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Entroncamento | População não quer demolição da antiga Escola das Tílias/EB1 nº 3

A demolição da Escola das Tílias/EB1 nº 3 foi rejeitada pela população do Entroncamento na consulta pública promovida pela Câmara Municipal sobre o futuro do edifício. A sessão realizou-se este sábado, dia 19, no local onde funcionou a primeira escola secundária do concelho e que a autarquia propõe manter, conciliada com apartamentos e uma área de lazer.

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A Câmara Municipal do Entroncamento decidiu ouvir a população sobre o futuro da antiga Escola das Tílias/EB1 nº 3 e agendou uma consulta pública para a manhã deste sábado. As cadeiras do primeiro estabelecimento de ensino secundário do concelho não chegaram para os participantes, entre os quais se encontravam representantes de diversas forças políticas locais, ex-alunos e outros munícipes.

O edifício que completa 52 anos de existência no próximo dia 22 de novembro foi projetado para o Ensino Primário, mas acabaria por iniciar a sua atividade como Escola Técnica e Industrial de Tomar e receber, mais tarde, o 1º Ciclo do Ensino Básico. A entrada em funcionamento da nova Escola Básica do Bonito, em 2014, ditou o seu encerramento até se tornar sede temporária da equipa do CLDS 3G (Contrato Local de Desenvolvimento Social de 3ª Geração), no passado mês de março.

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A população foi recebida por Ezequiel Estrada, presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima e um dos primeiros alunos da escola, e por Jorge Faria, presidente do município. O segundo fez um enquadramento do processo que teve início com a assinatura do contrato de permuta entre os donos do terreno onde hoje se encontra localizada a Escola Básica do Bonito e a Câmara Municipal.

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Ezequiel Estrada e Jorge Faria durante a sessão pública. Fotos: mediotejo.net

Processo caraterizado por Jorge Faria como “um conjunto de trapalhadas”, destacando a aprovação do projeto e a apresentação da respetiva candidatura pela Câmara Municipal em 2010, dois anos antes de ser assinado o contrato entre a autarquia e os proprietários. A realização da avaliação dos terrenos após a existência do documento que previa cinco lotes para a construção de 47 apartamentos e quatro espaços comerciais também foi apontada.

O atual executivo municipal não concorda com a demolição do edifício prevista no contrato e tem desenvolvido contactos com os herdeiros de João Henriques, antigo proprietário do terreno particular, desde 2014, no sentido de manter a antiga Escola das Tílias. As propostas apresentadas foram rejeitadas sem apresentação de contrapropostas, prevendo a última manterem-se as infraestruturas existentes numa área partilhada com cerca de 20 apartamentos e uma zona de lazer.

Segundo Jorge Faria, este projeto com uma área de construção total de 2.400,00 m2 já obteve o apoio do CDS-PP e do BE, estando a aguardar resposta por parte dos restantes partidos com assento na Assembleia Municipal (CDU e PSD). Em cima da mesa está, igualmente, o pagamento previsto no contrato de uma indemnização na ordem dos €372.000,00 pelos fogos não construídos, ao longo de quatro anos.

Pormeores do projeto apresentado à população. Fotos: DR
Pormenores do projeto apresentado à população. Fotos: DR

A manutenção da antiga Escola das Tílias e a criação de um espaço verde naquela zona da freguesia de Nossa Senhora de Fátima reuniram consenso, mas não a unanimidade. Entre as intervenções houve quem questionasse se os presentes guardam coisas antigas – “o galinheiro do avô” – e salientasse que as futuras obras vão descaraterizar a escola, acabando por apagar a memória.

A sessão centrou-se na questão da demolição do edifício, mas não deixaram de surgir propostas para a sua utilização caso se confirme a execução unilateral do contrato. Jorge Faria referiu diversas vezes que a adaptação para Loja do Cidadão não faz sentido e sobre a possível mudança da esquadra da PSP local indicou estarem a aguardar o desenvolvimento do processo que envolve o terreno perto do atual Centro de Saúde, pertencente a uma entidade bancária.

A construção de um museu dedicado à escola e a sua classificação como Imóvel de Interesse Municipal foram outras ideia avançadas pela população. No entanto, a que reuniu mais adeptos implica a criação de um espaço ligado às artes e às associações locais que venha, por exemplo, a acolher alunos da Entroncartes – Associação Artística do Entroncamento ou da escola de música da Associação Filarmónica e Cultural do Entroncamento.

Alguns espaços da antiga Escola das Tílias, cuja sala de aulas voltou a ficar cheia. Fotos: mediotejo.net
Alguns espaços da escola, cuja sala de aulas voltou a ficar cheia. Fotos: mediotejo.net

A consulta pública teve início pelas 11h00 e terminou pouco antes da hora de almoço. Cerca de hora e meia em que os munícipes se expressaram sobre um tema que lhes diz respeito, o património municipal, e sobre o qual estão previstas novas sessões com a população. Em declarações ao mediotejo.net, Jorge Faria, informou que no início de dezembro irá realizar-se uma sobre o Mercado Municipal e no início de janeiro outra sobre o Cine-Teatro São João, ambas no próprios locais.

Para o autarca, as consultas públicas são uma oportunidade para “partilhar aquilo que vamos fazendo” e apelar à participação da população enquanto o município não reunir as condições necessárias para “colocar em prática um Orçamento Participativo”. O mesmo também destacou a importância destes momentos na tomada de decisões suportadas “pelo feedback” recebido e que “vão ao encontro do que as pessoas pensam”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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