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Quinta-feira, Setembro 23, 2021

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Entroncamento | Município integra cooperativa que pretende criar escola universitária no concelho (C/ÁUDIO)

O Município do Entroncamento aderiu a uma cooperativa que tem como objetivo trazer o ensino superior para a cidade, através da criação de uma escola universitária onde o foco sejam as áreas da engenharia dos transportes e eletrotécnica, bem como na criação de um cluster tecnológico e de inovação nas áreas do transporte ferroviário e logística. Este projeto, a ser levado a cabo pela recém-criada cooperativa Cottinelli Telmo, representa uma iniciativa “muito estruturante para a cidade”, diz o presidente da Câmara Municipal, Jorge Faria.

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“Estruturante” e “ambicioso” são as palavras usadas pelo presidente do Município do Entroncamento para descrever o projeto que pretende fazer voltar o ensino superior ao concelho. Em reunião do executivo camarário de 4 de janeiro foi aprovada (com os votos contra dos eleitos do PSD) a proposta de adesão do Município à Cottinelli Telmo – Cooperativa de Ensino Superior e Investigação Científica, CRL.

Esta cooperativa, que envolve diversas entidades, como a Escola Profissional Gustave Eiffel do Entroncamento e o ISEC Lisboa (instituto com o qual a autarquia já estabeleceu anteriormente um protocolo de colaboração respeitante a iniciativas de formação no ensino superior técnico-profissional), tem o nome de Cottinelli Telmo pela “ligação forte” do arquiteto à cidade, nomeadamente pela existência de “património edificado com relevância” com a sua assinatura. Jorge Faria elucida que a Cottinelli Telmo será “a entidade instituidora” do projeto, sendo a Câmara associada enquanto cooperante.

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O foco desta cooperativa é a criação de uma escola universitária no concelho, com foco nas áreas da engenharia dos transportes, mecatrônica, da engenharia eletrotécnica, da gestão de produção e inovação e ainda “numa licenciatura específica na área da Proteção Civil e Emergência”, adianta o autarca.

“Estamos a procurar desenvolver uma área de investigação associada às novas tecnologias, sobretudo com foco na área da engenharia e dos transportes”, acrescenta, bem como na criação de um centro tecnológico e de inovação [cluster] nas áreas do transporte ferroviário e logística, que constitua um “polo agregador do desenvolvimento local e regional”.

Com a adesão do Município à cooperativa Cottinelli Telmo, através da subscrição de capital de 500,00€, a autarquia é considerada membro fundador, tal como acontece com os cidadãos ou entidades que se queiram tornar cooperantes (individuais ou coletivos), ou seja, a adesão durante os primeiros seis meses após a escritura da emissão da cooperativa faz com que os membros que adiram neste período sejam considerados associados fundadores.

Além do Município, o presidente Jorge Faria e a vereadora Tília Nunes tornaram-se já, a título pessoal, cooperantes desta cooperativa.

Reunião de Câmara Municipal do Entroncamento, por videoconferência. Imagem: Youtube CME

O presidente da autarquia entroncamentense referiu ainda em sessão do executivo camarário que este projeto relativo ao ensino superior está “intimamente ligado com outras intervenções” ao nível da estratégia socialista para a cidade no que respeita à recuperação do património ferroviário e reanimação da atividade ferroviária no âmbito da logística, mas também se relaciona com a criação de outro projeto em desenvolvimento: um centro de ciência viva em transporte ferroviário e mobilidade.

“É também um projeto que estamos a desenvolver que teve grande recetividade por parte da senhora presidente dos Centros de Ciência de Viva de Portugal e por parte da ministra da Coesão Territorial”, admitiu Jorge Faria (PS), que sublinhou a interligação entre todos estes projetos.

“Embora projetos difíceis, são muito importantes para a cidade e daí a importância da Câmara, formalmente, estar ligada a eles”, concluiu.

PSD VOTA CONTRA ADESÃO À COTTINELLI TELMO. BE DEFENDE MAIOR POSIÇÃO DO MUNICÍPIO NA COOPERATIVA.

Quanto à proposta de adesão do Município à Cottinelli Telmo – Cooperativa de Ensino Superior e Investigação Científica, CRL, o vereador José Baptista (PSD) pronunciou-se em reunião de Câmara, afirmando que “tentar trazer o ensino superior para o Entroncamento é meritório”.

Recordando que “o nosso histórico de ensino superior não tem sido famoso ao longo dos anos” e os “anúncios recorrentes” ao longo dos anos sem que “na verdade esse ensino superior se tenha consubstanciado em efetivos cursos de ensino superior”, o vereador social-democrata questionou sobre se “faz sentido a esta Câmara aderir a uma entidade da qual já fazem parte eleitos desta mesma Câmara”, bem como “até que ponto faz sentido o Município envolver-se numa cooperativa, com investimento municipal, que é constituída por membros de uma escola profissional com reconhecido mérito e outras instituições” quando a autarquia “não tem qualquer fundamento nem know how [experiência] em matérias do ensino superior”.

José Miguel Baptista, vereador do PSD na Câmara Municipal do Entroncamento, em reunião de Câmara por videoconferência. Imagem: Youtube CME

Com o sentido de voto a ser contra a adesão do Município à cooperativa, os vereadores do PSD apresentaram uma declaração de voto na qual é referido que “nada faz crer que a Cottinelli se venha a traduzir em cursos de qualidade superior que atraiam o investimento dos alunos e respetivos pagamentos mensais”.

Em reunião de Câmara, o vereador José Baptista (PSD) sublinhou ainda que hoje em dia “o número de estudantes que vão para o Ensino Superior e que escolhem uma escola por causa do espaço geográfico em que ela se insere é mínimo”, tanto mais quando se trata de ensino cooperativo-privado, em que “o ensino é integralmente pago pelos estudantes”.

“Isto não é ensino público que está aqui a ser proposto, aqui ninguém vai pagar uma propina como se fosse para o ensino superior público. Este ensino superior que está aqui a ser proposto é ensino cooperativo-privado, e portanto é pago mensalmente pelos estudantes”, acrescentou.

Já do lado do Bloco de Esquerda, a vereadora Sara Florindo defendeu que “já que é feito investimento nesta cooperativa com esta entrada [do Município], a posição do Município nos órgãos sociais deviam ser mais reforçados”.

“Não podemos deixar de comentar o papel irrelevante do Município logo nesta fase de arranque”, disse, expondo que tal “nos parece errado pois parece-nos óbvio que o Município deveria ocupar um lugar destacado nos órgãos dirigentes não sendo remetido a um papel de figurante”.

Sara Florindo, vereadora do BE na Câmara Municipal do Entroncamento, em reunião de Câmara por videoconferência. Imagem: Youtube CME

Não obstante, o BE considera esta iniciativa de promoção do ensino superior no concelho como “positiva”, assim como a opção de fazer incidir o respetivo ensino em áreas ligadas ao transporte ferroviário e logística.

“Trata-se de abrir novas oportunidades de valorização aos jovens da nossa cidade e da nossa região”, afirmou, o que “poderá dar uma mais ampla dimensão à vocação do nosso concelho nas áreas do transporte ferroviário e da indústria associada (…) atraindo estudantes e investigadores estrangeiros nestes domínios”.

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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