Entrevista | Fernando Freire e os 184 anos de concelho: “A Barquinha é uma terra de cultura”

Vila Nova da Barquinha assinala esta sexta-feira os 184 anos de elevação a concelho, após a assinatura do respetivo decreto pela rainha D. Maria II a 6 de novembro de 1836. Este ano, o programa de comemorações está condicionado devido à pandemia de Covid-19, sendo as atividades transmitidas via online.

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Nesta data relevante para o concelho, o mediotejo.net falou com o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, a comandar os destinos do Município desde 2013. Desde a luta contra uma pandemia de Covid-19 até ao combate à vespa asiática no concelho, passando pela importância da questão templária e da promoção da cultura, também pela fixação de projetos e empresas inovadoras e ainda esperança de requalificação do atual aeródromo militar de Tancos em aeroporto regional, o autarca conta-nos de onde vem e para onde vai este município ribeirinho.

184 anos de elevação de Vila Nova da Barquinha a concelho são, indubitavelmente, anos de história e de relevância para o território. Consegue destacar-nos os momentos que considera mais marcantes?

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Analisando as estruturas de longa duração inscritas na natureza do nosso território e nas fontes documentais identifico: – Em 1843 a visita da Rainha D. Maria II à novel Nova da Barquinha. Dada a circunstância de ter sido ela, a Rainha, a elevar este conhecido lugar, com enorme pujança económica, a concelho pela reforma administrativa de Passos Manuel de 1836 (Código administrativo e divisão administrativa do país), e, posteriormente, em 1839, à categoria de Vila com direito a brasão, esta visita relatada no Diário do Governo nº 256, de 30 de outubro de 1843 demonstra o enorme carinho que a mesma dedicava a este concelho e às suas gentes;

– Em 1862 e anos subsequentes, a construção da linha de caminho-de-ferro (linha do leste) com o nó do Entroncamento (à data território de Vila Nova da Barquinha), com a construção da 1.ª ponte sobre o rio tejo, na Praia do Ribatejo, que permitiu desenvolver o país com o livre acesso de pessoas, bens e mercadorias entre diferentes territórios, inclusive até Espanha;

– Em 1866, através da Portaria de 7 de agosto, a construção do Polígono Militar de Tancos; em 1868, com a unidade dos Pontoneiros, mais tarde Escola Prática de Engenharia, em 1880; entre 1921-1994 a Base Aérea n.º 3 com a criação de duas pistas aeronáuticas; em 1955, as tropas paraquedistas, o que demostrou a enorme importância estratégica e subsequente interesse económico para o nosso território. A presença contínua dos militares (do Exército e da Força Aérea) bem como as infraestruturas aqui presentes foram um enorme catalisador para o nosso desenvolvimento e bem-estar que resultou da visão de Fontes Pereira de Melo.

– Por último, quero relevar, a partir de 1976, a autonomia das autarquias locais e o princípio da descentralização administrativa, que permitiu criar infraestruturas na área de educação (complexo escolar novo), cultura (centro de interpretação e centro de estudos de arte), lazer e bem-estar (piscinas, parque desportivo e parques lúdicos, água e saneamento, etc.) bem como colmatar muitas das desigualdades existentes de modo a garantir o bem-estar e os interesses relevantes das suas populações.

“Estamos a testar, aleatoriamente, à custa do orçamento municipal, a comunidade escolar, os bombeiros, as IPSS e os trabalhadores”

Atualmente, uma das questões que domina a atualidade tem que ver com a pandemia de Covid-19. No caso de VN da Barquinha, tem sido dos concelhos que têm registado menos casos. Qual tem sido o “segredo” para o controlo da pandemia no território, apesar da proximidade a um município densamente povoado e onde os números da Covid-19 são mais elevados, como é o caso do Entroncamento?

No início de 2020 a nossa sociedade foi abalada por uma imprevista tempestade mundial que mudou radicalmente o nosso modo de viver e de estar e cujas consequências estamos ainda longe de alcançar. Nada vai ser como dantes, embora haja muitas ilusões que tudo voltará ao que era do antecedente. O território onde vivemos está – pela natureza da sua centralidade – sujeito a enorme fluxo de movimento de pessoas que hodiernamente utilizavam os caminhos-de-ferro bem como a A13 e A23.

A Barquinha aparece nos últimos índices do INE como o rating 21.º, entre 308 concelhos, com a variação anual de população (0,8%), sendo o único concelho em baixa densidade que aumentou população. Está em 28.º, entre 308 concelhos, com menor desemprego (1,7%). Estes dados demonstram, inequivocamente, uma grande mobilidade das nossas gentes. Por outro lado, o nosso território tem muita pouca construção em propriedade horizontal optando uma grande parte dos munícipes por viver em moradias de r/c o que poderá indiciar fracos contactos sociais.

