Quarta-feira, Março 3, 2021
- Publicidade -

Entroncamento | Conversou-se com aromas de café, poesia e aniversário

A edição de 31 de maio das Conversas com Café teve dois aromas extra: o da poesia e o de aniversário. O orador convidado foi o escritor e poeta José António Franco, que partilhou como estimular os mais novos para a poesia, durante a tertúlia em que Nuno Garcia Lopes foi premiado no concurso de poesia “Cidade do Entroncamento” e se sopraram as 54 velas do bolo da Biblioteca Municipal.

- Publicidade -

A iniciativa teve início com a intervenção da vereadora da Câmara Municipal Tília Nunes, na qual apresentou o orador e sublinhou não ser apenas a biblioteca que estava de parabéns pelo aniversário comemorado no dia passado dia 29, mas “toda a comunidade”. A inauguração do equipamento cultural surgiu do protocolo entre a autarquia e a Fundação Calouste Gulbenkian, tornando-a no número 91 da rede de bibliotecas fixas daquela instituição.

As instalações originais deram lugar às atuais em novembro de 1986, que sofreram uma remodelação entre 2007 e 2008, tornando-se no espaço com 2.196 leitores registados e cerca de duas dezenas de frequentadores diários, entre leituras de jornal e acessos à internet. Uma das diversas salas é a de leitura, onde se realizam mensalmente as “Conversas com Café” e das quais José António Franco foi o orador mais recente.

- Publicidade -

José António Franco. Foto: mediotejo.net

O escritor que tem diversas obras integradas no Plano Nacional de Leitura regressou à cidade do Entroncamento depois de ter participado na Feira do Livro, em dezembro do ano passado. Com ele trouxe livros da sua autoria: os que estão esgotados, os do PNL, a obra editada pela Câmara Municipal do Entroncamento, que conta a história d’“A Cegonha Maquinista”, e a novidade publicada esta sexta-feira, intitulada “O Mata-Sete”.

Na conversa com o público presente ao final da tarde partilhou como estimula os mais novos para a poesia e a palavra. O processo usado nas sessões infantis, sobretudo com alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, é dinâmico e a poesia é usada como “fato de trabalho” para meter “as crianças a ferver para as palavras”, perante uma sociedade “que arrefeceu”, a ter “paciência” para ver e ler o mundo que lhes irá “moldar o espírito”.

Alguns livros de José António Franco. Foto: mediotejo.net

As “ferramentas” foram saindo da pasta castanha de José António Franco provando que a imaginação simplifica a (aparente?) complexidade da poesia. O ritmo é marcado pelo “garrafofone” e o “iogurtofone” – garrafa e embalagem de iogurte cheios de areia – e a silabação é estimulada pela repetição de palavras como “jarritrolirochocoitar”. Os poemas, esses, surgem em pequenos blocos que mais se assemelham a baralhos de cartas.

Alguns – de Fernando Pessoa e da autoria do orador – foram lidos em voz alta antes das “Conversas com Café” reforçarem o aroma da poesia com a entrega dos prémios aos vencedores da primeira edição do concurso “Cidade do Entroncamento”. A iniciativa foi promovida nos últimos dois meses pela autarquia e pela Escola Profissional Gustave Eiffel, tendo a última entidade estado representada por Mónica Ramos.

Entrega dos prémios do concurso “Cidade do Entroncamento” a Nuno Garcia Lopes. Foto: mediotejo.net

Amílcar Correia, Fátima Roldão e Henrique Leal formaram o júri que avaliou os 32 trabalhos entregues até ao passado dia 21 de maio por 20 concorrentes, sobretudo no escalão C, para participantes com mais de 18 anos. Nos restantes escalões – A para crianças até os 11 anos e B para poetas entre os 12 e os 18 – foram recebidos dois trabalhos, cada, tendo o júri optado por não entregar quaisquer prémios nestes casos por considerar que não tinham a qualidade exigida.

No escalão C destacou-se o poeta tomarense Nuno Garcia Lopes, que conquistou o primeiro e segundo lugares com os poemas “Da Indústria e da Arte” e “Uma Fotografia para o Carlos Trincão”, respetivamente. O terceiro prémio foi atribuído a Alfredo Martins Guedes pelo poema “Linhas Cruzadas”, que não esteve presente na tertúlia.

Soprar das 54 velas do bolo de aniversário da Biblioteca Municipal do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Nuno Garcia Lopes, por sua vez, marcou presença e no momento de receber os prémios destacou a importância do concurso abranger a região do Médio Tejo, à semelhança do Prémio Literário do Médio Tejo – promovido pela editora Médio Tejo Edições – no qual também já participou. Na sua opinião, outras iniciativas devem juntar-se a estas de modo a desenvolver a cultura a nível regional.

Após a leitura dos poemas vencedores do primeiro prémio, por Fátima Roldão, e do terceiro prémio, por José António Franco, as “Conversas com Café” ganharam o terceiro aroma da tarde, o de aniversário. Depois de se partilhar poesia, partilharam-se os parabéns, sopraram-se as velas com o número 54 e brindou-se ao presente e ao futuro, ficando marcado encontro para daqui a um ano.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).