Entroncamento | Uma escola sem bullying onde a cooperação faz os “verdadeiros heróis”

O Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento foi um dos 52 a nível nacional que recebeu o selo de boas práticas no âmbito do projeto “Escola Sem Bullying | Escola Sem Violência”, lançado pelo Governo no ano letivo 2019/2020. A distinção foi atribuída na terça-feira na escola sede, pelas mãos do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que enalteceu o trabalho de “verdadeiros heróis”. Um trabalho de cooperação entre alunos, professores, forças de segurança e comunidade que a diretora do Agrupamento, Amélia Vitorino, assume que é para continuar, com especial destaque para a competências socio-emocionais, uma área fragilizada decorrente dos tempos de pandemia.

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“Escola Sem Bullying | Escola Sem Violência” é o selo que desde o dia 20 de outubro está presente no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento. Uma distinção atribuída pelo Ministério da Educação, em reconhecimento das boas práticas desenvolvidas em ambiente escolar no sentido de combater o bullying e a violência no ano letivo 2019/2020.

Em todo o país, foram 52 os agrupamentos que receberam este diploma, no âmbito do projeto lançado em 2019 pelo Governo com o propósito de promover uma escola inclusiva e livre de violência. Este projeto veio “certificar as escolas com um conjunto de formações”, dotando os profissionais para o entendimento, monitorização e intervenção ao nível do bullying.

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Um certificado que “não é só um papel” mas que torna cada escola “ainda mais especial”. “Uma escola que tem uma responsabilidade de viver esta cidadania plena, de entender o que é ser diferente”. As palavras são do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no momento de entrega do diploma à diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, Amélia Vitorino.

“Hoje estamos aqui cheios de honra, cheios de orgulho para vos felicitar porque vocês, os vossos professores, a diretora, todos os que trabalham aqui mas também todos os parceiros da escola hoje são os heróis que vão dizer que nesta escola não há violência nem há bullying. E vocês são uns verdadeiros heróis”, declarou Tiago Brandão Rodrigues que afirmou nos dias de hoje “o bullying não é aceitável nas nossas escolas, a violência não é aceitável nas nossas escolas”.

Em resposta, a diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento agradeceu e reiterou que tudo será feito para dar continuidade “a uma escola que queremos sem bullying e sem violência. Têm a minha palavra.”.

A Escola Secundária foi a escolhida pelo Governo para assinalar o Dia Mundial do Combate ao Bullying, esta terça-feira. O ministro da Educação e o ministro da Administração Interna (Eduardo Cabrita), acompanhados pelo secretário Adjunto e da Educação, João Costa, e pela secretária de Estado da Igualdade e Cidadania, Rosa Monteiro, puderam inteirar-se de algumas das ações levadas a cabo neste agrupamento no âmbito do combate ao bullying.

No caso do Agrupamento de Escolas do Entroncamento, o projeto envolveu alunos do 4.º ao 12.º anos, numa parceria com a Escola Segura da PSP (com ações de sensibilização) e a Unidade de Cuidados na Comunidade de Almourol (que proporcionou a formação de docentes e profissionais das escolas).

As diversas ações desenvolvidas pela escola passaram desde a realização de workshops sobre o bullying até à composição de uma música que alerta para a temática. Além disto, a diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento deu também a conhecer um projeto internacional do qual esta escola é coordenadora, no âmbito do Erasmus +. Alunos do 7.º e do 10.º ano estão envolvidos neste projeto que engloba escolas da Roménia, Grécia, Polónia e Turquia.

Em declarações ao mediotejo.net, a diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, Amélia Vitorino, mostrou-se “profundamente grata” pela distinção e reiterou que o trabalho no combate ao bullying é para continuar.

Amélia Vitorino, diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

“Vamos dar continuidade ao mesmo. Porque não se pode agora fazer tábua rasa daquilo que já se conseguiu. (…) Temos que educar e essa educação começa desde o pré-escolar até à idade adulta, e tem de ser sistemática e fundamentada para a cada dia saberem dar resposta a esta realidade, disse.

A responsável destacou a “estreita colaboração” com as diversas entidades concelhias e a comunidade, imprescindível para “construirmos uma sociedade mais justa, mais solidária em que todos têm um caminho para ajudar o outro no dia a dia”.

“É assim, com respeito, com serenidade, capacidade crítica, de justiça, de inclusão, que nós conseguiremos construir um mundo melhor e onde todos sejamos efetivamente iguais, independentemente das nossas diferenças. Queremos efetivamente uma escola sem bullying, sem violência”, concluiu.

“Se precisarem de nós, estamos aqui”. O Programa Escola Segura e o papel das forças de segurança

No âmbito do Programa Escola Segura, desde o ano letivo de 2013/2014 até 2019/2020, a PSP levou a cabo mais de 17.000 ações, das quais cerca de 9300 sobre bullying e 8300 sobre ciberbullying.

