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Domingo, Outubro 17, 2021

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Entrevista | Francisco Jerónimo, presidente da Associação de Futebol de Santarém (C/FOTOS e VIDEO)

A entrevista era para ser mais curta mas o presidente da Associação de Futebol (AF) de Santarém, Francisco Jerónimo, para além de traçar uma perspetiva para a época desportiva 2018-2019 numa Associação que ocupa o 7º lugar (em 22) do ranking nacional em termos de atletas federados (7600), e que está a crescer ao ritmo de 3% ao ano, falou de si e do percurso, e dos objetivos para a presente temporada ao nível do desporto, arbitragem, infraestruturas desportivas, disciplina e eventos de cariz regional, nacional e internacional.

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Anunciou ainda uma candidatura conjunta com a AF Leiria para a organização do Torneio Lopes da Silva em 2019, disse que apenas três pelados subsistem em todo o distrito de Santarém (ao nível das provas organizadas pela AF Santarém), e assegurou que o atual modelo das competições dos campeonatos distritais e Taça do Ribatejo vai ser alvo de reflexão e eventual decisão para alteração até dezembro.

Para já, a bola começa a rolar dia 12 de setembro com a disputa do Supertaça Alves Vieira, entre Mação e Tomar, e dia 15 vai decorrer uma importante reunião com todos os agentes desportivos para analisar a época passada e debater o caminho a trilhar para o futuro. Decisões que serão tomadas por todos, como se quer em equipas que praticam desportos coletivos, frisou o dirigente.

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Francisco Jerónimo, 64 anos, é presidente da AF Santarém desde janeiro de 2012. Vai a meio do 2º mandato. Foto: mediotejo.net

Mediotejo.net – Está tudo a postos para o início da época desportiva 2018-2019

Francisco Jerónimo – “Em primeiro lugar bom dia e agradecer a vossa presença e interesse em vir à nossa Associação de Futebol de Santarém saber o ponto de situação. De facto, a época está na fase de arranque, na fase preparatória. Todo este trabalho de desenvolvimento no sentido de um arranque para que, quando a bola começar a rolar, esteja tudo a postos… dia 12 é quando arranca porque é a final da Supertaça Alves Vieira, disputada como é tradição em Torres Novas, no estádio Alves Vieira. No dia 15, sábado de manhã, vamos ter um encontro/debate de futebol distrital, que é o segundo que fazemos. E que queremos que seja, e vai ser seguramente, porque o ano anterior já mostrou que tem condições para isso, vai ser um espaço de diálogo com os nossos dirigentes e para isso convidámos todos os presidentes dos clubes que podem vir acompanhados de um ou dois elementos que achem oportuno, para nesse espaço/diálogo nós termos a oportunidade de fazer o ponto de situação daquilo que foi a época 2017/18, mas, fundamentalmente, projectar a época de 2018/19, e onde vão estar todos os órgãos sociais, nomeadamente o conselho de arbitragem, o conselho de disciplina, o presidente da assembleia geral”, entre outros agentes desportivos.

“A meio da manhã iremos entregar os diplomas aos dirigentes que concluíram o curso de formação de dirigentes organizado pela Federação Portuguesa de Futebol, com a colaboração da nossa Associação, e na segunda parte dessa manhã teremos um painel onde vamos falar de formação, nomeadamente o contributo da formação para a sustentabilidade dos nossos clubes e aí contamos com a presença de duas figuras destacadas no panorama nacional: o professor José Couceiro, há poucos dias nomeado director técnico  nacional da federação Portuguesa de Futebol,  e o professor André Seabra, que é o director da Futebol School. É um encontro que cremos, e estamos certos que vai ser, o grande pontapé de saída, onde vão ser apontadas algumas novidades e algumas apostas naquilo que é a nossa intenção e o nosso projecto para esta época. No fundo elas são plurianuais…esta força que nós queremos dinamizar porque apostamos seguramente no crescimento, apostamos na maior sustentabilidade dos nossos clubes, e isso é essencial. Depois, no dia 16, é o pontapé de saída para mais uma época desportiva efectivamente no terreno, com o campeonato distrital da 1ª divisão…

