Entrevista | “Se o plano da Nersant não tiver condições para avançar, esta região está hipotecada”, diz Domingos Chambel (C/VIDEO)

Domingos Chambel nasceu em Abrantes há 69 anos, cidade que escolheu para desenvolver os seus negócios e viver. Passa muito tempo no estrangeiro mas devido às novas tecnologias e aos meios de comunicação diz conseguir gerir as empresas a milhares de quilómetros. Empresário de sucesso que gosta de jogar golfe e sair à noite com os amigos, é o novo presidente da Nersant. Na sua TRM, ao mediotejo.net levantou um pouco o véu da visão que tem para a associação empresarial e fala sobre as dificuldades, apoios e desafios que se impõem aos empresários do distrito de Santarém em tempos de covid-19.

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Num cenário de pandemia, e agora que assume a presidência da Nersant, aumentam os desafios da Associação Empresarial. Como têm sido estes meses para as empresas do distrito de Santarém?

Têm sido meses com muita dificuldade para a maioria das empresas. A maioria perdeu clientes, encomendas, está numa situação delicada em termos financeiros. Recorreram, muitas delas, ao estatuto de lay-off e agora estão sem equilíbrio. Estamos convencidos que a maior parte consegue ultrapassar esta fase mas temos consciência que algumas ficarão pelo caminho.

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Aquelas que têm menos solidez financeira, que dependem de mercados muito específicos que estão completamente paralisados, essas não terão tanta facilidade como as empresas com uma estrutura financeira sólida, com mercados diversificados, que não estão dependentes de uma determinada área.

Mas vivemos num mundo de incertezas. A nível regional, local, da Europa e a nível mundial. Somos um País em recessão, em termos de desenvolvimento dependemos de outros mercados que também estão neste momento com grandes dificuldades e isso empurra-nos para uma situação para a qual não estávamos preparados.

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Há setores mais afetados que outros? Quais?

Não temos setores mais afetados ou menos afetados. Esta pandemia é uma crise transversal que apanha todas as empresas e todas as economias. Se verificarmos no setor dos serviços, o Turismo teve uma redução drástica. Quando as empresas estão paradas a área dos serviços também não funciona e quando a produção está parada afeta tudo, incluindo o comércio e o fluxo financeiro que se faz não só nas empresas mas entre os nossos colaboradores que são uma fonte direta dos fluxos financeiros que alimenta o comércio e os serviços na região e a nível nacional. Havendo uma quebra no elo é tudo transversal.

Temos alguns mercados que se conseguiram converter e outros que se exponenciaram com produtos ligados à covid-19, como as máscaras e as proteções hospitalares mas é um nicho que se desenvolveu em função da desgraça da maioria das empresas. No distrito temos algumas mas com pouca expressão.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Para ajudar a resolver esta situação quais as sugestões, medidas da Nersant?

A Nersant não trabalha sozinha, mas apoiada na decisão política, governamental de apoio a essas empresas. A economia desta região, e até a nível nacional, tem um suporte independente político, ou seja, as empresas trabalham não em função das políticas do Estado, a não ser aquelas que dependem dos seus fornecimentos diretos, como as obras públicas. O que a Nersant faz é alertar, esclarecer e informar as empresas dos mecanismos existentes para a sua sobrevivência ou para minimizar os impactos negativos que a pandemia lhes trouxe.

A Nersant não pode imiscuir-se dentro do negócio da empresa. Por exemplo, o Estado na semana passada lançou mil milhões de euros de ajuda às micro e pequenas empresas, esses mil milhões foram distribuídos de uma maneira que não considerámos a mais correta. O que fizemos foi uma ‘radiografia’ àquilo que se estava a passar, foi analisada dentro das estruturas da Nersant e imediatamente todos os sócios foram informados dos trâmites mais adequados para fazerem as candidaturas a esses mil milhões. Por outro lado, alertar o Governo do despacho menos perfeito para dentro das sociedades de garantias mútuas poder minimizar os efeitos que entendemos que chegaram às empresas.

Então qual é o problema que se coloca?

Esses mil milhões foram distribuídos quantitativamente dentro da banca comercial pela sua quota de mercado. Por exemplo, um banco tem uma quota de mercado de 6%, recebeu 6% de mil milhões de euros. Já houve uma primeira fase de apoio à covid-19 e estamos na segunda fase. O problema é que alguns bancos já gastaram mais do que a sua quota de mercado. Os bancos receberam candidaturas, a nosso ver mal recebidas, porque o despacho devia ser mais explicito e não permitir que uma empresa fizesse oito candidaturas estando a subverter o principio e a tirar dinheiro àquelas que precisam.

