Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Julho 24, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Trincanela

“Escolher o apoio que se recebe”, por Vânia Grácio

Já aqui partilhei noutras ocasiões que sempre tive o desejo de estudar e vir a trabalhar numa área ligada à justiça. Optei pela justiça social. No entanto, não raras vezes dou por mim a pensar neste conceito. O que ele significa para mim e o que significará para outros colegas. Por esse motivo, em algumas ocasiões, temos pontos de vista diferentes, mas isso não quer dizer que uns ou outros estejam mais ou menos certos ou errados. São diferentes perspetivas sobre um mesmo assunto. É a teoria do copo meio cheio ou meio vazio, mas o que pretendo dizer com isto, tem a ver com a forma como entendo que o apoio social deve ser prestado.

- Publicidade -

Cada pessoa é uma pessoa e precisa e/ou espera de nós (profissionais) uma determinada coisa. Nesse sentido a intervenção deve ser adaptada a cada caso. No entanto, há algumas premissas pelas quais eu me rejo. Há que dar o poder às pessoas de decidirem o que querem para si, a forma como pretendem ser ajudadas, e o que querem ou não aceitar. Não posso impor uma determinada maneira de pensar, de cuidar dos filhos, de resolver esta ou aquela questão na sua vida.

Como é que eu me sentiria se alguém me viesse dizer que eu devo fazer isto ou aquilo na minha vida? Não me ia agradar. Tenho a sorte da equipa onde trabalho pensar da mesma forma. Posto isto, tentamos empoderar as pessoas. Damos “colo” quando precisam, mas apenas na medida do estritamente necessário para se equilibrarem.

- Publicidade -

Por exemplo, se uma pessoa precisa de se deslocar, tem toda a capacidade e condição para o fazer sozinha, não vamos comprar-lhe o bilhete do autocarro ou leva-la até à paragem. Facilitamos a interpretação dos horários, tentamos estruturar a organização do dia para conseguir cumprir as horas de partida e chegada do transporte, mas não fazemos por elas.

Ou, se a pessoa gosta de ter a roupa amontoada em cima de um sofá lá em casa, não a “obrigamos” a dobrar e a passar a roupa. Sensibilizamos para a necessidade de ter o espaço organizado, para o facto de dar uma melhor aparência ter a roupa passada, mas não impomos. E não é isso que faz com que uma criança esteja em perigo. As pessoas são livres de escolher como querem viver, desde que isso não coloque em causa o bem-estar e a segurança dos mais frágeis (crianças, idosos, pessoas com algum tipo de incapacidade….).

O livre arbítrio das pessoas tem de ser respeitado. Os apoios sociais servem para isso mesmo, para apoiar. Para facilitar a vida às pessoas. Para ajudar em momentos críticos e pelos quais todos nós podemos passar. Não serve para impor condições, ou obrigações. Isto não quer contudo dizer que as pessoas não tenham de cumprir determinadas ações, mas sempre com uma perspetiva de integração social e não como pagamento pelo apoio que está a receber.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here