Já agora referir também ainda… porque na tarde de dia 15 vai ser o torneio de abertura de futsal com 4 equipas, inclui as equipas que disputam os nacionais com as melhores classificadas do distrital para fazerem as 4, em dois dias [ torneio]… no dia 16 o campeonato distrital de 1ª divisão que… estamos confiantes, acreditamos que é, e está tudo preparado, nós estamos a trabalhar para que cada vez seja melhor. Os clubes estão a preparar-se cada vez melhor, a nossa arbitragem está mais bem preparada, todos os anos cada vez está mais bem preparada. Como vai haver competitividade, há a ambição de todos para que seja um campeonato forte, competitivo e, com certeza, cada vez mais a passar [a mensagem] do desporto em si, fundamentalmente, com um grande ‘fair play’. É isso que queremos.

Qual é a realidade desta associação? Quantos clubes e atletas tem? Qual é a sua posição no ranking em termos das 22 associações a nível nacional?

Na época desportiva que terminou nós tínhamos 75 clubes inscritos. Temos seguro que houve este ano mais 3 clubes… estes não voltaram, são novos, na área do futsal. Benavente, a Casa do Benfica de Ourém e do Cartaxo, também de futsal. São 3 novas equipas que se juntam à Associação de Futebol de Santarém pela primeira vez e portanto estamos já a caminhar para os 80 clubes. Em termos de atletas inscritos, desde 2012 temos entrado numa espiral de crescimento na ordem dos 3% média ao ano e que já ultrapassámos na época que terminou agora, 17/18 portanto, já ultrapassámos os 7600 e que nos consolida no 7º lugar do ranking nacional das 22 associações.

Número de atletas a praticar desporto federado está a subir ao ritmo de 3% ao ano no distrito de Santarém. Foto: mediotejo.net

Está a crescer 3% ano em que sectores?

Fundamentalmente no futebol e particularmente na formação e também um contributo do futsal, e no que tem sido a aposta no nosso projecto do Traquinafoot em que envolve os mais jovens do futebol e do futsal, que também tem crescido na ordem dos 5% ao ano nos últimos 3 anos. Foi quando lançámos o projecto e que neste momento envolveu na época passada mais de 1300 atletas. Traquinas e Petizes. Com grande envolvimento dos clubes. As jornadas são feitas nos vários sítios do distrito com o apoio dos clubes. Praticamente são os clubes os motores da concretização fisica da realização desses encontros que depois culminam com concentrações distritais para cada escalão, incluindo o futsal. Decorreram em Santarém e em Almeirim este ano e é uma grande festa que termina no fim de maio/junho, não temos ainda data marcada, que é a grande concentração de todo o projecto. Projeto esse que já foi reconhecido pela Federação com o prémio de Excelência há duas épocas, portanto é um projecto que muito nos orgulha.

Projecto Traquinas que é dirigido a rapazes. E o panorama do futebol feminino?

O futebol feminino é também uma aposta da Federação Portuguesa de Futebol e da nossa Associação. Deitamos mão a um projecto variante feminina do Traquinafoot a que chamamos ‘Bora lá Meninas, vamos jogar à bola’, isto dirigido ao 1º ciclo do ensino básico, com apoio nosso, que lançamos no nosso distrito e com o apoio das câmaras municipais e também da própria Federação Portuguesa de Futebol, que nos tem apoiado. Concretizámos a 1ª fase, é um projecto de duas épocas. Nesta primeira época concretizamos a primeira fase com 7 ações em vários concelhos do distrito em que envolveu mais de 7 centenas de miúdas. Estas contas são feitas em termos de meninas só. É um projecto que queremos continuar na próxima época e que é a aposta na base para que o futebol feminino possa crescer. Nós não queremos que cresça por cima.

As meninas jogaram muitas vezes contra os rapazes…

O futebol feminino teve um ponto… tem uma aposta… o próprio Clube Atlético Ouriense que até hoje – é bom que se diga isto – é o clube português que foi mais longe na liga dos campeões de futebol feminino. Apesar dos investimentos dos últimos anos dos grandes clubes nacionais, ninguém ainda passou a fase inicial. Ninguém foi à fase a eliminar da liga dos campeões. Foi o Ouriense uma vez. E é bicampeão nacional, ganhou uma Taça de Portugal, teve um momento alto, mas depois, enfim, a força dos mais fortes acaba por prejudicar…não sei se é prejudicar…mas baixar a projecção dos nossos clubes.