Presente na cerimónia, o comandante da Esquadra da PSP do Entroncamento, comissário André Rodrigues, referiu que o cenário de bullying nas escolas “só pode ser ultrapassado com a estreita colaboração de todos, com o empenho de todos”.

Comandante da Esquadra da PSP do Entroncamento, comissário André Rodrigues. Foto: mediotejo.net

“ A nível nacional, a PSP tem estado atenta e trabalhado o fenómeno do bullying junto da comunidade escolar”, disse, reiterando que são desenvolvidas ações de sensibilização com regularidade. A este propósito, decorre até ao dia 30 de outubro a campanha “Bullying é para fracos”, que pretende sensibilizar alunos, professores e pais para as várias formas de bullying.

De acordo com a PSP, ao longo dos últimos anos letivos as agressões físicas em contexto de bullying têm diminuído, mas tem-se registado um aumento do número de injúrias e ameaças. Na escola do Entroncamento, a PSP reforçou a mensagem: “Se precisarem de nós, estamos aqui. Denunciar, sempre. Quando se aperceberem que algum colega precisa de ajuda, precisam de o incentivar a denunciar”.

Agentes da PSP fizeram uma apresentação sobre as formas de bullying, apelando à denúncia destas situações por parte dos jovens. Foto: mediotejo.net

Também nesse sentido interveio o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que, destacando o programa Escola Segura, numa parceria que tem dado “magníficos frutos entre o Ministério da Educação e o Ministério da Administração Interna”, manifestou que as forças de segurança são “parte da resposta” nesta luta contra a violência.

“Podem contar com eles, tal como podem contar com os vossos professores, com os auxiliares de ação educativa, com todos aqueles que integram a ação educativa”, lembrou.

Referindo que o bullying “pode ter muitas formas”, o ministro falou para os alunos presentes sublinhando a importância de “nesta idade, têm que dizer não, porque é o princípio daquilo que não queremos, que é discriminar aquilo que parece mais fraco, porque é gordo, porque parece ter um sotaque diferente, porque vem de um país diferente, porque parece ter hábitos diferentes. Há mil e uma razões que podem levar à discriminação”.

O ministro admitiu também que a luta contra a violência é “uma batalha permanente” pela tolerância e por uma sociedade mais igualitária, na qual “não há uma receita mágica” mas sim “a afirmação de princípios de cidadania que devem ser reavivados todos os dias. E esta escola aqui no Entroncamento é um magnífico exemplo disto”.

“Temos todos o direito a escolher como queremos ser, quem são os nossos amigos, e temos o dever de respeitar a diferença e integrar todos”, acrescentou Eduardo Cabrita.

O crescimento do Ciberbullying em tempos de pandemia

“O ciberbullying é uma dimensão que cresceu durante os tempos de pandemia”. As palavras são do ministro da Administração Interna que defendeu que essa é hoje uma prioridade de ação do programa Escola Segura”.

Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na Escola Secundária do Entroncamento. Imagem: mediotejo.net

No mesmo sentido, o ministro da Educação refere que a formação nesse tipo de bullying é “muito importante”. Questionado pelo mediotejo.net sobre se a estratégia do Governo passa também pelo aumento da formação, Tiago Brandão Rodrigues explica que tal “é reforçado no Plano Nacional de Combate ao Bullying e ao Ciberbullying”, agora com a colaboração de instituições do ensino superior.

Essa colaboração vai permitir “aumentar a formação e, através dos nossos sistemas de formação, poder formar os docentes, poder formar as direções das escolas, mas, de forma importante, também poder formar os assistentes operacionais e técnicos, elementos fundamentais nas escolas muitas vezes para alertar e para poder direcionar os alunos que são vítimas de bullying para todas as respostas que existem”.

Já em novembro arrancará uma formação de curta duração dirigida a formadores identificados pelos Centros de Formação de Associação de Escolas, para “sensibilizar e informar acerca das características destes fenómenos, consciencializando-os dos riscos associados”.

Refere o portal do Governo que no próximo ano realizar-se-á uma formação “para educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário e de educação especial, nomeadamente para diretores de turma, bem como um curso de formação, para docentes, sobre relações interpessoais e dinâmicas de grupo na escola”.

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Ana Rita Cristóvão
Quando era pequena, passava os dias no campo a fazer de conta que apresentava o telejornal. Rumou à capital para se formar em Jornalismo e foi aí que se apaixonou pela rádio. Gosta de abraços e passa horas a ouvir as histórias dos mais antigos. É fã de chocolate, caminhadas sem destino e praias fluviais.

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