Entroncamento | Assembleia Municipal defende aposta no património ferroviário

Assembleia Municipal do Entroncamento reunida no Centro Cultural. Foto: mediotejo.net

A Assembleia Municipal do Entroncamento aprovou por maioria (PSD absteve-se) uma proposta na qual se saúda o executivo “pela valorização da identidade ferroviária e trabalho desenvolvido na preservação deste património intimamente ligado à nossa cidade”.

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Ao mesmo solicita-se ao executivo “a continuidade dos esforços para preservação do património material e imaterial associado à ferrovia e a potenciação do setor ferroviário na matriz de desenvolvimento económico do nosso território, este que é identitário da nossa comunidade”.

A proposta do PS acolheu um contributo da bancada do Bloco de Esquerda, tendo-se acrescentado um parágrafo no qual se manifesta junto do governo “a necessidade de este apoiar a sustentabilidade financeira do Museu Nacional Ferroviário, de forma a manter os recursos necessários para a continuidade do seu projeto”.

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Coube ao deputado Ricardo Antunes (PS) apresentar a proposta, não deixando de lançar críticas à gestão camarária do PSD em relação ao Museu Ferroviário.

O deputado Carlos Matias (BE) deixou claro que o Entroncamento deve apostar numa única marca identitária: a ferrovia e não a dos fenómenos.

Na proposta defende-se a valorização do património cultural porque ele “constitui uma manifestação, um testemunho, uma invocação, uma convocatória do passado, que nos leva a reconhecer que a cidade que somos hoje, devemos ao nosso passado, às gerações que nos transmitiram e àqueles de quem herdámos a cidade (em) que atualmente vivemos”.

“Não devemos deixar que os desafios da contemporaneidade e modernidade que legitimamente ambicionamos para a nossa terra, levem ao abandono das nossas raízes enquanto comunidade. Pelo contrário, devemos conjugar esse desiderato com a preservação desse património”, lê-se na proposta.

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Os proponentes lembram que “grande parte deste património, nomeadamente o edificado, não é posse do Município do Entroncamento”, mas isso não liberta os responsáveis “da responsabilidade que cada um tem na sua preservação”.

Aquando da inadvertida iniciativa de venda de bairros ferroviários por parte da REFER, o Executivo, e bem, fez uma oferta simbólica de 1 euro pela totalidade daquele património, mostrando que a alienação daquele edificado que faz parte da nossa história não poderia, na visão dos entroncamentenses, ser tratado de forma tão leviana e que, para nós enquanto comunidade, tem um valor implícito que transcende as lógicas do setor imobiliário.

No documento recua-se na história e recorda-se a compra por 1 euro da totalidade do património dos bairros ferroviários vendida pela REFER.

Este acontecimento “foi um marco que, paulatinamente, criou as bases para a criação de uma solução de valorização para o Bairro de Camões, reabilitando aquela parte da nossa história comum, até aí votada ao abandono”.

A par desta ação, “a firme aposta na reabilitação urbana contribui para a valorização de uma importante entrada no concelho, potenciando o bairro Vila Verde e a contiguidade deste à mais importante instalação cultural do concelho, o Museu Nacional Ferroviário”.

Para os subscritores da proposta, “cada vez mais os Museus se têm vindo a afirmar-se como excelentes meios de transmissão cultural e por conseguinte, estruturam-se como uma forma de preservar a identidade local ao mesmo tempo que perpetuam uma sociedade da qual fazem parte objetos, usos e costumes, entre outros”.

A abertura do Museu Nacional Ferroviário em 2015 “permitiu rapidamente criar um objeto de orgulho comunitário”. Na proposta refere-se que esse orgulho “deve continuar a ser potenciado com iniciativas diferenciadoras, como o Festival Vapor promovido pelo Município do Entroncamento em parceria com à Fundação Museu Nacional Ferroviário Dr. Armando Ginestal Machado”.

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