Quinta-feira, Março 4, 2021
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Escola de Tomar acolhe banquete com as comidas mais prováveis dos lusitanos

Mais de 120 pessoas irão saborear na sexta-feira, em Tomar, as comidas mais prováveis dos povos da antiga Lusitânia, após uma conferência em que o botânico Jorge Paiva vai defender a biodiversidade do planeta.

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O professor da Universidade de Coimbra disse hoje à agência Lusa que o “jantar lusitano” permitirá aos professores, funcionários e alunos da Escola Secundária Santa Maria do Olival, além de convidados, “saber como se alimentavam” os nativos do território onde atualmente se situam Portugal e parte de Espanha.

“Os lusitanos eram povos caçadores, que viviam da floresta e ainda não cultivavam a terra”, antes da chegada dos Fenícios e Romanos aos estuários e areais da Península Ibérica, salientou.

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Depois da dissertação no auditório da Biblioteca Municipal de Tomar, às 18:30, aberta à população e intitulada “A biodiversidade num planeta lixado”, Jorge Paiva prossegue o seu trabalho científico e cultural na Escola Secundária Santa Maria do Olival, como organizador de uma refeição que fará os comensais viverem as tendências gastronómicas da época de Viriato e Sertório, o ex-general do império que, após a morte daquele líder local, continuou a rebelião contra a ocupação romana.

“A palestra é sempre dedicada à população de Tomar”, sublinhou o professor da Universidade de Coimbra (UC), que, aos 83 anos, apesar de estar jubilado, continua a trabalhar diariamente como investigador no Centro de Ecologia Funcional da UC.

O jantar começa às 20:00, com pão feito de castanha e lande (bolota), que abundavam nas florestas primitivas da Lusitânia, o “imenso carvalhal” de que Paiva costuma falar, por oposição à proliferação de espécies invasoras, como a mimosa e o ailanto, e ao aumento das áreas de eucaliptal em Portugal.

As entradas incluem queijo de cabra, presunto de porco bísaro e porco preto, variedades autóctones consideradas parentes próximos do javali ou porco-bravo.

Entre sementes e frutos silvestres, a mesa inclui bolotas, castanhas, pinhões, avelãs, medronhos e murtas.

Nos pratos principais, predominam o coelho-bravo, o javali, o pato-bravo, o porco preto e o veado.

A diretora da escola, Maria Celeste Sousa, coadjuva Jorge Paiva como anfitriã do banquete revivalista.

Maria Celeste Sousa disse à Lusa que, no cardápio, destaca-se um acompanhamento com que a instituição homenageia o ambientalista de Coimbra, a “Salada Jorge Paiva”, que integra 12 plantas nativas de Portugal, como o dente-de-leão ou o almeirão, entre outras, selecionadas e colhidas pelo próprio.

Também as sobremesas remetem os convivas para sabores e uma realidade social anterior ao nascimento de Cristo, com requeijão e uma geleia de mirtilos, por exemplo.

Além da água e licores diversos, o menu consente a cidra, feita à base de maçãs fermentadas, como rara bebida alcoólica do repasto didático.

Na palestra que antecede o “jantar lusitano”, Jorge Paiva vai alertar, mais uma vez, que “as florestas continuam a ser derrubadas a um ritmo verdadeiramente alarmante e devastador” em todos os continentes.

“Sem este património biológico, que é a biodiversidade, não comíamos e não nos vestíamos, nem tínhamos medicamentos, luz elétrica e energia”, frisou.

Esta é a 13.ª edição de um programa anual que o biólogo e a escola começaram a organizar em 2004, sempre com uma palestra aberta à comunidade, seguida de um jantar temático no estabelecimento, com inscrições limitadas.

Agência de Notícias de Portugal

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