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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Entroncamento | MNF: Seis anos de partilha de memórias e afirmação do futuro da ferrovia

Há seis anos a abrir portas para um património único que representa um legado com mais de 160 anos de história, o Museu Nacional Ferroviário comemorou esta terça-feira, dia 18 de maio e Dia Internacional dos Museus, o 6.º aniversário desde a sua abertura ao público no formato atual, a 18 de maio de 2015. Com um acervo que aviva as emoções de miúdos e graúdos, nesta data especial, o presidente do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário, Manuel de Novaes Cabral, admite ao mediotejo.net que além de um espaço de memória histórica, este museu é a “afirmação do futuro” da ferrovia.

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São mais de 36 mil peças que arregalam os olhos de quem se atreve a entrar no Museu Nacional Ferroviário (MNF) e às quais se juntaram hoje outras tantas, com a inauguração de duas novas salas expositivas. Em dia de aniversário, a surpresa foi para o público, que, além de entrada gratuita, pôde simular a experiência de conduzir um comboio.

A Sala dos Simuladores e a Sala dos Compressores, lado a lado na eterna catedral do MNF – os armazéns do vapor – chamam a atenção dos visitantes que fazem fila para poder meter as mãos no volante de 1979 de uma locomotiva que simula uma viagem na Linha do Norte, com partida, precisamente, do Entroncamento.

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São novas viagens que se iniciam num dia que representa, nas palavras do presidente do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário, Manuel de Novaes Cabral, um “renovar de confiança, um renovar da nossa abertura”. Em entrevista ao mediotejo.net, o responsável admite o “enorme gosto” por estar à frente de um projeto que apresenta “uma memória histórica mas na perspetiva de afirmação de futuro”.

A juntar ao património único a nível internacional, que coloca o MNF e o país na primeira linha, Manuel de Novaes Cabral destaca a centralidade de um espaço que anseia “cada vez mais visitantes” e que tem ainda um futuro de crescimento à sua espera.

São inegáveis as mudanças que a pandemia de Covid-19 veio trazer aos museus, e a necessidade de reinvenção que lhes impôs. “A pandemia abriu-nos novas portas para chegar às pessoas”, admite o presidente do Conselho de Administração da Fundação MNF.

Exemplo disso foram as visitas virtuais iniciadas em tempo de confinamento, bem como a recente integração do MNF na plataforma Google Arts & Culture, onde a partir de agora é possível apreciar 75 das peças e ainda uma exposição alusiva à Rotunda de Locomotivas.

Mas nada supera a experiência presencial. E se não for programada, a emoção ainda é maior. Foi o que aconteceu com Albertino Alfaite, residente em Atalaia, Vila Nova da Barquinha, que nunca tinha visitado os Armazéns do Vapor.  Por motivos pessoais deslocou-se ao Entroncamento e alguém lhe disse que esta terça-feira as entradas no Museu Nacional Ferroviário eram gratuitas. 

“Fiz milhares de quilómetros nisto”, disse ao mediotejo.net, enquanto tentávamos apanhar o melhor jeito de fotografar uma locomotiva Allan 304 que desperta a atenção pela sua cor azul e forma arredondada.

Contou-nos que foi maquinista durante 41 anos, e conduziu umas quantas das locomotivas agora em exibição no museu. Com a Allan, na altura totalmente pintada de vermelho, percorria a Linha do Oeste. “Era do Rossio, em Lisboa, até à Figueira da Foz”, lembra, enquanto se afasta, mas não sem antes registar o momento do reencontro.

Albertino Alfaiate foi maquinista durante 41 anos e hoje voltou a estar junto da locomotiva com a qual fez milhares de quilómetros. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Apesar do cenário pandémico, as pessoas vão passando de sala em sala, com a máscara na cara e olhos nas locomotivas. Abertos ao público há pouco mais de um mês desde o último confinamento, Manuel de Novaes Cabral admite o bom apetrechamento do espaço para as exigências atuais.

Com os olhos postos no futuro, que se perspetiva “manifestamente risonho” e “de crescimento”, o responsável admite a existência de projetos a desenvolver, passo a passo, numa estratégia que passa pela abertura ao público local e nacional e pela reafirmação da ferrovia.

Manuel de Novaes Cabral é presidente do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário desde fevereiro de 2020. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

“A ferrovia é um tema que desperta as emoções das pessoas. Basta ver a importância que tem a ferrovia no cinema, na literatura, nas diferentes artes. E isto quer dizer que a ferrovia é um elemento que desperta as emoções das pessoas, os miúdos gostam, os graúdos gostam. Há muita gente que sente aqui um reviver das suas memórias de anos passados”, afirma, tendo feito notar que há “uma série de valências em que é importante reafirmar a ferrovia”.

“A ferrovia tem uma importância muito grande em termos históricos mas sobretudo de ligação das populações, da diminuição da pegada de carbono. A ferrovia tem imenso futuro e nós queremos fazer parte desse novo discurso da ferrovia”, vincou.

Recorde-se que, a este propósito, a União Europeia definiu 2021 como o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, como forma de incentivar e promover o uso dos comboios como modo de transporte sustentável.

Com a missão de manter viva a história da ferrovia nacional numa interação com a comunidade que se espera sair fortalecida através de iniciativas como as que estão programadas acontecer no MFN, fruto do programa VOLver (sendo exemplo disso a exposição inaugurada em dia de aniversário numa das salas do museu sobre o Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro), a expectativa é a de que, daqui a um ano, haja “novas valências para mostrar”.

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Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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