Não há segredo para estes números. Os mesmos, à presente data, são resultado dos comportamentos e aceitação das normas emanadas pela DGS das nossas gentes. Continuaremos a lutar e a querer uma Sociedade com regras, espaços de oportunidades de negócio, de justiça, e paz.

O Município está a ponderar a adoção de novas medidas para fazer face à Covid-19 perante a chegada da época de inverno?

Estamos a testar, aleatoriamente, à custa do orçamento municipal, a comunidade escolar, os bombeiros, as IPSS e os trabalhadores (com consentimento prévio). Assim, podemos ter um retrato da pandemia no nosso concelho e atuar de modo preventivo.

As medidas adicionais impostas pelo Governo, bem como alargar as restrições já existentes a outros concelhos do território nacional continental, é uma medida cautelar que importa a todos e que temos de louvar, pois estamos perante a preservação de um bem supremo – a saúde de cada um de nós.

Também no concelho tem tido relevo a presença da vespa asiática. Quantos ninhos já foram destruídos este ano? Quais as recomendações que deixa aos munícipes?

Durante o corrente ano foram retirados 30 ninhos de vespa asiática no nosso concelho, com especial enfoque junto das margens do Zêzere, do Tejo e vale da ribeira de Tancos. As abelhas estão a ser dizimadas sem dó nem piedade, o que coloca em causa a sobrevivência de várias espécies fundamentais para a vida no planeta. Neste difícil combate temos tida a prestimosa colaboração do Fundo Ambiental, do Ministério do Ambiente, dos Bombeiros e da Associação de Apicultores do Tejo e Sorraia, com sede nas Madeiras, Praia do Ribatejo. A recomendação é que ao avistar o ninho não lhe mexam e entrem, imediatamente, em contacto com os nossos Serviços Municipais de Proteção Civil, através do telefone 966202191.

O concelho acolheu este ano a II Conferência Internacional dos Templários. Qual é a importância deste evento para Vila Nova Barquinha e o impacto que pode ter na região?

Portugal teve um papel protagonista no mundo durante séculos a fio, criando monumentos, gerando rotas, emigração de gentes, mutuação de fauna e de flora. Essa epopeia mudou o mundo deixando vestígios em todos os continentes. Vila Nova da Barquinha tem na sua génese vestígios e o gosto pela coisa militar. Desde os primórdios da nacionalidade, na reconquista, com Almourol e a Ordem do Templo e no século XV, já com a Ordem de Cristo (reconvertida da Ordem do Templo) com Frei Gonçalo Velho, Comendador de Almourol e da Cardiga, Beselga e Pias que mandou construir na foz do Zêzere, Cafuz, Praia do Ribatejo, as primeiras embarcações que partiram para a conquista do norte de África e à descoberta dos Açores.

“É público e notório, em Vila Nova da Barquinha, que as pessoas se identificam com a arte e a cultura”

Sente que existe desinteresse ou desconhecimento por parte da população perante esta questão templária ou tem sido algo que tem chamado a atenção dos barquinhenses?

A 1.ª conferência internacional foi um sucesso. A II conferência, sob o tema, Ordem do Templo – Cavalaria Espiritual – Templarismo, não permitiu a vinda de palestrantes estrangeiros nem a abertura ao público, devido à pandemia o que nos obrigou a uma solução alternativa, as conferências on-line, à disponibilidade do público em geral no site: https://centrotemplario.org/. A Barquinha é uma terra de cultura pelo que o interesse das suas gentes é óbvio, basta ver as partilhas nas redes sociais sobre templários e Almourol. Todavia, o Centro de Interpretação e a Biblioteca/Arquivo estão abertos ao público, à disposição da investigação e da educação, contribuindo para o desenvolvimento científico e cultural da sociedade como um todo, ou seja local, regional e internacional. Interessante é verificar o número de visitas ao Centro, mesmo em estado de pandemia, que ultrapassou todas as nossas expectativas. Ainda não podemos avaliar o resultado da II conferência internacional, a mesma ainda se encontra a decorrer terminando no dia 18 de novembro, com a abertura, ao público, da exposição “A Morte – Exéquias e Ritos de Tumulação dos Cavaleiros do Templo e de Cristo”, que encerrará este ciclo dedicado à II Conferência Internacional.

Em termos do concelho, existe uma grande aposta na cultura e na arte (desde o ciclo de jazz às diversas exposições). Porquê essa aposta tão vincada nesta área e qual o impacto que tem na população?