Ouriense que este ano vai estar novamente na elite do futebol feminino…

E há um campeonato promoção a nível nacional onde esperamos que estejam mais duas equipas a participar. E dizer que algumas atletas campeãs nacionais estiveram num dos grandes do futebol português. Muitas delas fizeram escola no Ouriense.

Francisco Jerónimo destaca o papel do Ouriense no futebol feminino nacional, lembrando que nenhuma outra equipa conseguiu os feitos das atletas ourienses. Foto: mediotejo.net

A nível de outras competições, sei que tem um projecto conjunto para apresentarem ao nível do futebol de formação para as camadas mais jovens numa parceria interassociações…

Nós temos um intercâmbio, ainda ontem [dia 31 de agosto] fizemos uma reunião, desta vez em Santarém, com a nossa congénere de Leiria, temos umas excelente relações com Leiria, e há uns tempos chegámos à conclusão que temos muito assuntos em comum e portanto discuti-los, encontrar os melhores caminhos, as melhores soluções até para fazer chegar à Federação Portuguesa de Futebol algumas dessas preocupações, e reunimos ontem em Santarém. Foi uma reunião proveitosa e permitiu discutir vários assuntos, desde a arbitragem, formação dos agentes desportivos e, particularmente, um projecto em comum. Fizemos uma candidatura à FPF para organizar o Torneio Lopes da Silva sub14, que é o grande torneio inter-associações, que envolve as 22 associações nacionais e em que, pela primeira vez, duas associações se juntaram e fizeram uma candidatura conjunta e é a nossa aposta e estamos certos que será, tem de ser, uma candidatura vencedora. Para 2019, em junho, nos dois distritos. Jogos num e noutro distrito, [sede operacional em Fátima], e com organização conjunta.

A nível de outros eventos, quais destaca…

A nível de jogos internacionais, as selecções que pisam a nossa região… estamos atentos sempre para encontrar soluções para receber as selecções nacionais, para esta época já está em marcha, aliás, a selecção A de futsal feminino vai estar agora no início de setembro num jogo em Rio Maior contra o Japão e no Entroncamento. Em outubro vamos ter um Portugal Suiça sub20. E eu refiro sub20 porque a partir daí, em jogos oficiais, já é muito difícil trazer para a nossa região… porque há exigências da UEFA muito grandes para as infraestruturas desportivas. Ainda não sabemos bem, estamos a articular com a Federação onde vai ser o local e portanto estamos sempre atentos para trazer para a região, porque achamos que o futebol também promove a nossa região além fronteiras…. Se trouxermos as selecções, as comitivas internacionais também vêm cá. Relativamente àquilo que nós chamamos as organizações diretas da Associação de Futebol de Santarém, temos, como sabe, o nosso modelo a nível nacional, a Federação já distinguiu o nosso modelo como prémio de excelência no desenvolvimento do futebol no ano anterior, temos estas ações relativamente à promoção e desenvolvimento do futebol feminino, como disse agora, o ‘Bora lá meninas’, o TraquinasfOOt e tudo o que apostamos… provavelmente com Leiria vamos organizar O torneio conjunto… é outra questão que está ainda em fase de estudo e portanto estamos atentos a tudo aquilo que foram as oportunidades e que os nossos meios e condições…porque nós não podemos – e este é uma questão para nós, um princípio base que não podemos sair – todos estes eventos têm que ter o mínimo de sustentabilidade. Não podemos, não temos condições, de retirar naquilo que são receitas correntes da associação, resultante do contributos dos clubes, retirar para outros eventos. Os eventos têm de ser auto-suficientes em termos de realização e de execução própria. Portanto temos que arranjar alguma coisa que compense e que suporte esses torneios.

