Entroncamento | No 71º aniversário da corporação, bombeiros pedem mais apoios: “Estamos no limite” (c/ fotos e vídeo)

Receção à Secretária de Estado da Administração Interna, no Entroncamento. Foto: mediotejo.net

O início de mais uma recruta de novos bombeiros, com uma adesão que superou as expectativas, a inauguração do posto de combustíveis da BP num terreno da corporação e a aquisição em breve de um VUCI – Veículo Urbano de Combate a Incêndios, foram algumas das novidades anunciadas na cerimónia comemorativa do 71º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, no sábado, dia 11 de janeiro.

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Depois de no ano passado ter sido o ministro da Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a presidir às cerimónias, este ano coube essa honra à Secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar.

A presença destes membros do Governo em dois anos consecutivos mereceu registo e enaltecimento na primeira intervenção feita por Levy Correia, presidente da Assembleia Geral.

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A Secretária de Estado Patrícia Gaspar encerrou a série de discursos. Foto: mediotejo.net

A marcar a sessão esteve também o luto pela morte, horas antes, de Américo Nunes, dirigente da Associação, levando Levy Correia a pedir um minuto de silêncio em sinal de homenagem.

Os bombeiros do Entroncamento foram chamados 22 vezes por dia, em 2019

Os discursos dos representantes das diferentes entidades foram sendo intercalados com a atribuição de louvores, condecorações e divisas, havendo ainda algumas promoções de Bombeiros às categorias seguintes.

O comandante da corporação, Rodrigo Bertelo, dirigindo-se ao comandante distrital de operações de socorro de Santarém, Mário Silvestre, elogiou o trabalho em rede e o apoio que tem dado aos bombeiros do Entroncamento.

Depois de agradecer o apoio, em termos logísticos e operacionais, do Município, Rodrigo Bertelo lançou o desafio ao Presidente da Câmara para que sejam estudadas medidas de apoio social aos elementos que preenchem os quadros da Associação.

Foram transportados mais de 10 mil doentes nas ambulâncias do Entroncamento, no ano passado

Uma das mais recentes provas de fogo que a corporação do Entroncamento enfrentou foi a depressão Elsa, em que tiveram de acudir a mais de 70 ocorrências na cidade, tarefa para a qual contou com o apoio de corpos de bombeiros vizinhos.

Por isso, foi feito um agradecimento público aos comandantes ou representantes dos corpos de bombeiros de Torres Novas, Vila Nova da Barquinha, Constância e Abrantes, ao chefe de grupo da Proteção Civil e ao Comandante Distrital.

Para Rodrigo Bertelo, 2019 foi “um ano de dificuldades, mas também de superações”: mais de 8 mil e 200 alertas (uma média de 22 por dia), mais de 355 mil quilómetros percorridos, transporte de cerca de 10.400 utentes entre emergências pré-hospitalares, acidentes e transporte de doentes, 70 acidentes rodoviários, 38 incêndios urbanos e 132 incêndios florestais, sendo mais de 90 por cento fora do concelho.

Bombeiros após o desfile apeado. Foto: mediotejo.net

José Salvado, Presidente da Associação Humanitária desde 2012, fez questão de enaltecer o trabalho de bombeiros que “têm cada vez mais responsabilidades e nem sempre os meios correspondem às necessidades”.

Considera que a principal carência atual na corporação são os meios humanos, mas mostrou-se satisfeito pelo facto de um recente concurso de admissão de novos bombeiros ter registado um número de inscrições que ultrapassou as expectativas.

“Os bombeiros têm cada vez mais responsabilidades e nem sempre os meios correspondem às necessidades”, lamenta José Salvado, presidente da Associação Humanitária

Ao mediotejo.net adiantou que está quase fechada a negociação de um VUCI – Veículo Urbano de Combate a Incêndios em segunda mão, mas em bom estado, compra para a qual conta com o apoio de todos.

As dificuldades financeiras que diariamente se enfrenta para manter a Associação foram a tónica dominante do seu discurso, onde aproveitou para fazer um balanço do ano anterior em termos de instalações, viaturas e equipamentos, e lançou uma série de questões e desafios à Secretária de Estado.

71° aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento. Entrevista ao Presidente, José Salvado

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 11 de janeiro de 2020

Eduardo Correia, representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, focou o seu discurso nas dificuldades financeiras que enfrentam as corporações de bombeiros depois de destacar a importância dos soldados da paz. “Estamos no limite”, denunciou, alertando para as associações que vão cessando atividade.

Apresentou um conjunto de reivindicações, com enfoque na exigência de mais financiamento, dando como exemplo o preço de tabela pago pelo transporte de doentes, que não é atualizado há vários anos.

“Estamos no limite”, denuncia o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, alertando para as dificuldades financeiras que têm levado muitas associações a cessar atividade

O orador seguinte foi Jorge Faria, Presidente da Câmara mas também Presidente do Conselho Fiscal da Associação Humanitária. Num dia em que completava 63 anos, sendo parabenizado por isso, frisou o “esforço abnegado dos bombeiros” e enalteceu a “qualidade e excelência da corporação”. Quanto ao desafio lançado pelo Comandantes, Jorge Faria anunciou que está a ser trabalhado um documento para melhorar o estatuto social dos bombeiros.

A encerrar a série de intervenções, a Secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, destacou o trabalho dos bombeiros, lembrando que, de norte a sul do país, têm de acudir a centenas de ocorrências, numa missão que “faz a diferença na vida dos portugueses”.

Com a depressão Elsa ainda fresca na memória, alertou e apelou ao despertar das consciências para o problema das alterações climáticas, que “não são um mito, não são fakenews, temos de nos preparar para elas”. O papel dos bombeiros, “enquanto principal agente de proteção civil, vai ser, como já é hoje, determinante na capacidade para reagir a este tipo de situações”, alertou.

Focou o seu discurso nos desafios de “mudanças complexas”, que vão representar “um trabalho árduo e difícil” a exigir uma melhoria contínua, na qual todos têm de estar envolvidos: Governo central, autarquias, bombeiros, associações e organizações representativas do setor.

“As alterações climáticas não são um mito, não são fakenews, temos de nos preparar para elas, e o papel dos bombeiros vai ser, como já é hoje, determinante na capacidade para reagir a este tipo de situações”, alertou a Secretária de Estado Patrícia Gaspar

Neste processo, anunciou que já estão a ser trabalhadas com a Liga dos Bombeiros as alterações mais urgentes no setor que têm a ver com financiamento, equipamentos, formação e nova lei orgânica da Autoridade Nacional de Proteção Civil, entre outros aspetos. “Valorizar o papel dos bombeiros” é o objetivo que se pretende atingir.

Terminou o seu discurso dando os parabéns a Mário Silvestre pelo trabalho executado a nível distrital e a todos os bombeiros portugueses pela forma abnegada com que se empenham na defesa da vida e do bem-estar dos outros.

Após a sessão solene decorreu um almoço volante no pavilhão e pátio do quartel. De manhã, às 8 horas, o som do toque de sirenes dos bombeiros marcou o início das comemorações. Seguiu-se o içar da Bandeira, a Missa na Igreja da Sagrada Família, por alma dos Diretores, Associados e Bombeiros falecidos, a romagem ao Cemitério e o desfile apeado.

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