Aquilo que fizemos foi um comunicado a todos os nossos associados para avançarem com um candidatura bem formalizada e se tivessem dificuldades que a Nersant lhes dava todo o apoio necessário na formalização da candidatura porque sabemos que o dinheiro que foi distribuído a uns determinados bancos não vai ser gasto uma vez que já o gastaram na primeira tranche. Vai ser transportado para outra banca, ou seja, há projetos que não são aprovados num banco, mas vão ser aprovados noutro banco. Esse é o papel da Nersant; apontar o melhor caminho. Neste momento as sociedades de garantias mútuas vão aprovar só a quantidade de candidaturas que consigam reter o máximo de dinheiro que cada empresa tem nas suas candidaturas, mas haverá rejeitadas logo à partida.

Aos 69 anos, sente o assumir da presidência da Nersant como um desafio ou como uma missão inerente à condição de ser líder? O que o levou a assumir este cargo de presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém?

Ando nestas andanças associativas há 25 anos. O Domingos Chambel foi o primeiro empresário a constituir a primeira associação empresarial em Abrantes – intitulada Associação Industrial do Concelho de Abrantes (AICA) e depois passou a Associação Empresarial dos Concelhos de Abrantes e Limítrofes (AICAL) – em 1993. A primeira associação empresarial a norte do distrito.

A partir daí tenho estado sempre ligado ao mundo associativo e fá-lo por gosto porque é um mundo que exige muito da pessoa que está a desenvolver esta missão. Porque não é paga, não recebemos qualquer vencimento, qualquer deslocação que façamos é a nosso custo, portanto é andar por gosto. Nunca tive como propósito último a presidência da Nersant. Sei que correram notícias com esse título mas não corresponde à realidade. Se quisesse ser presidente da Nersant já o tinha sido há uma década. Não é um objetivo que tenha para me concretizar, sou um homem realizado familiarmente e profissionalmente.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Quais as suas linhas orientadoras para o trabalho da associação empresarial? Que ideias quer ver implementadas?

A Nersant tem um plano estratégico a longo prazo, falamos entre 12 e os 15 anos. Se esse plano estratégico não tiver condições para avançar em parceria com as comunidades intermunicipais e com as câmaras e com o governo, esta região está hipotecada. Porque a velocidade a que se desenvolvem as necessidades dos empresários, dos empregados, das empresas e da população em geral, não se compadecem com indecisões ou arrastamento em certas decisões que têm de ser céleres.

A Nersant vai apresentar esse plano estratégico à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e à Comunidade Intermunicipal da Lezíria, vou transmitir quais são as linhas estratégicas da Nersant de longo prazo. Esperamos conseguir congregar todas as vontades políticas das comunidades intermunicipais e até dos concelhos para definir uma estratégia que vai terminar, se tivermos condições para isso, num pacto regional.

Portanto, uma espécie de pacto de governação regional. Entende como necessário?

Como primordial! É importantíssimo. Uma região não pode ser governada a curto ou médio prazo, tem de ser governada a longo prazo porque o investimento e o dinheiro público é para ser aplicado com retornos sólidos. E quando se governa a curto e a médio prazo esses retornos são muito duvidosos. Tem de haver uma estratégia que a Nersant não quer que seja só da associação empresarial. Os parceiros podem corrigir, alterar e complementar essas estratégia, mas tem de conseguir conciliar os interesses das duas comunidades intermunicipais de desenvolvimento regional para que tenhamos em uníssono uma só voz para junto do Governo termos a pressão e a força suficiente para alterar muitas coisas menos boas e que nos faltam.

Quer exemplificar?

Refiro-me à mobilidade, vias de comunicação, e à formação profissional. Vai ser uma das lutas mais importantes que vamos desenvolver, a formação profissional. Neste momento, a verdade no terreno, não temos pessoal qualificado. Esta região precisa de ter pessoas dotadas de qualificação de excelência que consigam oferecer às empresas existentes e serem um fator de motivação de investimentos – investimento estrangeiro e outros de fora da região – que consigam convencer o investidor que a nossa região está dotada de pessoal com recursos qualificados que não existem em mais região nenhuma.

Pela nossa vontade vai haver muita alteração em termos de formação profissional para que seja um fator diferenciador da oferta de outras regiões. Irá envolver muitas instituições desde o ensino superior, ao secundário, passando pelo profissional.

Uma ideia virada apenas para a população mais jovem?

Não. Vai ser transversal. Hoje no desemprego encontramos facilmente pessoas com 40 anos e uma pessoa com 40 anos não está bem em casa sem fazer nada. Portanto, entendemos que em termos formação profissional há muito a fazer.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Como começou a sua vida de empresário?

Comecei a trabalhar em 1965 nas Fundições do Rossio como aprendiz de mecânico, serralheiro, onde fiquei cinco anos. Naquela altura, com 14 anos começava-se a trabalhar de dia e estudava-se de noite. Foi o que fiz, estudei de noite. Depois de trabalhar o dia inteiro ia a pé de casa – morava nas Barreiras do Tejo – até à Escola Industrial e vinha a pé. Deitava-me diariamente entre a meia noite a 01h00. Eram tempos difíceis, não haviam transportes nem mobilidade como hoje, sem luz, as luzes eram poucas. Não haviam recursos financeiros. Depois fui trabalhar para a Metalúrgica Duarte Ferreira, em Tramagal.

Nesse entretanto passei por muita profissão que me deu um traquejo brutal em termos de empresa e de metalomecânica. Portanto, a minha experiência como empregado também é vasta. Além de ser grande é abundante porque deu-me a possibilidade de conhecer dois mundos. Hoje em reuniões de articulação entre o empresário e o colaborador, tenho esta facilidade porque já estive muitos anos do lado de lá. É muito difícil contarem-me histórias.

A Metalúrgica Duarte Ferreira entrou em colapso depois da guerra, com o 25 de Abril, ficámos sem encomendas – trabalhei a montar Berliet’s durante muitos anos -, depois fui para Lisboa tirar um curso superior mas não consegui porque o dinheiro não chegava. Tive de voltar para a província porque não tinha dinheiro para comer e para pagar o quarto. Quando voltei a Abrantes lancei-me no mundo empresarial, nas terraplanagens, na construção civil, na hotelaria, abri a discoteca Jet Bee, tive uma croissanteria, meti-me mais tarde nas obras públicas onde estive 35 anos. A minha vida foi sempre progredindo, sempre multiplicando. Sou um investidor nato.

E queria estudar o quê?

Quando a Universidade Internacional passou por aqui tirei uma pós gradução em direção executiva e para pasmo de muita gente, há dois anos e meio resolvi acabar uma licenciatura em Ciências Sociais e Políticas. Está quase!

Também se interessa por política?

Interessa-me saber como é que o meu País é gerido, como é que a minha região é gerida, interessa-me saber como o meu concelho é gerido. Sobre política, evito ter abordagens profundas porque a minha vida empresarial não é muito compatível com a vida política.

Esta empresa onde nos encontramos, a TRM existe desde 1997. Quer fazer-nos um balanço?

Na minha vida de 52 anos de empresas nunca tive um fracasso. Estou ligado ao êxito. As minhas empresas, todas, até agora foram empresas com muito êxito. Como cidadão a minha trajetória baliza-se entre dois documentos. Um documento muito importante, que a minha mãe guardou, mostra que em 15 de junho de 1965, com 14 anos, Domingos Chambel começou a trabalhar, nas Fundições do Rossio, e ganhava um escudo por cada hora. Cinquenta e dois anos depois, em sede de IRS, Domingos Chambel pagou perto de 500 mil euros, em 2017. Portanto, a minha trajetória como cidadão, como empresário, como trabalhador, define-se com estes dois documentos.

Sou empresário há 40 anos, tenho trabalhado de dia e de noite. Com 69 anos trabalho entre as 14 e as 16 horas por dia. Para conseguir chegar onde cheguei trabalho quase sempre o dobro que qualquer trabalhador meu. Quando se fala em Domingos Chambel penso que se deve falar sempre na perspetiva do que trabalha, do que trabalhou e do que se sacrificou e quais os resultados. Se alguém em Abrantes tem a possibilidade de estar de férias sou eu, e não estou de férias.

Mas nunca tira férias?

Raramente. Não me lembro de tirar 30 dias de férias há mais de 30 anos. A minha família vai de férias, estou lá uns 3 ou 4 dias com eles, venho, vou, venho, vou… o tirar férias descansadamente para estar ao pé da família durante 30 dias, isso não existe para Domingos Chambel e estou convencido que a maioria dos empresários também não têm ainda essa benesse.

Faz essa opção porque gosta ou porque é necessário?

Entre a consciência do compromisso e a aposta no ‘deixa andar’ os empresários normalmente optam pelo compromisso. Se o empresário for de férias 30 dias, no dia 31 de agosto ou no dia 1 de setembro tem de haver muito dinheiro para pagar aos empregados e tem de haver alguém que passe o cheque, e alguém que vá à procura desse dinheiro. Se o empresário for de férias e se fizer o que alguns políticos entenderam por bem aprovar na Assembleia da República que os trabalhadores têm direito a desligar, se os empresários tivessem direito a desligar também se calhar ao fim do mês os empregados, o Estado e os fornecedores ficavam à espera porque o empresário também é filho de Deus. A minha experiência diz que o empresário não pode desligar.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Começou na Zona Industrial de Abrantes?

