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Segunda-feira, Junho 21, 2021

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Entrevista | Reconversão da Central do Pego é “transformar uma ameaça” numa “oportunidade” – José Grácio (c/VIDEO)

José Grácio, CEO da TrustEnergy, acionista maioritário da Tejo Energia, explica em entrevista a ideia de reconverter a central a carvão do Pego, em Abrantes, num Centro Renovável de Produção de Energia Verde, projeto que, de forma faseada, implicará um investimento de 900 milhões de euros. A ideia é “transformar uma ameaça”, que seria o encerramento da central, “numa grande oportunidade para a região e para o país”.

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Com o contrato de aquisição de Energia a partir do carvão a cessar em 30 de novembro, na sequência das políticas de descarbonização nacionais, a TrustEnergy “entende que a melhor opção não será o desmantelamento da estrutura, mas o desenvolvimento de um ambicioso projeto de transição justa da Central Termoelétrica do Pego para um Centro Renovável de Produção de Energia Verde nas suas várias formas”, disse José Grácio.

O presidente executivo da TrustEnergy explicou que o projeto passa pela “eletricidade, hidrogénio e outros gases renováveis a partir de diversas fontes primárias de energia local, como a solar, eólica e resíduos florestais”.

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Este projeto, que a empresa quer implementar com apoios do Fundo para um Transição Justa (FJJ) e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a que se vai candidatar, “constituirá um caminho sustentável e de futuro” e visa “transformar uma ameaça”, que seria o encerramento da central, “numa grande oportunidade para a região e para o país”, com a sua reconversão funcional em Abrantes, no Médio Tejo, distrito de Santarém.

A conversão da central a carvão do Pego para resíduos florestais locais é a “solução a curto prazo para abastecimento do sistema elétrico português com energia renovável despachável” (que pode funcionar quando for necessário independentemente das condições climatéricas), e “até que soluções alternativas para a adequada integração de fontes renováveis intermitentes sejam implementadas”, sendo que o modelo funcional preconizado irá incluir a utilização de outras fontes de energia de forma faseada.

José Grácio, presidente executivo da TrustEnergy. Foto: mediotejo.net

No projeto destaca-se a “utilização do potencial solar da região para produção de energia térmica e fotovoltaica, permitindo produção de energia elétrica a mais baixos preços”, a “utilização de energia eólica que tirará partido dos mais recentes desenvolvimentos de turbinas eólicas capazes de boas capacidades de produção mesmo em baixo regime de vento”, energia que “será utilizada para injeção na rede elétrica quando assim houver necessidade mas que também poderá ser convertida em hidrogénio verde”.

Por outro lado, pode ler-se no projeto, a que o mediotejo.net teve acesso, “irá ser implementada uma moderna instalação de captura de CO2 que, em conjunto com o hidrogénio produzido, permitirá a produção de e-metano que será injetado na rede de gás natural sem que haja necessidade de significativas alterações nos equipamentos consumidores”.

Segundo afirmou José Grácio, “já este ano, e após o final da produção de energia elétrica a carvão, a Tejo Energia poderá produzir energia elétrica nas atuais instalações, através da utilização de forma sustentável de resíduos florestais torrificados quando não houver no país produção de origem solar nem eólica”.

A TrustEnergy, acionista maioritário da Tejo Energia, quer reconverter a central a carvão do Pego, em Abrantes, num Centro Renovável de Produção de Energia Verde. Foto: mediotejo.net

Desta forma, sublinha o gestor, “o sistema poderá contar com uma solução de 600 MW de energia despachável renovável para garantir o ‘back up’ à rede elétrica”, uma “tarefa importante tendo em conta a cada vez maior penetração de energias intermitentes e a saída de 1.800 MW de carvão do sistema (Sines e Pego) em só 10 meses”, notou, tendo ainda destacado “a limpeza das florestas através da utilização de resíduos florestais que, embora em quantidade limitada, produzem regularmente incêndios” na zona onde a Central se insere.

“O Governo, a autarquia local, a Comunidade intermunicipal do Médio Tejo e o acionista maioritário estão alinhados com o futuro de reconversão da central”, vincou José Grácio, tendo manifestado a sua satisfação pelas declarações da ministra da Coesão Territorial em recente visita a Abrantes sobre o projeto da Tejo Energia, que emprega cerca de 200 pessoas.

José Grácio, CEO da TrustEnergy, acionista maioritário da Tejo Energia. Foto: mediotejo.net

De visita ao Pego no dia 14 de maio, onde inaugurou o Sistema de Abastecimento de Água ao Sul do Concelho de Abrantes, Ana Abrunhosa assegurou que “haverá no próximo quadro comunitário de apoio um pacote financeiro para ajudar à reconversão da central do Pego”, a par de “outras verbas para estas áreas, no âmbito do PRR, nomeadamente para centros de energia através do hidrogénio”.

A central do Pego, construída em 1993, “poderia ser um problema, mas não é um problema, é uma oportunidade e é assim que os empresários, o presidente da Câmara e o Governo o encaram”, afirmou então a ministra aos jornalistas. “Não podemos abandonar uma infraestrutura que aí está sem lhe dar um futuro e uma nova vida”, concluiu.

Ana Abrunhosa assegura haver apoios para a reconversão da Central do Pego. Foto: mediotejo.net

A importância da Central do Pego em Abrantes e região envolvente ao longo dos últimos 30 anos, além de se constituir como o maior centro produtor de energia a nível nacional,  tem sido muito importante na criação de emprego e na dinamização da economia local, pelo que o projeto de transição que aponta para a sua continuidade na produção de energia, indo ao encontro de necessidades e objetivos da região e do país, é visto com agrado pelas forças vivas da região.

O projeto de reconversão da Central a carvão do Pego em Centro Renovável de Produção de Energia Verde, é também vista com agrado pelo governo, tendo em conta as declarações  públicas quer do ministro do Ambiente e da Transição Energética, quer da própria ministra da Coesão, mais recentemente.

A Tejo Energia é detida pela TrustEnergy (56%), um consórcio constituído pelos franceses da Engie e os japoneses da Marubeni, e pela espanhola Endesa (44%), empresas que exploram a central localizada em Pego, a 150 quilómetros de Lisboa, sendo o maior centro produtor nacional de energia, com uma potência instalada de 628 megawatts (MW) na central a carvão, e que irá cessar as operações até final de novembro, e de 800 MW na central a gás, que prosseguirá em atividade.

Central Termoelétrica do Pego. Foto: mediotejo.net

A central termoelétrica da Tejo Energia é atualmente a única central a carvão em operação no país, em sequência do encerramento da central de Sines da EDP em janeiro.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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