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Domingo, Setembro 19, 2021

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Entroncamento | Filipe Santos, o fenómeno da televisão ainda procura o seu lugar, após 18 anos de palcos (c/vídeo)

O seu percurso em nome próprio já atingiu a maioridade – são 18 anos, sem arrependimentos. Como muitos artistas em Portugal, para pagar as contas tem de conciliar a música com outra profissão. É professor mas na rua todos o conhecem da televisão, depois das suas participações em programas como Big Show Sic, Chuva de Estrelas, Operação Triunfo ou, mais recentemente, All Together Now. Aos 41 anos lança o seu 5º disco a solo, “Acústico”. Pretexto para uma conversa com este fenómeno do Entroncamento que, mesmo quando as luzes se apagam, nunca deixa de ser músico, de corpo inteiro.

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Os primeiros passos
Filipe Santos começou muito cedo, aos seis anos, a explorar o mundo da música. Os pais sempre quiseram que tivesse algo além da escola – ideia que Filipe transfere agora para a sua filha, Beatriz – e depois de não se ter adaptado no clube de futebol da sua cidade, o Clube Amador de Desportos do Entroncamento (CADE), entrou na Associação Filarmónica e Cultural do Entroncamento, onde começou a aprender piano. Aos oito anos integrou a banda e tocou trompete durante os dez anos seguintes. A par disso, foi aprendendo sozinho a tocar guitarra porque, confidencia, dava imenso jeito “para fazer serenatas às namoradas”.

Com Ricardo Oliveira, um amigo com quem junta histórias desde o primeiro ano de escolaridade, onde partilharam a turma e as salas de aula, começou a tocar na brincadeira. “Os pais dele eram músicos, por isso ele sempre teve a música presente na sua vida, ao contrário de mim que não tenho ninguém ligado” a essa área, conta Filipe Santos ao mediotejo.net, numa esplanada da cidade onde cresceu e onde continua a viver, o Entroncamento.

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O que faziam na garagem foi, entretanto, adquirindo seriedade. Os pais dos dois amigos começaram a comprar material para os filhos e os concertos começaram a multiplicar-se. “Foi logo desde cedo que começámos a tocar em bares, nem sequer tínhamos carta de condução, eram os nossos pais que nos levavam onde íamos atuar. Os contratos iam aparecendo e nós íamos atuando, na altura fartámo-nos de tocar”, recorda Filipe. Para o músico e compositor, esse “foi realmente o início” do que se poderia chamar uma carreira.

O trampolim da televisão
Foi precisamente com o seu amigo Ricardo Oliveira que Filipe Santos se estreou nas participações em programas televisivos. Os amigos, atuando em dupla, estiveram várias vezes em programas como o Big Show SIC, chegando a finais. Venceram algumas e ganharam notoriedade.

Com estas participações, tanto Filipe como Ricardo foram convidados a integrar a boysband “5 Sentidos”. Embora conceda que foi uma boa experiência – afinal foi através da banda que gravou o seu primeiro registo em estúdio e que assinou o seu primeiro contrato com uma editora – Filipe conta que o ajudou igualmente a definir aquilo de que gostava ou não de fazer: “Passei todos os dias durante um ano num ginásio em Lisboa, e comecei a questionar-me… ‘e aulas de canto e de música?’. Não era aquilo que queria, não me sentia bem ali. Acabei por rescindir contrato e vir-me embora.”

Os caminhos de Filipe e de Ricardo separaram-se e foi então que o músico do Entroncamento participou no programa Chuva de Estrelas, da SIC, altura a partir da qual começou um percurso com “uma direção diferente”.

No entanto, só em 2003, com a Operação Triunfo, programa transmitido pela RTP1, é que que Filipe Santos considera ter começado a sua carreira. Participou em muitos programas, mas este foi aquele que mais o marcou – até “pelo formato do próprio programa, que era assim chamado por ser transmitido na televisão, mas que era ao fim ao cabo uma escola de alto rendimento artístico”.

Filipe diz que teve a sorte de conseguir assistir a todas as aulas porque se manteve no programa até ao fim, mesmo sendo o mais nomeado para sair (por sete vezes). O que é um facto, na opinião do músico, é que ficou até à final e trouxe de lá “a sabedoria daqueles professores”.

“Tínhamos aulas com horários e objetivos, e o propósito era mesmo formar artisticamente uma pessoa. Foi o melhor que me podia ter acontecido e influenciou-me muito, deu-me toda uma bagagem.”

Filipe Santos, entroncamento
Filipe Santos com outros concorrentes da Operação Triunfo, programa televisivo transmitido pela RTP1 em 2003, no qual chegou à final. Créditos: DR

Depois de passar por vários programas relacionados com a música, como o Big Show SIC, Noites Marcianas, Chuva de Estrelas e Operação Triunfo, ou o Praça da Alegria e Top Mais, Filipe Santos acabou por se afastar das televisões durante largos anos.

Mais recentemente, a covid-19 levou o artista a aparecer uma vez mais no pequeno ecrã, desta feita no programa All Together Now, da TVI. Parado a nível de atuações devido à pandemia, achando que não tinha nada a perder e que a sua participação podia ser um pequeno “boost” para o disco que vai lançar, voltou para a frente das câmaras, onde atuou com um espírito de apenas “dar sinal de vida”.

