Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Terça-feira, Novembro 30, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Entroncamento | O primeiro dia da nova “praça” (c/ fotogaleria e video)

O Mercado Municipal do Entroncamento sofreu obras de remodelação nos últimos meses e a inauguração oficial do espaço remodelado realizou-se esta sexta-feira, dia 7, com a presença do Secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel. O investimento foi de um milhão de euros e resultou em novos motivos para ir à “praça” além dos produtos nas bancas remodeladas com a criação de um espaço de convívio que já recebeu as primeiras iniciativas culturais.

- Publicidade -

O descerrar da placa na fachada que dá para a Praça Salgueiro Maia marcou o momento oficial em que o Mercado Municipal foi apresentado à população depois das obras de remodelação. A intervenção decorreu, sempre com as portas abertas, e incidiu na zona de venda, acessibilidades, bancas e expositores, pavimento e cobertura.

Realizada em duas fases, para permitir que o mercado não deixasse de funcionar durante as obras – período em que parte dos vendedores foram colocados numa tenda junto ao edifício -, a intervenção permitiu dotar as zonas de bancas de condições que respondem às novas exigências legais e criar uma zona de restauração, tornando-o num “espaço multioferta”.

- Publicidade -

O investimento, suportado por fundos comunitários e a autarquia – no último caso em cerca de 360.000,00€ – incluiu também a melhoria do acesso ao estacionamento subterrâneo com uma pérgula. Os meses de espera, marcados por alguns episódios de descontentamento por parte dos vendedores e da população, terminaram agora com um espaço moderno que, nesta sexta-feira, pareceu ser do agrado de todos os presentes, entre eles o Secretário de Estado das Autarquias Locais.

Carlos Miguel e Jorge Faria após descerrarem a placa. Foto: mediotejo.net

Carlos Miguel esteve presente na cerimónia e visitou as diversas áreas do mercado, incluindo as câmaras frigoríficas e a divisão que recebe o Arquivo Municipal. Ao seu lado esteve o presidente da Câmara Municipal, Jorge Faria, que sublinhou que o objetivo das obras não se limitou a reabilitar o edifício com cerca de 40 anos, mas “sobretudo, dar outra funcionalidade para que as pessoas da nossa cidade possam vir ao mercado”.

Não apenas para as compras habituais, mas para usufruir de um “espaço que possa ser de convívio e de encontro”.

Encontros que se fazem há anos entre vendedores e população com as bancas pelo meio. É o caso de Lucinda Batista, de 69 anos, e do marido José Manuel, com 78 anos, que encontramos junto de pimentos, laranjas, nabos e alfaces, entre outros produtos que vendem há mais de quatro décadas. O casal reside no Casal Sentista, localidade do concelho de Torres Novas que fica a “quatro quilómetros certinhos” do mercado, diz Lucinda.

Questionada sobre as mudanças ocorridas nos últimos 43 anos, sorri e diz não ter notado “grandes diferenças” nas vendas e acrescenta “deve ser dos meus lindos olhos”. A clientela é “muito antiga” e abrange diversas gerações. De um lado, as mães passaram a avós e, para o outro, levava os filhos que hoje já a tornaram bisavó. Os mais novos seguiram outros rumos profissionais, mas a nora acompanha-a e vende numa banca próxima.

Lucinda Bartista conhece a vida de praça há 43 anos. Foto: mediotejo.net

A adaptação às obras não foi fácil, admite, sobretudo quando estiveram na tenda provisória, mas acabaram por se habituar e o novo espaço “está muito jeitoso”. Lucinda espera que as novas condições atraiam mais pessoas ao local onde os produtos são mais “frescos” e o ambiente, sublinha, “é uma família”. Proximidade que o Secretário de Estado também destacou no seu discurso.

Carlos Miguel assumiu-se como “um acérrimo defensor do mercado municipal” e destacou a sua centralidade. A “praça” foi destacada como um local de relações sociais que, no Entroncamento, se espera que sejam reforçadas com a criação da nova zona de convívio, a Praça da Restauração, que passa a estar aberta ao público até às duas da manhã à sexta-feira e ao sábado e encerra à meia-noite nos restantes dias da semana.

Segundo o ex-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, o mercado municipal tem uma “função distinta daquilo que é um supermercado porque aqui não temos uma multinacional, nem uma grande empresa. Aqui temos quase uma cooperativa de pequenos produtores, pequenos empresários e a câmara municipal ao promover o mercado municipal está a promover o comércio e a economia local”. O mais importante, acrescentou, é que a obra “tenha vida” e sirva as pessoas e o território.

A comitiva visitou o espaço remodelado. Foto: mediotejo.net

Um território com características singulares, um entroncamento de culturas e que também teve a sua ligação ao rio com a presença de pescadores profissionais. No primeiro dia do futuro do mercado municipal remodelado, o passado foi recordado com a inauguração de um barco “picareto” na zona das bancas de peixe.

O “S. João Baptista” ficará em exposição e os primeiros “navegantes” estiveram vestidos a rigor. Entre eles estava Odete Lobo que leu um poema da sua autoria sobre o rio Tejo.

Não foi apenas a poesia que ecoou no novo espaço durante o último dia e os primeiros momentos incluíram a música de Sílvia Alcobia na Praça da Restauração, durante a inauguração e o almoço volante, que teve direito a bolo.

O ritmo musical da noite foi diferente com o concerto de Ricardo Monteiro. O programa prolonga-se até este sábado, com animação de rua com o grupo “Manus Ecenas” durante a manhã e a atuação de Ricardo Costa às 22h30.

Jorge Faria afirmou que, das obras incluídas no PEDU – com um valor global de 5,5 milhões de euros – o município apenas aguarda decisão sobre os projetos para a antiga escola das Tílias e zona envolvente – na ordem dos 1,2 milhões de euros – e para a zona envolvente do bairro Frederico Ulrich, envolvendo cerca de 900.000,00€.

As outras intervenções (além do mercado, o cineteatro, a ribeira de Santa Catarina, ciclovia, o bairro de habitação social) ou estão concluídas ou em fase de conclusão, disse.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome