Entroncamento | PSD “condena” e CDS “repudia” incidente durante missa na Igreja da Sagrada Família

As concelhias do PSD e do CDS do Entroncamento manifestaram, em comunicado, a sua posição relativamente ao acontecimento na Igreja da Sagrada Família no passado domingo, quando um indivíduo subiu ao altar e interrompeu a celebração religiosa. Em reunião do executivo municipal, o presidente de Câmara refere que tal se tratou de “um incidente” que está a ser tratado na esfera das autoridades policiais.

A tomada de posição por parte das concelhias dos partidos políticos surge após o acontecimento no passado domingo, quando um homem interrompeu a missa que decorria na Igreja da Sagrada Família, no Entroncamento, subindo ao altar e proferindo palavras contra o cristianismo em África.

Em comunicado enviado ao mediotejo.net, a comissão política concelhia do CDS-PP Entroncamento repudia aquilo que considera ser um “ataque racista, xenófobo e inclusivamente à liberdade religiosa” de que a comunidade entroncamentense foi alvo.

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“Apelamos às autoridades locais e nacionais que não permitam que fiquem impunes quaisquer atos contrários à liberdade individual, relembrando que os mesmos constituem violações à Constituição da República Portuguesa”, pode ler-se no documento do CDS-PP do Entroncamento que deixa ainda o apelo aos munícipes “em especial aos que detêm responsabilidades no nosso município, que se unam na defesa e segurança da nossa cidade”.

Já o PSD Entroncamento, num comunicado assinado pelo presidente José Baptista, condena aquilo que diz ser um “ataque à liberdade religiosa na cidade”.

“O PSD Entroncamento condena o ataque à liberdade religiosa no Entroncamento e exige medidas de segurança para prevenir qualquer incidente que possa vir a acontecer, mais grave do que o ocorrido, à semelhança dos que têm acontecido noutros países e continentes”, refere.

Defendendo que “não podemos permitir que um ato desta natureza seja desvalorizado ou considerado menor, podendo tornar-se num rastilho para situações de gravidade incalculável”, o PSD Entroncamento reflete que este momento deverá servir “para se perceber, de uma vez por todas, que vivemos num mundo global, que não somos uma ilha isolada dos problemas que os outros vivem e que, à semelhança do que acontece noutros países com ataques às liberdades individuais e à liberdade religiosa, necessitamos de segurança eficaz e confiança para vivermos a nossa vida no sítio onde escolhemos estar”.

Também em reunião de Câmara do executivo municipal desta segunda-feira, 16 de novembro, o assunto foi trazido pelo vereador José Baptista (PSD) que deu conta de uma moção enviada a este respeito ao executivo. Apesar de não ter sido sujeita a votação, o vereador sublinhou que a mesma “não se refere só à liberdade religiosa, refere-se contra manifestações que incitem ao ódio e à discriminação de todos”, defendendo que não existe na proposta “nenhuma posição xenófoba nem racista”.

O vereador social-democrata reforçou a posição manifestada em comunicado, referindo que, a seu ver, a situação ocorrida na Igreja da Sagrada Família “não é um caso ocasional, é uma situação que pode ocorrer e não é em celebrações religiosas só”, lembrando que as pessoas que estava no momento se viram “numa situação muito complicada, sem saber o que é que ia acontecer”.

“Entendemos que todos devemos mostrar-nos contra qualquer tipo de violência, ódio e discriminação a quem quer que seja”, disse o vereador que considera que a Câmara Municipal do Entroncamento “tem que se manifestar contra o ódio e a discriminação” sob pena de se correr o risco de iniciarem “movimentos extremistas a incitar ao ódio e á discriminação e não podemos permitir que isso avance”.

Presidente de Câmara Municipal refere que incidente está na esfera das autoridades policiais

O autarca Jorge Faria (PS) referiu em reunião do executivo que as autoridades competentes tomaram conta da ocorrência e “tomaram no devido tempo as iniciativas adequadas”.

Em resposta ao vereador social-democrata, o presidente do Município do Entroncamento afirmou que não se revê “numa posição populista” e defende que aquilo que aconteceu na Igreja da Sagrada Família foi “um incidente de alguém que não estava bem”.

“O assunto para nós está arrumado, está na esfera das autoridades policiais – e, eventualmente, das autoridades judiciais – e seguirá o seu percurso como deve acontecer num estado democrático como é o nosso”, concluiu.

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Ana Rita Cristóvão
Quando era pequena, passava os dias no campo a fazer de conta que apresentava o telejornal. Rumou à capital para se formar em Jornalismo e foi aí que se apaixonou pela rádio. Gosta de abraços e passa horas a ouvir as histórias dos mais antigos. É fã de chocolate, caminhadas sem destino e praias fluviais.

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