Associações de Futebol de Santarém e de Leiria apresentaram candidatura conjunta para realizar o Torneio Lopes da Silva sub-14, em 2019. Foot: AF STR

Falta-nos falar de mais uma prova, a competição Rainha, que é a Taça do Ribatejo

Relativamente ao modelo das competições distritais, nós há cinco anos fizemos alterações com alguma profundidade, nomeadamente no campeonato distrital da 1ª divisão que é disputado por duas fases e passou a ser só numa fase, todos contra todos, que neste momento é inquestionável, já ninguém se lembra do que havia anteriormente e este está consolidado. Todavia, considerando que o Campeonato de Portugal está numa fase de transição e vai reduzir mais os clubes até aos 64, é isso que está aprovado, portanto, de 80 para 64 vão cair muitos clubes nos distritais. Naturalmente que temos de estar preparados e sentimos que… aliás, este ano já aconteceu isso, um desceu por causa disso e portanto vamos ter mais clubes no distrital e a nós também nos vai calhar. Felizmente também a nível da 2ª divisão distrital tem subido o número de clubes inscritos e esperamos que este ano também haja mais um ou dois … ainda não temos confirmação, mas haja mais um ou dois, isso é quase certo. Portanto vamos ter mais equipas de seniores. Chegámos a ter menos de 30, neste momento tivemos 35…. E o que é que isto faz? Cinco anos é altura de fazer uma reflexão sobre o modelo e vamos fazer reflexão com uma comissão…vamos nomear uma comissão que vai envolver dirigentes da associação, treinadores, ex-jogadores que estejam fora…mas que não estejam em actividade em clubes…essa equipa faça uma reflexão no sentido de propor à direcção da associação soluções e o resultado dessa reflexão. Nessa altura tomaremos posição e fazemos as revisões que tivermos que fazer em prol daquilo que queremos que seja um futebol distrital melhor e mais forte. E isso é tudo feito, tem que ser tudo aprovado (…) até dezembro para entrar em vigor na época seguinte. Esta reflexão tem de ser aprovada numa assembleia geral até dezembro de 2018]. A última assembleia geral é no princípio de dezembro, geralmente, e portanto nessa altura, a haver decisões e se essa comissão propuser e nós… obviamente, que nós estamos a fazer essa reflexão… se chegarmos à conclusão que é de mudar, quer o campeonato distrital quer o a própria Taça do Ribatejo, lá estaremos, lá apresentamos e lá assumimos essas alterações… mas ouvindo os clubes, como é natural.

Para já vai manter-se…

Sobre a Taça do Ribatejo que apostámos transformá-la efectivamente na prova rainha, e para isso apostámos há quatro anos ou cinco fazer quase um dia do futebol distrital… quase não, um dia do futebol distrital juntando o ‘Tejo Cup’ com a Taça do Ribatejo, no sentido de criar ali umas sinergias, no sentido de projectar a Taça do Ribatejo e também a Taça do Ribatejo de Juniores. Porque a Taça de Juniores, a primeira vez que assisti, foi feita num campo e passou despercebida e fizemos ali um compacto… quero dizer-vos que foi um esforço violento de toda a máquina da organização da associação por estar desde as 7 de manhã às 10 da noite e com ritmo para que aquilo corresse tudo bem… foi um esforço louco. Concluímos este ano, tínhamos concluído já, numa reflexão que fizemos, que a Taça do Ribatejo de Juniores merecia autonomia e por isso libertámos a Taça do Ribatejo que já tinha consolidado, já tinha casa cheia, deixámos a Taça do Ribatejo de Juniores junto do Tejo Cup na parte da tarde e então, vimos este ano, quem teve oportunidade de assistir, uma Taça de Juniores com o estádio do Entroncamento cheio e mudamos a Taça do Ribatejo seniores para um dia só. Demos dimensão, autonomia ao de juniores e demos maior dimensão ainda à de seniores. E hoje a taça de seniores para nós é um orgulho porque é bom ouvir os clubes dizerem no princípio da época que o objectivo é a Taça do Ribatejo. E é uma aposta cada vez a valorizar mais, vamos continuar a valorizá-la e queremos dar passos seguros para que ela seja cada vez mais forte.