É público e notório, em Vila Nova da Barquinha, que as pessoas se identificam com a arte e a cultura. Lembro que o lema da no Agrupamento de Escolas –  este ano com um reforço de mais 110 alunos que no ano transato – tem a seguinte divisa “Ver, Viver e sentir Arte e Ciência”. Nas motivações culturais continuaremos a apostar no jazz, na galeria de arte permanente com exposições regulares (a próxima a abrir hoje), na residência para artistas, no atelier de desenho, de pintura, de fotografia e de vídeo. Na escultura com o parque de esculturas ao ar livre, com o projeto Artejo (pinturas murais) com obras de prestigiados escultores e artistas portugueses. No programa eleitoral colocado a sufrágio foi definido: “- Afirmar o território como território ligado às artes e à cultura nas suas mais variadas formas afirmando-o em torno deste tema.” Não estamos a fazer mais do aquilo que prometemos.

Vila Nova da Barquinha inaugurou recentemente o CAIS, o novo espaço empresarial. A adesão por parte de empresas que aí se quiseram instalar superou as expectativas?

Este Executivo apostou na promoção e acompanhamento de projetos e empresas inovadoras, quer no Centro de Negócios de Vila Nova da Barquinha, quer na zona objeto do Plano de Regeneração Urbana (PARU). O projeto Cais visou colocar, em zona PARU, no mesmo espaço físico várias microempresas e colocar ao seu dispor um conjunto de serviços, gabinetes, espaços para co-working e instalação virtual de empresas, proporcionando-lhes a inserção num ambiente empresarial adequado, bem como as condições necessárias ao seu sucesso. A adesão foi total por parte dos novos empreendedores o que muito nos anima nestes tempos complicados. Pretendemos continuar a criar as condições favoráveis para o crescimento da iniciativa privada no nosso território, com o apoio ao empreendedorismo jovem e contribuição para o reforço do autoemprego, designadamente de jovens licenciados e incentivando a criação de microempresas. Dentro em breve teremos boas novidades, diga-se mais empresas para o nosso Parque Empresarial pois, felizmente, existe muita atratividade para novos empresários no nosso território.

Fernando Freire, presidente do Município de Vila Nova da Barquinha. DR

Um dos investimentos que pode trazer uma nova dinâmica ao concelho é o projeto do BARK – Biopark Barquinha (investimento privado). Que impacto é que este projeto trará para o concelho e para a região e qual o ponto de situação que nos pode avançar sobre o mesmo?

Sem qualquer dúvida que deslocaria uma nova dinâmica não só à Barquinha, como à região. Dotaria o território de um investimento com uma valoração atrativa de fluxos muito significativa para um território de baixa densidade. Criaria um grande número de postos de trabalho qualificados (cerca de 200) e, por outro, certamente, dinamizaria a economia regional. O projeto representa um valor global de investimento privado na ordem dos 70 milhões de euros, que face à pandemia se encontra suspenso consabido que todos os fluxos de pessoas / clientes não permite a visitação. Aguardemos pela evolução da pandemia. Desejamos que em breve tenhamos uma vacina ou remédio para minorar todos estes constrangimentos.

Vila Nova da Barquinha é um dos dois municípios do país apenas com uma agência bancária. Representa um problema ou é suficiente para os movimentos da população e empresários instalados no concelho?

Sim, temos a agência da CGD. Em consequência de restruturação da banca, com muitos dos processamentos bancários a serem feitos online, e apesar do aumento de população, não vislumbro a instalação de novas agências. A não ser que alguém se queira instalar o que, obviamente, acolheremos com muito gosto. Julgo que face à proximidade de agências noutras localidades, algumas a menos de 2 Km, não haverá grandes constrangimentos para pessoas ou empresas.

Em termos de saneamento básico, qual a atual taxa de cobertura no concelho?

A taxa de cobertura de saneamento, com a conclusão do sistema das Madeiras em 2020, e com a previsão de cobertura, já em 2021, nas Limeiras – Matos, estará perto dos 95%. Ficará planeado, para 2023, a intervenção na zona norte da Atalaia, mormente na Rua D. Dinis e Quinta da Margarida.

“Quem não luta já perdeu. Não será por falta de determinação, e convicção, do presidente da Câmara da Barquinha que a recuperação das infraestruturas em Tancos não será executada”

É presidente da Câmara Municipal desde 2013. Ao longo deste tempo, qual tem sido a maior luta com a qual se tem deparado?

Sem dúvida que o atual Aeródromo militar de Tancos, situado no Polígono militar de Tancos. A ex-Base Aérea n.º 3, da Força Aérea, está dotada de duas pistas de 2440 m e 1200 m de comprimento, com necessidade premente de recuperação das pistas e das infraestruturas aeronáuticas adjacentes. A requalificação desta infraestrutura regional permitiria dar resposta adequada às atividades: militares, de proteção civil, do transporte de mercadorias, do turismo cultural, de lazer e religioso.

