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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Entroncamento | Crack é a nova “moda” dos consumidores de droga no concelho

As substâncias aditivas marcaram o início do ciclo de tertúlias “Conversas com Café” de 2017 esta sexta-feira, dia 13. O tema foi apresentado na biblioteca municipal pelo sociólogo Manuel Brites, da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência, e António Rodrigues e Jorge Miranda, da esquadra local da Polícia de Segurança Pública. Durante a sessão foi possível conhecer substâncias, consumidores, legislação em vigor e o contexto do concelho, onde o crack “está na moda”.

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A primeira tertúlia “Conversas com Café” de 2017 realizou-se no final de tarde desta sexta-feira e a biblioteca municipal recebeu como primeiros oradores do ano o sociólogo Manuel Brites, da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência, o Chefe António Rodrigues e o Agente Principal Jorge Miranda, ambos da esquadra local da Polícia de Segurança Pública. As substâncias aditivas foram o tema proposto por esta força de segurança e ao longo de hora e meia foi possível conhecer aspetos gerais e traçar um retrato do concelho.

A vereadora Tília Nunes deu início à sessão, passando a palavra ao sociólogo Manuel Brites, da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT) do distrito de Santarém, uma das criadas em cada capital de distrito com a definição do novo regime jurídico aplicável ao consumo de estupefacientes (Lei 30/2000, de 29 de novembro). O consumo próprio de drogas passou de crime a contraordenação, competindo às CDTs processarem as últimas e aplicarem sanções depois de recebido o auto de ocorrência das autoridades policiais.

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Segundo Manuel Brites, a lei que descriminalizou o consumo das substâncias psicoativas (SPA) até 10 dias representou “uma mudança de paradigma” em que o “toxicodependente passou a ser tratado como um doente e não como um criminoso” e permitiu intervir “na terra de ninguém” em que se encontravam os “consumidores de canabinóides”.

Tília Nunes deu início à tertúlia que teve como primeiro orador o sociólogo Manuel Brites. Fotos: mediotejo.net

Esta alteração, ao contrário do que muitos defendiam na altura, não resultou no aumento do consumo, salientou. O limite legal que define se uma pessoa é consumidora passou a ter por base a quantidade de droga igual ou inferior à necessária para 10 dias e varia consoante a substância. No caso da heroína a quantidade estabelecida é de uma grama, na cocaína sobre para duas e no haxixe para cinco.

O sociólogo destacou ainda que a lista das dependências, para as quais existe uma predisposição genética, não se limita a este tipo de substâncias, abrangendo o álcool, o tabaco e o jogo. Apesar de ser transversal à sociedade, é possível traçar um perfil dos consumidores e no distrito de Santarém verificou-se nas últimas décadas a redução da dependência e o aumento do consumo ocasional, assim como a perda de terreno da heroína para o álcool.

Manuel Brites diferenciou os três tipos de drogas existentes – depressoras, estimulantes e perturbadoras – que cada indivíduo escolhe de acordo com a sua personalidade. Uma questão de identificação que leva, por exemplo, muitos filhos a optarem pela canábis, associada à descompressão, como forma de rebeldia perante a dependência dos pais pelo álcool (estimulante).

Uma vez conhecido os contextos legal e distrital, passou-se à realidade do concelho do Entroncamento com a apresentação do Chefe António Rodrigues e do Agente Principal Jorge Miranda. A intervenção dos dois elementos da esquadra local da Polícia de Segurança Pública revelou as apreensões regulares de canábis/erva, incluindo plantações em sótãos, que o consumo de heroína se encontra “estabilizado”, o de ecstasy é baixo devido à falta de vida noturna e o de haxixe desceu.

O agente principal Jorge Miranda e o Chefe António Rodrigues representaram a esquadra local da PSP. Fotos: mediotejo.net

A cocaína, por seu lado, tem ganho adeptos, nomeadamente na forma de crack. Cenário que Manuel Brites confirmou acompanhar o do distrito e que, segundo os agentes, pode justificar o aumento da pequena criminalidade verificado no concelho nos últimos tempos devido ao preço elevado desta substância. Os consumidores são maioritariamente jovens estudantes, tendo a Escola Gustave Eiffel sido apontada como um dos estabelecimentos de ensino onde foram detetados muitos dos casos de consumo de drogas.

As estatísticas apresentadas mostraram que em os 12 processos de contraordenação enviados para a CDT de Santarém em 1015 subiram para mais de 20 em 2016, uma subida de valores acompanhada pelos relativos ao tráfico, tendo os autos passado de dois para oito. Os números, todavia, dependem de diversos fatores, destacaram os agentes, pois a realidade “pode variar de ano para ano” e depender, por exemplo, do facto de estar a decorrer ou não uma investigação que coloca as forças policiais no terreno e as aproxima de consumidores e traficantes.

As “Conversas com Café” realizam-se mensalmente às 18h30 e regressam à biblioteca municipal do Entroncamento no próximo dia 3 de fevereiro com o tema “1ª Guerra Mundial – O Corpo Expedicionário Português na Flandres (1917/1918), tendo como orador o Tenente Coronel Pedro Marquês de Sousa. Um mês depois, a 3 de março, Joana Almeida ensina como “Ler Bem e Bem Escrever – em casa e na escola”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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