Está sentada onde era um olival. Fui o primeiro empresário a construir uma empresa na zona industrial de Abrantes. Não havia nem água, nem luz, nem esgotos, nem estradas. Tudo isto foi construído por mim. Hoje tenho interesses em várias partes da Europa, tenho várias empresas em várias áreas. Não me posso queixar. Mas há 25 anos acordava às 5 ou 6 da manhã porque me tinha deixado dormir em cima da secretária. A TRM só se construiu e só se consegue gerir com muito trabalho e muita colaboração. O que faço não faço sozinho, aquilo que consigo fazer é gerir as equipas de determinada forma que conseguem produzir o objetivo necessário. No grupo Dosch temos hoje mais de 200 trabalhadores.

Se não fosse empresário poderia ter outra profissão?

Não. Não me estou a ver a desempenhar outro papel que não fosse empresário porque sou ambicioso por natureza. Essa ambição tem norteado todos os meus investimentos. Acho que cada pessoa deve ter as suas ambições porque os objetivos só são conseguidos se formos ambiciosos. Se estivermos satisfeitos com o que temos no momento, dia menos dia vamos perder esse valor financeiro ou material. Porque a vida vai dando e tirando, se não tivermos ambição de ter mais, a vida naturalmente vai subtraindo.

Refere-se apenas a bens materiais ou tem ambições para além disso?

Estou numa fase em que aquilo que me move já não é o dinheiro. O que me move é a satisfação de conseguir os meus objetivos, ou seja é estar perante determinado negócio e conseguir multiplicá-lo. A partir do momento que consigo multiplicá-lo, desligo. Não quer dizer que não goste de ganhar dinheiro mas não é o meu principal objetivo. Acima de tudo é a minha realização pessoal e de quem está perto de mim. Aquilo que me dá imenso prazer é ter um projeto, agarrar o nada, conseguir todos os fatores, conjugá-los e multiplicá-los com a inteligência que Deus me deu e pô-los a criar riqueza e criar postos de trabalho que a região direta ou indiretamente recolhe.

Como empresário age e investe por impulso ou aposta na sua capacidade de análise?

Ambas. Hoje os negócios exigem muita capacidade de análise. Para qualquer negócio, além dos números que se podem analisar que são transmissíveis no papel, há outra forma de analisar os investimentos que não vem em livro nenhum nem existe cadeira nenhuma na universidade; é a experiência da vida. Essa tem de trabalhar em conjunto com a análise dos números e reside aí talvez o meu segredo. A minha experiência de vida diz-me que quando analisamos um negócio, este aparece transmitido em números e o papel suporta os números que lá pusermos. A diferença entre o papel e o aço é que o papel em questão de negócios é mais resistente que o aço. No papel se metermos 20 zeros o papel suporta tudo. É preciso ‘treler’ os negócios.

É difícil ser empresário em Portugal?

Neste momento, se tivesse de intitular os empresários teria de chamar-lhes heróicos porque a resiliência que têm tido através dos tempos, e as dificuldades e as exigências do Estado a que são submetidos, para mim são uns heróis. As exigências a que somos submetidos direi que em alguns casos, é desumano.

E em Abrantes?

É difícil ser empresário tanto em Abrantes, como no Sardoal como em Mação, como em Gavião, como em qualquer concelho do interior do País. Porque temos custos de interioridade incomensuráveis. Qualquer empresa que precise de qualquer componente mais complicado tem de ir à metrópole de Lisboa, ao Porto ou na melhor das hipóteses a Leiria. São custos acrescidos que as grandes cidades não têm mas que pesa em nós, que estamos no interior, para uma gestão igual às empresas que estão onde há tudo.

No interior temos esse grande handicap. Estamos longe de tudo. Tem havido da parte dos responsáveis autárquicos, nomeadamente dos presidentes de câmaras, não só de Abrantes mas de todos com quem a Nersant se articula, uma sensibilidade extrema para ajudar as empresas a passarem esta crise, e têm desenvolvido grandes iniciativas para ajudar os empresários.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Quais os setores que têm margem de progressão no distrito de Santarém?