Francisco Jerónimo, presidente da AF Santarém. Foto: mediotejo.net

Os clubes e as dificuldades financeiras atingem toda a gente… a AFS a nível do policiamento…

Olhe, foi uma aposta em que nos envolvemos muito a nível nacional naquilo que é policiamento não obrigatório. A expressão é essa. Essa é a base de partida e isso custou muito, foi muito difícil, mas conseguiu-se. E agora cada um, com este princípio, foi capaz, ou quis, ou apostou num modelo. Nós apostámos….com essa abertura que a legislação nos permitiu, apostámos em possibilitar aos clubes que fizessem a sua auto-segurança dos recintos desportivos e nos eventos desportivos. Para isso há regras, tem de haver regras, assumir as responsabilidades, etc. Muito clubes aderiram e portanto a segurança nos recintos desportivos é feita por segurança própria dos clubes e isso evita despesas, por um lado. Por outro lado também foi possível regulamentar mesmo a questão do policiamento. Hoje não é discricionário mandar agentes para um campo de futebol. Há regras bem definidas e não podem ir aqueles que entendem. A não ser que seja considerado um jogo de alto risco e aí as coisas são diferentes. Agora, conseguimos uma parceria fantástica com as forças de segurança a nível distrital e temos todas as segundas-feiras uma reunião em que chamamos uma comissão a reunir, que designámos comissão de risco, que envolve as forças de segurança a nível distrital. A associação e outros elementos, não vale a pena referir quem… mas reúne todas as segundas-feiras para avaliar aquilo que aconteceu no fim-de-semana. Ou os clubes são capazes de manter a segurança em termos própria, ou não. Se a comissão entende que correu mal, no jogo a seguir são obrigados a requisitar policia. É isto que estamos a fazer e é decidido de semana a semana.

E nos jogos de maior risco…

Nos jogos de maior risco a comissão diz para requisitar polícia… às vezes quando envolve o 1º classificado, 2º… jogos [decisivos]… essa comissão tem autonomia para propor e é uma comissão, como digo, ao mais alto nível distrital. É uma garantia porque eles têm uma monitorização muito grande daquilo que acontece no distrito todo. Ajuda-nos a tomar decisões, o conselho de arbitragem também está presente e ajudou os clubes. E os clubes agora… outros nem se quer preocupam com isso, requisitam policiamento, apesar do policiamento também ter regras e também é financiado pelo próprio Estado, mas é um modelo… na época passada sensivelmente 50% dos clubes a nível dos campeonatos seniores usaram a segurança própria.

Falou da formação e do crescimento da associação….

Eu devo esse crescimento efectivo – a associação está a mostrar os números – esse trabalho fantástico que os clubes, os dirigentes, muitas vezes anónimos que desde segunda a domingo à noite dão muitas das suas horas, possivelmente de descanso e de convívio de família para se dedicarem a esse trabalho, esse serviço público fantástico que os clubes fazem através dos seus dirigentes. São eles que põem de pé, são eles que mobilizam, são eles que criam as condições para que os jovens possam praticar desporto e esse serviço público seja feito em defesa dos próprios jovens e contribua para uma formação não só desportiva mas como homens.

Supertaça Alves Vieira marca no dia 12 de setembro o arranque das provas da AF Santarém. Foto: mediotejo.net

A qualidade da formação que é ministrada… dirigentes desportivos, treinadores…

O contributo que a associação tem feito e vai continuar a fazer é criar condições para que cada vez mais os agentes desportivos envolvidos na formação estejam mais bem preparados. Neste caso concreto posso-lhe dizer que já vamos com 10 ou 12 cursos de formação, esta época desportiva está a acabar, acabou. Fizemos 4 cursos de formação de treinadores: 2 de futsal nível 1 e 2; futebol nível 1 e 2. São cursos de formação para a qual seleccionamos uma equipa que eu considero uma plêiade de formadores de excelência e concluímos até que vêm muitos de fora procurar os nossos cursos. São um êxito e os nossos treinadores, os nossos agentes desportivos, os nossos dirigentes que, em conjunto com a FPF, fez uma acção de formação a dirigentes desportivos e das quais 4 associações se associaram à experiência piloto, uma delas fomos nós e que no próximo dia 15 esses dirigentes vão receber o diploma de formação de dirigentes. Portanto, também, vamos aos dirigentes.

