilitação do centro histórico de Abrantes, sendo certo que a par destas obras que estamos a fazer temos uma segunda de linha de obras ainda sem financiamento assegurado mas que estamos a desenvolver projeto para em overbooking, ou noutra circunstância, podermos apresentar.

Também esta intervenção de regeneração urbana se vai estender a Alferrarede e ao Rossio para permitir fazer aquilo que está a acontecer no centro histórico que é desenvolver o condomínio comercial e de prestadores de serviços, o residencial e o centro cultural a céu aberto com diversas intervenções, não só em espaço publico, como reabilitando o Convento de São Domingos para instalar a coleção de arqueologia [que nesta fase tem mais uma antevisão na Igreja Santa Maria do Castelo], quer seja para recuperar o edifício Carneiro para instalar a coleção do escultor Charters de Almeida. Dizer ainda que no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte está a coleção da pintora Maria Lucília e que, concluindo a intervenção do antigo Quartel dos Bombeiros, agora Quartel de Arte, onde está também mais uma exposição da coleção Figueiredo Ribeiro e que nesta intervenção vai ser ampliada e este quartel vai ser melhorado para poder acolher esta coleção.

Este é um projeto global seu, e que anunciou como concretizável a 12 anos, cumprindo os três mandatos possíveis por Lei. Que linhas têm norteado o seu trabalho autárquico?

Há aqui um trabalho que estamos a fazer de valorização do património, no espaço público de dinamização de um conjunto de iniciativas como é o caso do Abrantes Investe, da linha destinada ao comércio, como da parte de habitação, criando um conjunto de incentivos financeiros e fiscais para quem vai reabilitar o seu património no centro histórico e, portanto, é tudo isto que queremos fazer, sem prejuízo de termos a necessidade e o gosto de continuar a fazer investimento de proximidade nas nossas freguesias em complementaridade daquilo que já hoje temos na cidade.

Todos temos de ter consciência de que se tivermos uma cidade competitiva à escala regional e nacional é o concelho todo que ganha. Ganha Abrantes, Tramagal, Fontes, Aldeia do Mato, Bemposta… é isto que todos nós temos de aspirar. Uma política de investimento em política de cidades e aproveitar os nossos recursos, os municipais, para continuar a fazer investimento de proximidade nas nossas aldeias, nos nossos lugares, potenciando um desenvolvimento integrado e sustentado em todo o concelho.

“Todos temos de ter consciência de que se tivermos uma cidade competitiva à escala regional e nacional é o concelho todo que ganha”. Ganha Abrantes, Tramagal, Fontes, Aldeia do Mato, Bemposta… é isto que todos nós temos de aspirar” – Maria do Céu Albuquerque. Foto: mediotejo.net

Que legado vai deixar aos abrantinos, perspetivando o futuro da cidade?

Este é o 3º mandato…espero deixar…. não vai ficar tudo concluído…. Mas vamos deixar um trabalho feito, um legado, e também um conjunto de projetos para quem vier a seguir poder dar continuidade a um trabalho que se quer de maior importância para tornarmos o nosso conselho cada vez mais competitivo e com melhor qualidade de vida.

Como tem sido servir Abrantes nestes quase nove anos?

Servir Abrantes….tem sido um desafio muito interessante, mito importante. Não fazia parte do meu projeto de vida ser presidente de Câmara mas hoje que sou, e que fui já durante quase 9 anos, é com grande satisfação que vesti a camisola, que servi os meus concidadãos, que abracei esta causa publica, e é com o mesmo entusiasmo que ainda aqui continuo.

Ainda é cedo para falar de despedidas mas, sendo uma jovem autarca, já pensou no seu futuro?

O futuro a Deus pertence. Jovem… menos jovem… Há 10 anos tinha menos rugas, tinha outra disponibilidade. Estou disponível para tudo o que for importante para servir o meu concelho a minha região, o meu país, e para criar condições de vida para que as minhas filhas possam ter em Portugal e em Abrantes as suas oportunidades. E digo as minhas filhas porque vejo nelas uma geração e é para essa geração que estamos a trabalhar.

Mário Rui Fonseca
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

PUB