Temos vários sectores que podem progredir, nomeadamente a industria automóvel. Temos aqui grandes pólos de desenvolvimento. O grupo Hitachi, a Mitsubishi em Tramagal, depois os componentes, em Alcanena temos a Couro Azul, por exemplo, que também trabalha para a industria automóvel, a Oke que faz perfis, ou seja, vários pólos com muita importância. Penso que esse sector, passando a crise, tem condições de desenvolvimento.

O outro é o alimentar. temos grandes empresas como a Compal e outras ligadas ao grupo Mendes na Golegã, empresas importantes na agroalimentar com grandes possibilidades de progressão. O sector da construção civil tem condições de progressão mas depende de como vamos sair desta conjuntura de pandemia, porque se não há dinheiro não há compra de imóveis. No turismo também temos empresas importantíssimas mas foi dos sectores mais afetados, e neste momento quer a nível regional quer a nível nacional está em banho-maria. Temos de esperar.

A sua atividade está a ser afetada pela pandemia? Teve de se socorrer do lay-off?

Sim, está a ser afetada em 50%. Antes da pandemia estávamos a produzir 70 mil travões por dia, seis dias por semana, neste momento estamos a produzir metade. No inicio tivemos de nos socorrer do lay- off agora temos outras soluções.

Passou por despedir alguém?

Não. Graças a Deus não tivemos de despedir ninguém.

Como vê a atuação do Governo perante as necessidades dos empresários?

As ajudas não estão a ser distribuídas como entendemos mais correto mas o Governo terá as suas razões. Tem feito um grande esforço para minimizar os impactos a nível nacional com ajudas às empresas e aos trabalhadores e aos mais necessitados. Relativamente aos apoios sociais não nos pronunciamos. Aquilo que entendemos, e está anunciado muito dinheiro, falamos de 15 mil milhões de euros, não deve ser só para o apoio social, nem para as obras públicas necessárias mas injetado na economia onde haja garantia do retorno do investimento. Esse dinheiro tem de ser dividido em várias fatias: uma para a parte social, outra aplicada nas empresas para ajudar as mais necessitadas a não fechar, e o resto para ser investido nas empresas onde o investimento do Estado seja feito com a garantia que as empresas retornam em termos de criação de postos de trabalho, riqueza e impostos. Esse dinheiro vem de Bruxelas mas é dinheiro público. Neste momento é prematuro pronunciar-mo-nos uma vez que ainda não há despachos no sentido de regulamentar a sua distribuição.

Nas crises fazem-se bons negócios?

Fazem-se sempre mais bons negócios nas crises do que fora das crises. Todos os meus investimento foram feitos em contraciclo. Os meus investimentos são contínuos mas sempre em contraciclo para quando vier o ciclo já estão feitos e prontos a produzir. Na economia só há vales porque há montanhas. Agora estamos no vale mas estamos a subir a montanha. Em conjunto, com todas as forças políticas e com todas as vontades, estou convencido que vamos conseguir ultrapassar esta fase.

O empresário abrantino Domingos Chambel é o novo presidente da associação empresarial da região de Santarém, Nersant. Créditos: David Belém Pereira

Quem é Domingos Chambel?

É uma pessoa que trabalha 14 horas por dia. Tem um filho de 12 anos. Deixei de trabalhar dentro das empresas até muito tarde, para trabalhar mais em casa para estar junto do meu filho e da minha família, porque a maioria das empresas onde tenho investimentos trabalha 24 horas por dia e o Domingos Chambel apanha o primeiro, o segundo e o terceiro turno. Raramente saio para o estrangeiro em gozo de férias. Estou muito tempo no estrangeiro mas a trabalhar e dou valor não ao nome das pessoas, nem ao titulo mas à trajetória que as pessoas têm na vida, daquilo que deram à comunidade desinteressadamente. Gosto muito de desporto, faço os meus treinos mas tenho pena de não ter mais tempo.

O que é que gosta de fazer?

Joguei hóquei patins, fui guarda-redes do clube União Desportiva Rossiense, no Rossio, durante 12 anos. Pertenci a uma escola especial de saltos em mesa alemã, nado, faço ski-aquático, faço ski na neve, corro, ando de bicicleta, portanto faço quase todos os desportos mas tenho um de eleição que gosto muito e não pratico quase nada; é o golfe. Além disso, gosto muito de divertir-me na noite e pena tenho de não poder conviver com os amigos, beber ‘um copo’ como se diz na gíria em amena cavaqueira. Mas os compromissos que assumi não me permitem como antigamente, portanto tenho de fazer uma vida mais recatada, dedicada à família e ao trabalho. O que mais gosto de fazer é trabalhar. Gostava que todos os portugueses tivessem este gosto pelo trabalho.

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