A qualidade da arbitragem no distrito de Santarém…

Quanto à arbitragem… temos um Conselho de Arbitragem com um trabalho excelente que trabalha de uma forma sustentada e que se inicia na formação continua dos árbitros… aproveito para fazer aqui uma nota, no fim-de-semana antes do inicio dos campeonatos há um estágio para todos os árbitros do distrito, em Fátima, onde vai ser durante sábado e domingo uma acção de formação dos árbitros… isto não é conhecido que se faça em muitos sítios e portanto os árbitros cada vez estão mais preparados, cada vez há árbitros mais jovens, mais bem preparados, mais bem formados que têm feito aqui uma renovação significativa e hoje é bom ver nos nossos campos de distrito jovens com qualidade, com presença, com formação e que estão a crescer no mundo da arbitragem. É um mundo difícil, uma competição muito forte, trabalha-se muito hoje na arbitragem, mas eu digo que estão reunidas as condições para que essa novidade que me colocou esteja para breve [a representatividade da arbitragem de Santarém na I Liga de futebol].

É uma ascensão ao nível da arbitragem que perspetiva…

É inevitável… o trabalho que se tem feito é por toda a gente e pela própria Federação reconhecido… é inevitável que tem de acontecer….

E a qualidade da arbitragem associa-se à quantidade? Há árbitros suficientes em Santarém?

Como eu disse, e é notório, são os próprios OCS que fazem referência àquilo que é a arbitragem distrital. Ainda não temos os árbitros para todos os escalões, é muito difícil ainda. Porque isto foi difícil crescer… temos mais atletas, temos mais equipas, temos mais jogos. Há fins-de-semana com mais de 100 jogos… isto não é fácil. E depois ainda chegamos à 5ª ou 6ª feira e somos confrontados [com a chamada de árbitros para os nacionais], também é uma boa notícia, mas prejudica a nossa arbitragem distrital que é 15 ou 16 árbitros vão para o nacional. É preciso que eles vão, mas fazem cá falta, mas têm que ir porque lá… porque o crescimento também passa por isso. E é bom ver este ano, já agora na pré-época… houve um jogo internacional no Algarve onde teve uma equipa de arbitragem de Santarém a apitar o jogo do Marselha… e portanto… temos árbitros qualificados depois é a questão da idade, a certa altura já não podem subir, mas eu estou certo que está para breve.

O mediotejo.net entrevistou Francisco Jerónimo na sede da AF Santarém. Foto: mediotejo.net

Ainda há campos pelados no distrito…como estamos de infraestruturas?

Olhe, relativamente a isso… estamos à-vontade para falar nesse assunto porque fizemos um projecto de levantamento e caracterização das infraestruturas desportivas do distrito utilizadas pelos nossos clubes quer a nível de futsal, quer a nível de futebol…. Um projecto que acabou por ser apoiado pela FPF e reconhecido como um exemplo a seguir, para nós foi um motivo também de orgulho, e permitiu conhecer melhor aquilo que era a realidade do nosso distrito. E, nesse momento, logo concluímos que o trabalho nas últimas décadas que as nossas autarquias fizeram em prol das infraestruturas desportivas para que os jovens, através dos clubes, possam funcionar e com o apoio aos clubes, foi fantástica. O crescimento foi fantástico, comparado com há duas dezenas de anos, o que temos hoje é incomparável e isso pode-se ver nesse livro que foi publicado. Todavia, diria mais ainda… na altura em que ele foi lançado, há um ano e meio, eu disse que o que mais desejava era que ele ficasse rapidamente desactualizado e de facto está já desactualizado. Depois disso já foram criados 4 novos sintéticos no distrito e portanto, dos 35 campos que disputaram jogos de seniores de futebol, tivemos 3 pelados. Agora falta só mais um empurrãozinho e fica o resto.