E como para si tudo tem de ter um significado, a canção que interpretou, “Where the Streets Have no Name”, da banda irlandesa U2, foi a mesma que o artista tinha cantado na final da Operação Triunfo. A banda U2 é, aliás, a maior referência musical de Filipe Santos, “não só pelas canções, mas por tudo o que representam, pela mensagem e movimento à sua volta”.

No que toca à relação da música e do meio televisivo, não acredita que a televisão seja uma ajuda de maior para quem quer ser músico, pois não existe uma “ponte” que ligue os dois espaços: “São mercados separados, tens o mercado discográfico numa ilha e os programas de televisão noutra. Em Portugal não acontecem essas passagens diretas através da televisão, como sucede noutros países, como nos EUA ou em Inglaterra, onde as empresas do mercado discográfico pegam nos artistas dos programas e eles já lá estão em cima. Por cá não é assim.”

O seu caso será, talvez, um dos que mais comprova isso mesmo.

ÁUDIO | Filipe Santos conta como foram os primeiros contratos após a Operação Triunfo


Filipe Santos considera que a música portuguesa está a passar por uma fase “extremamente boa”, com muita qualidade, grandes artistas e com cada vez mais representação no estrangeiro. Na opinião do músico, isto advêm também do facto de que agora qualquer pessoa ter a possibilidade de gravar uma música em casa e chegar ao mundo inteiro. “Ao contrário de há 20 anos, a própria indústria está assente nas plataformas digitais”, nota Filipe Santos, deixando, no entanto, a advertência de que, apesar da facilidade ser maior, ninguém tem a chave do sucesso.

Por falar em sucesso, se pudesse, Filipe Santos trocaria a palavra “carreira” por “percurso”, uma vez que considera que para uma pessoa ter carreira teria de estar sempre ‘lá’. Alocando ao panorama nacional atual, o músico considera que cada vez existem menos carreiras e mais situações pontuais, lançamentos de singles de sucesso que depois caem no esquecimento: “Agora lança-se um single que vai para a ribalta, passado um ano ou dois, outro… e uma carreira não é isso, é algo constante, e existem alguns exemplos desses, embora raros. Portanto, não acredito que existam carreiras em Portugal, existem sim percursos. Casos como uma Amália, por exemplo, praticamente não existem. Cada vez mais, de há uns anos para cá, é tudo pontual”.

É em palco que Filipe Santos se sente mais feliz. Créditos: DR

Embora tenha um emprego como professor, estando a trabalhar há 10 anos na Escola de Educação e Segurança Rodoviária do Entroncamento, não considera que a música para si seja um hobbie, até porque considera ser isso o que está a educar erradamente a sociedade e também a minar aqueles que fazem da arte vida: “Se alguém que tem outra profissão e é músico como hobbie vai a um bar dizer que atua ou de borla ou por uma pechincha, porque na verdade se está apenas a divertir, está a deixar aqueles que vivem disso na mão e não está a dignificar a profissão. Devia existir legislação, é necessário criar regras neste setor.”

ÁUDIO | Filipe Santos fala da dificuldade em dignificar a profissão de músico

O Sonho
A par de tudo, o objetivo sempre foi o de construir um percurso a solo, mesmo tendo em conta que em Portugal o mercado é pequeno, o que tem os seus prós e contras.

Na bagagem já conta com 4 discos em nome próprio – “Impressão Digital” (2003), “Terra, Água, Fogo e Ar… de Rock” (2011), “Íris” (2013) e “Ao Vivo” (2015) –, além de diversas colaborações noutros projetos.

Para o futuro, tem em vista o lançamento do disco “Conta Comigo”, que já está pronto. Neste que considera ser “o projeto”, Filipe Santos produziu videoclips para todas as faixas, para o apresentar de uma forma inovadora, como se fosse um filme.

Por agora, o músico vai lançar um disco fruto do confinamento, “Acústico”, com o qual pretende relembrar os seus 18 anos de percurso e fazer “um refresh à memória das pessoas ou chegar àquelas que não conhecem ou nunca ouviram” a sua música.

O primeiro single, “Por tudo o que és”, foi apresentado no passado dia 1 de maio, e o segundo, “Não me deixes por aí”, no primeiro dia de junho. Mensalmente irão sendo revelados novos temas, com a ideia de o disco ser lançado no último trimestre do ano. Mas tudo dependerá, confessa, da resposta que for recebendo por parte do público. Entretanto já disponibilizou, no dia 1 de julho, o seu terceiro single “Olhos nos Olhos”:

ÁUDIO | Filipe Santos explica porque tem um disco novo “na gaveta”

Até agora, considera que tem provado a si próprio – até porque não tem de provar nada a mais ninguém – que é possível seguir o sonho. Sente-se feliz e motivado a fazê-lo, acreditando que mesmo que não chegue muito longe, está satisfeito com o registo e a marca que deixa: “Há quem deixe riquezas aos filhos do ponto de vista material, e eu o que deixo é a minha obra musical. E isso entusiasma-me.”

Quando questionado sobre o que é para si a música, Filipe Santos prefere responder com outra questão: “O que seria o mundo sem a música?”

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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