Precisamente a possibilidade de um aeroporto regional em Tancos tem sido tema alvo de debate nos últimos tempos. A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo adjudicou, inclusive, um estudo preliminar para o aproveitamento do aeródromo de Tancos para aviação civil e respetiva viabilidade. Na sua perspetiva, acredita que Tancos tem o que é preciso para avançar e tem hipótese perante outras possibilidades como, por exemplo, Monte Real?

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo pretende avaliar a mais-valia de ter o Aeródromo de Tancos como a porta de entrada na Região através do modo aéreo, tendo já encomendado o estudo à TIS. Todavia, estamos cientes que a decisão será sempre da administração central. Quem não luta já perdeu. Não será por falta de determinação, e convicção, do presidente da Câmara da Barquinha que a recuperação das infraestruturas em Tancos não será executada.

Há dois mandatos à frente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, prepara-se para se recandidatar a um terceiro?

“Tempus regit actum” é um brocardo latino que significa, “o tempo rege o ato”, ou seja, ainda não é tempo de pensar em recandidaturas, é o tempo de trabalhar, ademais neste tempo de pandemia.

“O Município baixou consideravelmente as suas dívidas, no último ano (4.º trimestre de 2019) de -20,37%, tendo uma margem disponível por utilizar de 1.884.466,00 €”

O que gostava de ver concretizado neste último ano antes das eleições autárquicas?

Gostaria de concluir o projeto submetido ao PDR 2020 de renovação de aldeias; a homologação do Percurso Pedestre ”No Rasto dos Templários” e a reabilitação de vestiários e de instalações sanitárias de apoio à prática do pedestrianismo, nas Limeiras; a remoção do amianto, no Bloco C da Escola C+S; no JI da Atalaia, e no JI da e EB1 da Praia do Ribatejo; a Eficiência energética nos edifícios públicos – Piscina Municipal; a criação do Gabinete de Saúde Oral no USF da Barquinha, e por último, as Rotas e Percursos do Médio Tejo, ligação do Barquinha Parque até Constância.

Financeiramente, Vila Nova da Barquinha é um concelho que está de boa saúde?

O Município baixou consideravelmente as suas dívidas, no último ano (4.º trimestre de 2019) de -20,37%., tendo uma margem disponível por utilizar de 1.884.466,00 €. Tem sido, até à presente data, bom pagador a fornecedores, com uma média de pagamento a fornecedores de 30 dias. Do lado da receita, tivemos uma execução de 87,40% e do lado da despesa tivemos uma execução de 86,95%.

Fernando Freire, presidente CM Vila Nova da Barquinha. Foto: DR

Foi conhecido recentemente o Plano Nacional de Investimentos 2030. Nesse plano consta uma nova travessia sobre o Tejo. A seu ver, a criação de uma nova ponte iria mais ao encontro das necessidades da população se fosse entre Vila Nova da Barquinha e Constância, nomeadamente para “resolver” a questão na ponte da praia do Ribatejo, em que só pode circular um sentido de trânsito de cada vez?

Importa relevar que quem neste momento as despesas da Ponte da Praia do Ribatejo são suportadas pelas Câmaras Municipais de Vila Nova da Barquinha e de Constância. Ou seja, devemos ser dos poucos municípios que pagam, do seu orçamento municipal, uma ligação entre 2 estradas nacionais, a EN3 e a EN118. No caso do PNI 2030, está prevista a nova travessia sobre o Tejo (Abrantes/Constância), bem como a melhoria das acessibilidades na região do Médio Tejo. Não nos importa o local da sua construção, desde que a mesma seja consensualizada com os órgãos legitimamente eleitos das autarquias. O que acho mais importante – que a localização desta ponte – é lutar, também, pela inclusão da Ponte da Chamusca. Como referi em artigo publicado no mediotejo.net no pretérito dia 27 de outubro, “Devemos continuar a lutar para que seja dada prioridade à construção de uma nova ponte na Chamusca ou através do PNI 2030 ou do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou outro cujo nome não interessa às populações pois … o importante é que a obra aconteça.” .

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Ana Rita Cristóvão
Quando era pequena, passava os dias no campo a fazer de conta que apresentava o telejornal. Rumou à capital para se formar em Jornalismo e foi aí que se apaixonou pela rádio. Gosta de abraços e passa horas a ouvir as histórias dos mais antigos. É fã de chocolate, caminhadas sem destino e praias fluviais.

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