E a AFS contribui…

A AFS teve um fundo durante cinco anos, que acabou no ano passado, de apoio às infra-estruturas desportivas. Foi pioneira também aí. A FPF teve uma candidatura na qual nos batemos pelos nossos clubes, conseguimos trazer 250 mil euros para o distrito e isso permitiu que quatro campos fossem relvados. A Federação Portuguesa de Futebol ajudou à criação de quatro novos relvados… depois, obviamente, com o apoio das autarquias, era inevitável, e da sociedade civil. Mas foi esse apoio direto da Federação a fundo perdido que permitiu ser o catalisador desses projectos e é bom ver um histórico do futebol distrital que tinha o campo pelado e hoje tem um campo magnífico relvado, que é o Tramagal, mas também Alferrarede, o Pego, Alcanena e outro que não foi financiado… o Espinheiro… tudo isto a andar e vamos continuar a apostar. Mas o crescimento foi fantástico. Mas vamos cada vez ter melhores infraestruturas desportivas porque os nossos jovens merecem. Precisamos de os cativar para o futebol, porque hoje a concorrência é muito grande para os nossos jovens e rapidamente se distraem e entram noutros caminhos.

É presidente da AF Santarém há 6 anos… desafios e projetos em mãos…

Os projectos são aqueles que nós sonhamos com eles e depois há o momento de deixar de sonhar e concretizar. O tempo todo que estou aqui nunca me ouviram prometer coisas que depois não consigo fazer. A curto prazo acho que é o nosso contributo cada vez mais forte, inventar receitas extraordinárias para poder injectar nos nossos clubes no futebol, porque são eles, os nossos clubes, que trazem o futebol, o nosso futebol, como nós designamos, para cima. Eles dinamismo têm, capacidade têm, precisam é de ser ajudados. O tecido empresarial tem estado com muitas dificuldades, o que é importante também… com o apoio das autarquias, com o apoio do tecido empresarial e com o nosso contributo… todos nós andamos há quatro anos ou cinco a inventar medidas extraordinárias para apoio aos clubes, a mobilizá-los e a ajudá-los e este ano não foge à regra. São milhares de euros que cortamos nas receitas que os clubes pagavam para que possamos injectar no futebol. Por exemplo, na taxa do primeiro jogo nas 400 e tal equipas… não há taxa de jogo. Apoio às deslocações para a Taça do Ribatejo, para a Taça do Futsal, apoio para as inscrições, apoio para… por exemplo, um atleta que passe das camadas jovens para os seniores, no primeiro ano, paga como se fosse nos jovens. Apoios também para clubes que há mais de três anos estejam fora da Associação e se regressarem têm algumas ajudas. Naturalmente, e por isso, podemos dizer que nos últimos anos não perdemos nenhum clube para a concorrência, pelo contrário, os da concorrência têm vindo a aumentar os nossos clubes da segunda divisão e portanto este ano parece que vem outro. Mas também já foram dados passos importantes ao nível da reorganização do futebol em si e estou-me a referir àquilo que foi um trabalho durante dois ou três anos e em que nós assinámos um protocolo de cooperação com o INATEL. Neste momento, temos um protocolo de cooperação em que quem pratica futebol está mais unido, com regras mais definidas e portanto são atletas que a partir desse protocolo que foi assinado que permite essa parceria… já estamos a dar passos… porque isto de quem faz desporto, quem joga futebol, não precisa de haver futebol de uns contra os outros… nada disso. Pelo contrário, vamos no bom caminho, e as regras vão ser cada vez mais clarificadas para que possamos, cada um no seu espaço, porque todos têm espaço, mas o futebol é futebol… é o ponto mais alto em que todos temos de lutar por essa família do futebol.

Francisco Jerónimo e a Supertaça Alves Vieira, o primeiro troféu a ser disputado este ano, no dia 12, entre as equipas do Tomar e de Mação. Foto: mediotejo.net

Uma mensagem para todos os agentes desportivos…

A mensagem que eu desejo a todos aqueles que se envolvem neste fenómeno desportivo e que são apaixonados por futebol, tal como nós, é que se envolvam nesta época desportiva mais ainda, que se divirtam fundamentalmente, o futebol é para isso, vamos assistir a bons jogos. Acredito que este ano vamos assistir a bons jogos a nível do distrito, e o futebol, apesar da concorrência, também é uma escola de virtudes.

*Fotos – Jorge Santiago

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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