Entroncamento | Empresa aumenta produção de gel desinfetante em 500 por cento

Carlos Silva, gerente da empresa Mocarsil. Foto: mediotejo.net

A Mocarsil é uma micro-empresa do Entroncamento que se dedica ao fabrico de produtos de higiene e químicos de manutenção industrial e comercial e, neste cenário de pandemia, em que se verifica uma corrida aos produtos desinfetantes, não tem mãos a medir.

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A prioridade passou a ser a produção de gel desinfetante. Segundo o gerente Carlos Silva, com quem o mediotejo.net falou, entre 70 e 80 por cento da produção da empresa está direcionada para aquele produto, nesta altura em que é tão procurado nas farmácias e superfícies comerciais.

Em termos de números, o aumento da produção de gel desinfetante ascende a 500 por cento, “uma diferença abismal”, nas palavras do empresário de 51 anos. E, mesmo assim, não é suficiente. “Infelizmente não tenho capacidade de resposta”, lamenta.

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Reconhece que este acréscimo na produção “é um balão de oxigénio muito grande para a empresa” e que “veio dar um alento à fábrica”. No entanto, Carlos Silva, pragmático e realista, confessa que gostava tudo passasse o mais rapidamente possível. “Detesto isto, detesto doenças, detesto ir ao médico.”

A sua empresa tem dado primazia ao fornecimento às misericórdias, câmaras municipais, farmácias e bombeiros, instituições que têm prioridade na sequência da requisição civil, mas sem descurar os clientes habituais ao longo do ano.

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Até há poucas semanas, a empresa Mocarsil tinha uma quota de 11.500 litros de álcool etílico para transformar em todos os produtos, mas, na sequência do seu pedido, foi autorizada a aumentar a quota para 26 mil litros, sobretudo para produzir gel desinfetante.

A fábrica teve de começar a laborar também ao sábado. Foto: mediotejo.net

Num setor com forte concorrência e uma fiscalização apertada, de três em três meses, o empresário tem de dar conta à alfândega de Peniche do que é que compra em termos de álcool “para não haver desvios e não fugir à regra”.

É certo que esta situação sanitária não é nova para a sua empresa. Carlos Silva recorda as epidemias do H1N1, em que também teve de aumentar a produção do desinfetante alcoólico, e mais recentemente da gripe das aves, surtos que implicam sempre um aumento da produção.

A sua empresa tem uma rede de comerciais e agentes por todo o país, incluindo nos Açores, que procura “responder da melhor maneira à procura, respeitando sempre as regras”.

Desde que foi decretado o estado de emergência, e “para fazer face a tantos pedidos”, os seus colaboradores, sete no total – três na produção, uma engenheira, duas administrativas e o gerente – passaram a trabalhar também ao sábado.

Carlos Silva, gerente da empresa Mocarsil. Foto: mediotejo.net

Para já o empresário não equaciona reforçar os recursos humanos porque confessa que lhe custaria depois ter de dispensar um ou outro trabalhador.

Ao longo do ano, a Mocarsil (nome que deriva dos filhos do empresário fundador, Mónica e Carlos Silva) tem como principais clientes a indústria em geral, sendo a CP o maior cliente, a par da EDP, indústria de conservas e de leites e a restauração.

Para os poder comercializar, três dos produtos que fabrica foram aprovados na Direção Geral de Veterinária. Tratam-se de desinfetantes uns à base de cloro, outros à base do ácido peracético, destinados à indústria.

Como marcas, além da Mocarsil, desde 1992 que tem registada a marca “Fenómeno” para detergentes e desinfetantes, numa referência ao Entroncamento como terra de fenómenos.

Quanto ao problema da especulação de preços que se verifica em algumas superfícies comerciais e que tem vindo a ser denunciado, o empresário Carlos Silva não considera uma decisão correta. “É um aproveitamento grave, uma situação que não devia acontecer e as entidades governamentais deviam regular os preços, sobretudo em alturas como esta”, defende o empresário.

Com transparência, revela os preços praticados pela sua empresa no que respeita ao gel desinfetante: embalagem de meio litro, com doseador – 9,50 euros + IVA; embalagem de litro – 12 euros + IVA; embalagem de 5 litros – 37,5 euros + IVA. Claro que, depois, os revendedores fixam os preços que entendem.

O empresário Carlos Silva começou a trabalhar com o pai há 31 anos porque não quis continuar a estudar. O seu pai reformou-se, a sua irmã optou por outra vida profissional e coube a Carlos herdar o negócio.

A empresa mãe, A. Faria da Silva, Lda, começou em 1979 com instalações nos Casais Formigos e, há cerca de 26 anos, com apoios comunitários, formou-se a Mocarsil e foram edificadas as atuais instalações na Zona Industrial do Entroncamento.

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