Entrevista | Hugo Costa, assume linha da frente do PS para mudar o mundo (c/vídeo)

Esta entrevista ocorreu antes da crise pandémica de Covid-19, antes da declaração do estado de emergência nacional. Hugo Costa, deputado e candidato único  à presidência da Federação Distrital do PS nas eleições deste sábado, dia 18 de julho, levou-nos a conhecer os espaços e as histórias que mais o marcaram no concelho que lhe deu berço, Tomar. Confessou que teve uma primeira paixão pelo comunismo, antes de avançar pelo socialismo. Lembrou os avós e os tempos de criança, percorrendo de bicicleta as suas aldeias. Falou do futuro e do desejo de mudar o mundo. Um mundo que entretanto ficou de pernas para o ar. Mas nada melhor que a linha da frente para o tentar mudar. 

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Hugo Costa, 36 anos, natural de Cabeças, União de Freguesias de Tomar, Tomar, vive a sua segunda legislatura como deputado na Assembleia da República. Licenciado em Economia, tem também um currículo como autarca, tendo sido adjunto da presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, e mantém a posição de deputado municipal.

Foi ainda líder da Juventude Socialista Distrital e presidente da concelhia do PS de Tomar. A par da vida pública, fez currículo profissional na empresa Deloitte, Banco Santander Totta, Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação e grupo Douro Gás.

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Hugo Costa é desde 2015 deputado na Assembleia da República Foto: mediotejo.net

Encontrámos-lo no início de março, uns dias antes da data prevista para a eleição para a Federação Distrital do PS, que não chegou a realizar-se devido à pandemia, acto eleitoral que está agora agendado para dia 18 de julho. A conversa estendeu-se, ocupando toda a manhã e início de tarde. Do coração de Tomar a alguns dos locais mais significativos da sua vida, Hugo Costa confessou a sua curiosidade pelo passado familiar, a sua paixão pelo cinema e por bons livros, o seu entusiasmo pela luta das grandes causas, num misto de idealismo existencialista que se tornou raro na sua geração.

Hugo Costa é reservado na vida privada e conciso nas palavras. Começamos o trajeto pela Câmara Municipal de Tomar, espaço da democracia e da cidadania. “Este é um sitio emblemático de Tomar”, reflete, um ponto de encontro natural entre os moradores e o “ponto da participação cívica”. É aqui que exerce o seu papel de deputado municipal, mantendo assim uma ligação próxima ao quotidiano dos tomarenses, não obstante as suas responsabilidades no Palácio de São Bento.

Seguimos para o Convento de Cristo, onde Hugo Costa nos mostra uma paisagem extraordinária sobre a cidade. “Permite-nos uma das vistas mais fantásticas da cidade”, afirma, sítio de sua eleição “para pensar, para me abstrair”, onde contempla todo o espaço urbano e reflete sobre o mesmo.

Mas pedimos-lhe uma perspetiva mais pessoal sua, talvez os sítios mais marcantes do seu crescimento. Hugo Costa reflete um pouco e conduz-nos então pelas aldeias circundantes de Tomar – Vale da Nora, Cabeças, Carvalhos de Figueiredo – onde nos mostra as casas dos avós e dos pais.

Em Vale da Nora recorda a avó paterna, a avó Alice, uma figura feminina de força na sua história familiar. “Vinha para aqui de bicicleta nos sábados à tarde”, conta, ou ia visitá-la às feiras de artesanato. “A minha avó era uma mulher que teve uma vida de luta. Ficou viúva muito nova [antes dos 30 anos], com três filhos, num tempo em que ser mulher viúva não era fácil em Portugal. E conseguiu que os três filhos conseguissem singrar na vida”, recorda.

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Já em Carvalhos de Figueiredo lembra a história do bisavô materno, um monárquico que assistiu ao regicídio e pertenceu à guarda do rei D. Manuel II, tendo permanecido  exilado durante a I República. Para logo lembrar o avô, um fervoroso ferroviário de esquerda, que “sempre tentou incutir em mim esses valores de esquerda, nomeadamente ali quando estava sentado à lareira”, espaço onde se encontrava durante boa parte do ano após a reforma.

Empreendemos então uma visita pelas escolas que marcaram o seu crescimento e forjaram os princípios da sua identidade: Escola Primária Templários (nº1 de Tomar), Escola Básica de Santa Maria e Escola Secundária Jácome Ratton. Nesta última lembra os seus primórdios na política e o desenvolvimento do espírito de luta por um mundo melhor que ainda o acompanha, marcado por episódios de fechar a escola a cadeado. “Era alguém que queria mudar a sociedade instantaneamente”, admite, razão pela qual se filiou na juventude comunista e envergava com orgulho durante a sua adoelscência uma t-shirt do Che Guevara.

“Ainda hoje continuo a querer mudar a sociedade para melhor. Se eu hoje sou de esquerda também tem muito a ver com estes pressupostos. E tenho muito orgulho nesse passado”, confessa. Acabaria por aderir ao PS já na faculdade.

Hugo Costa candidata-se a presidente da Federação Distrital do PS Foto: mediotejo.net

Ainda passamos pela Biblioteca de Tomar, onde Hugo Costa revela a sua paixão pelo cinema e por livros, enumerando alguns dos clássicos que constam nas suas preferências: O Padrinho II, O Cinema Paraíso e o Apocalypse Now entre os filmes, Náusea, de Jean-Paul Satre, e Levantado do Chão, de José Saramago, entre os livros. Apontamos-lhe uma veia para o existencialismo. Hugo Costa ri e não nega a preferência filosófica pelos movimentos sociais e políticos dos anos 60, que muito marcaram a sua adolescência.

Na Igreja de Santa Maria dos Olivais admite que é católico e que na pré-adolescência chegou a servir como acólito, mas não se estende nas reflexões sobre o divino. Prefere destacar a importância histórica do espaço para a herança templária de Tomar.

No Estádio de Tomar aborda a sua paixão pelo hóquei em patins e pelo Sporting Clube de Tomar, onde é presidente da Assembleia Geral. “É um privilégio que eu tenho”, sublinha, procurando explicar o seu entusiasmo pela modalidade de hóquei em patins, lamentando não ter mais destaque a nível nacional.

A viagem da memória por Tomar termina junto ao rio Nabão, onde aborda a sua visão para alguns dos temas que afetam a região do Médio Tejo. As perguntas hoje teriam sido outras, pois o mundo mudou (tanto) desde então. Ao assumir a Federação Distrital do PS terá pela frente outros dilemas, eventualmente uma nova crise que afetará muitos dos investimentos que então se previam.

Hugo Costa, deputado e candidato único a presidente da Federação Distrital do PS. Foto: mediotejo.net

Ao pensar no futuro, Hugo Costa quer continuar a lutar por mudar a sociedade e torná-la melhor para todos. “O sonho, como dizia o poeta, comanda a vida. Talvez seja a minha vertente existencialista. Se todos nós ajudarmos um pouco a melhorar a nossa sociedade, a nossa sociedade vai ser melhor”.

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