Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Entroncamento | E você? Sabe quem são os Cock Robin? (entrevista c/ vídeo)

Os Cock Robin estrearam o palco principal das Festas de S. João e da Cidade do Entroncamento e aproveitámos para conversar com o fundador Peter Kingsbery, que vai resistindo aos altos e baixos da banda e enchendo os locais por onde passa com os fãs da década de 80. Algumas pessoas, sobretudo os mais jovens, podem não saber de quem falamos, mas quem esteve no Largo José Duarte Coelho esta sexta-feira, dia 15, depressa reconheceu “Remember the promise you made”. Se dúvidas ficaram, contamos a história da banda.

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.O percurso dos Cock Robin não tem sido suave desde que Peter Kingsbery fundou a banda em 1982 na Califórnia. Tiveram altos e baixos, dos elementos iniciais resta ele, conquistaram a fama primeiro na Europa e só depois por terras americanas e chegaram a parar em 1990. O fim anunciado acabou por se revelar um interregno de 16 anos e em 2006 regressavam com o quarto álbum “I don’t want to save the world”, sucessor do primeiro disco homónimo (1985), “After here through Midland” (1987) e “First Love Last Rites” (1989).

Peter Kingsbery durante a entrevista. Foto: mediotejo.net

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A voz de Anna LaCazio foi comum em todos, mesmo depois da saída de Clive Wright e Louis Molino III da banda antes do terceiro trabalho discográfico, e conquistou os fãs com temas como “When your heart is weak”, “Just around the corner”, “The biggest fool of all” ou “Thought you were on my side”. As gerações mais novas podem não reconhecer os nomes à primeira, mas de certeza que já ouviram “Remember the promise you made” nas noites dedicadas ao saudosismo.

Na entrevista com Peter Kingsbery não fomos recebidos com o sobretudo do videoclipe daquele tema, nem as camisas de gola presa com apliques prateados tão em voga nos anos 80 com que aparece neste e noutros. A moda atual diz-se revivalista, mas os apliques ficaram pelo caminho – talvez um dia conquistem estatuto kitsh e regressem às montras das lojas – e recebe-nos de t-shirt no camarim improvisado nos Paços do Concelho, pouco depois do “soundcheck”.

Coralie Vuillemin durante o concerto. Foto: mediotejo.net

Se o ano em que o pop-rock dos Cock Robin subiu ao topo dos tops europeus – sobretudo em França, Alemanha, Itália e Holanda – ficou marcado pelo jogo Super Mário Bros e o filme Regresso ao Futuro, naquele em que saiu o último álbum de estúdio com participação de Anna LaCazio, em 2010, o mundo via Steve Jobs a apresentar o iPad e soprava a vuvuzela durante os jogos do Mundial de Futebol na África do Sul.

A vocalista deixou o grupo norte-americano em 2015 e os cofundadores dos Cock Robin seguiram carreiras separadas quando o disco “Chinese Driver”, lançado em 2016, começava a ganhar forma. Ela manteve-se nos Estados Unidos e ele por França, onde viria a descobrir Coralie Vuillemin com quem andou em tournée até 2017, o mesmo ano em que a banda com nome originado num poema infantil inglês passou pelos coliseus de Lisboa e Porto.

Peter Kingsbery durante o concerto. Foto: mediotejo.net

Sim, Cock Robin vem de “Who Killed Cock Robin” (Quem matou Cock Robin), datado de meados do século XVIII ainda que muitos defendam origens mais antigas na tradição oral. A história também conhecida por “The Marriage of Cock Robin and Jenny Wren” (O Casamento de Cock Robin and Jenny Wren) envolve pássaros.

Não o melro branco da terra dos fenómenos, mas um pisco-de-peito-ruivo (robin) e uma carriça (wren). A boda acaba transformada no funeral do noivo, atingido por uma seta. Uma tragédia, na sua opinião “demasiado trágica para ser contada às crianças”, com a qual o músico norte-americano se identificou devido à forma melancólica como gosta de escrever. Lamechice? Não é assim que coloca a questão. Afinal é “mais fado do que outra coisa”.

Concerto dos Cock Robin nas Festas de S. João e da Cidade do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Se o “casamento” entre Peter Kingsbery e Anna LaCazio durou alguns anos até terminar, o com Coralie Vuillemin aparenta estar de boa saúde e terão o primeiro “filho”, o álbum “Homo Alien”, no início do próximo ano. Alguns temas foram interpretados no concerto que estreou o palco principal das Festas de S. João e da Cidade do Entroncamento, confirmando que o grupo não estagnou nos anos 80, mas foi lá beber inspiração.

Uma das novidades dos últimos tempos é o regresso da guitarra baixo de Peter Kingsbery, que voltou a acompanhar o teclado em palco. O novo trabalho discográfico é menos eletrónico e o concerto na cidade ferroviária foi apontado como o de uma “banda mais de rock do que na última tournée”. Os “hits” têm lugar cativo no alinhamento, claro, para não defraudar as expetativas dos fãs, muitos começaram a cantar “The biggest fool of all” quando eram netos e são hoje avós.

Peter Kingsbery e Coralie Vuillemin durante o concerto. Foto: mediotejo.net

Quem foi à espera de ouvir uma nova Anna LaCazio e o mesmo Peter Kingsbery da década de 80 poderá ter ficado deccionado. Coralie Vuillemin não está em palco como substituta, tem cunho próprio, e Peter Kingsbery ganhou serenidade na voz. Se isso é bom ou mau, não nos compete dizer, serão os fãs a decidi-lo. Os novos e os velhos, sobretudo os últimos que são os da “época dourada” que os Cock Robin preferem ter por perto e esperam surpreender sem quebrar o “código ético”.

Os fãs portugueses que não tenham tido a oportunidade de os aplaudir no Entroncamento, podem esperar pelo verão do próximo ano pois os Cock Robin têm regresso marcado para promover “Homo Alien”. Vão continuar, quase como se tivessem feito a promessa de não ceder aos obstáculos até porque se a exigência da fama nos primeiros tempos tornava o processo “menos divertido”, diz Peter Kingsbery, atualmente é como “montar o meu puzzle favorito todos os dias”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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