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Domingo, Julho 25, 2021

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ENTRONCAMENTO: Catarina Martins acusa PSD e CDS de “desespero perigoso”

A coordenadora do Bloco de Esquerda disse ontem á noite, no Entroncamento, que PSD e CDS estão num “desespero perigoso” que “causa instabilidade ao país”, pedindo aos partidos da coligação para terem “alguma calma” e compreenderem que Portugal “é uma democracia madura”.

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Catarina Martins falava aos jornalistas à entrada para uma sessão realizada num pequeno estúdio na cidade do Entroncamento, onde foi explicar os termos do acordo assinado com o Partido Socialista para a formação de um Governo de esquerda e responder a questões colocadas por cidadãos.

“A direita está absolutamente desesperada e a perder o Norte”, disse quando questionada sobre o desafio feito pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, para que o PS aceite fazer uma revisão constitucional extraordinária para que rapidamente possa haver novas eleições legislativas.

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Entroncamento, 12/Nov/15 Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, em sessão de esclarecimento. Foto: José Neves

Catarina Martins lembrou que PSD e CDS juntos “não elegeram deputados e deputadas suficientes sequer para formarem um Governo na Assembleia da República, quanto mais para fazer uma revisão constitucional”.

“Não tem nenhum sentido, é um desespero, mas este desespero é perigoso porque causa mais instabilidade no país quando não devia causar”, afirmou, pedindo a PSD e CDS que tenham “alguma calma e compreendam que Portugal é uma democracia madura”, que “há 40 anos elege parlamentos”, de onde saem os Governos.

Salientando que o que está a acontecer é comum a outras democracias europeias, Catarina Martins afirmou que “criar esta ideia de instabilidade permanente não ajuda em nada o país”.

“É uma completa irresponsabilidade. Este é um desespero que é um desespero perigoso e portanto eu sugeria talvez alguma calma e alguma sensatez a PSD e CDS, se me é permitido”, disse.

“Já vimos Governos de muitos tipos, não é nenhum drama, é a democracia como ela é”, afirmou perante a mais de uma centena de pessoas que a foram ouvir, numa sessão em que explicou as linhas gerais do acordo assinado com o PS, mas também as razões que levaram o partido a avançar com a candidatura de Marisa Matias à Presidência da República.

Catarina Martins acredita que Marisa Matias pode “ajudar a virar o jogo” nas presidenciais

A coordenadora do BE, Catarina Martins, disse, na quinta-feira à noite, no Entroncamento, que a candidata presidencial Marisa Matias “pode mesmo vir a ser” a candidata da esquerda a uma segunda volta das eleições presidenciais.

“Já vimos coisas mais surpreendentes a acontecerem neste país”, disse Catarina Martins a uma plateia com mais de uma centena de pessoas que a foi ouvir na quinta-feira à noite, no Entroncamento, explicar os termos do acordo assinado com o Partido Socialista para a constituição de um Governo de esquerda.

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Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, esteve na quinta-feira no Entroncamento, onde participou numa sessão de esclarecimento. Foto: José Neves

Sublinhando que a opção de não misturar as presidenciais com as legislativas deixou “muito pouco tempo” para o “combate” das presidenciais, Catarina Martins pediu para que “ninguém desista” e apelou ao “apoio de todos”, porque Marisa Matias “pode mesmo ajudar a virar o jogo”.

Para a líder bloquista, o milhão de pessoas que votou à esquerda do “centrão” nas legislativas, por querer mudar e não querer alternância, vai ser “essencial para não permitir que a direita ganhe as presidenciais à primeira volta”.

“Se nós forçarmos uma segunda volta, a direita perde. Não sabemos quem irá à segunda volta. Apoiaremos seguramente um candidato de esquerda e tenho para mim que esse candidato de esquerda pode mesmo vir a ser a Marisa Matias”, disse.

Catarina Martins voltou a elogiar as qualidades de Marisa Matias, pelo conhecimento dos constrangimentos à soberania portuguesa, por estar “dentro dos conflitos que marcam a atualidade” e pela “qualidade extraordinária que é a capacidade de fazer simples o que é complicado”.

A líder bloquista frisou ainda a importância da estabilidade de um governo de esquerda a quatro anos, sob o risco de, se isso não acontecer, abrir a porta a maiorias da direita por muito tempo.

“A esquerda tem que mostrar que é capaz, que está à altura da responsabilidade”, declarou.

No debate com a assistência, Catarina Martins anotou a sugestão de um simpatizante de criação de uma comissão de inquérito às privatizações ocorridas nos últimos quatro anos.

Outro ainda perguntou sobre a independência da comunicação social, ao que a líder bloquista assegurou que o partido fará propostas no sentido da transparência da propriedade dos órgãos de comunicação social, matéria em relação à qual considerou que o PS se tem aproximado.

Em terra de ferroviários, a situação do setor foi inevitavelmente colocada, com a líder bloquista a esclarecer que a questão dos complementos de reforma está no acordo e que a da concessão dos transportes está ainda por resolver “mas não está esquecida”, adiantando que o grupo parlamentar do BE “está a fazer esse levantamento”.

Fotos: José Neves

 

 

Agência de Notícias de Portugal

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