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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Entrevista | Casimiro Ramos, o novo homem ao leme do CHMT (C/VIDEO)

Casimiro Ramos, 58 anos, é o novo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) o novo homem ao leme de uma instituição com hospitais em Abrantes, Tomar e Torres Novas e mais de 2.100 funcionários.

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Homem afável e de bem com a vida, o gestor, que já plantou muitas árvores, publicou vários livros, e é pai de duas filhas, é fã dos Xutos e Pontapés e não esconde que, além de homem do leme, vem para ser mais um “homem do remo, ao lado dos outros”, e ao serviço da saúde pública da região e do CHMT.

Elogiando o trabalho desenvolvido pela equipa anterior, liderada por Carlos Andrade Costa, Casimiro Ramos diz que não vem para mudar, antes “manter e reforçar” o que existe.

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Casimiro Ramos, 58 anos, é o novo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Foto: mediotejo.net

Como se deparou e encarou esta nova realidade de dirigir um centro hospitalar composto por três hospitais separados entre si por 30 quilómetros?

Sim, tem as suas singularidades. Sinto-me mais um homem no remo ao lado dos outros, do que propriamente um homem do leme e é exatamente nessa questão que eu foco o desafio. É um barco único, tendo no entanto três componentes, e onde é necessário que todos remem no mesmo sentido. E obviamente que isso é difícil, e é sempre um caso com as suas particularidades embora existam outros Centros Hospitalares com alguma dispersão geográfica, mas o desafio deste Centro Hospitalar, que acaba por funcionar num triângulo, é bastante aliciante para tentarmos exatamente ter sucesso numa articulação que é obviamente necessária, estando no remo ao lado de todos os profissionais que estão nesta unidade e ao lado de todas as instituições e comunidade em geral, que abrange desde Câmara Municipais, a Bombeiros, Comissão de Utentes, Coletividades e pessoas em geral.

Portanto, é nesse intercâmbio, nesse processo, que vai a minha disposição e motivação, de dar continuidade ao que tem sido bem feito, de termos a preocupação de que há sempre a possibilidade de melhorar e limar arestas, e é esse o meu propósito, motivação e missão, é conseguir dar resposta com as três unidades de uma forma articulada entre os serviços, entre os profissionais, e que a população sinta que tem nesta área, embora a dispersão, cuidados de saúde de qualidade e que o Serviço Nacional de Saúde dá uma resposta de qualidade e de preferência, para além daquilo que é o direito que se tem enquanto cidadão português.

Isto é, o objetivo é que não sejamos só uma fonte onde alguém vai para ter um cuidado ou prestação de saúde porque tem esse direito. mas sim porque antes quer esse direito, porque é bem atendido, tem qualidade de serviço. E é nesse propósito que encaro o meu desafio, com motivação, com as dificuldades que surgem como em todo o lado, mas desde que as coisas estejam claras e as rotas bem traçadas, todos sabemos em que sentido remar, e o objetivo é remarmos todos no mesmo sentido para prestar esse serviço de qualidade à população.

Mantendo a estratégia de complementaridade de valências entre os 3 hospitais?

Exatamente, eu estou aqui nestas funções como um facilitador daquilo que é o trabalho prestado pelos profissionais desta casa, que são de facto os protagonistas da ação de saúde, e eu terei simplesmente de ser o porta-voz das preocupações deles em determinados contextos, da tutela, e facilitar a implementação das medidas da tutela também, e portanto, essa complementaridade e diversidade de serviços, a aposta na inovação de novos serviços, passa por essa articulação entre as três unidades, numa perspetiva ainda mais ampla que é a de servir todos os concelhos que no fundo fazem parte da abrangência do Centro Hospitalar, onde exista um tratamento igualitário, no sentido de facilidade de acesso, de prestação de serviços, numa lógica regional da prestação do cuidado.

Casimiro Ramos diz que vem para ser mais um “homem do remo, ao lado dos outros”. Foto: mediotejo.net

Portanto, junho marca o seu início como presidente do conselho de administração, que era composto por cinco elementos e que agora tem quatro, portanto, acumula funções com a de um dos vogais do conselho executivo?

Sim, de momento a tutela ainda não teve oportunidade de nomear o quinto elemento, e tudo continuará a funcionar normalmente com mais sobrecarga repartida entre nós os quatro, mas até que a tutela tenha a possibilidade de nomear esse quinto elemento vamos assegurar com toda a tranquilidade. Essa área financeira tem de facto sido a área à qual tenho dedicado mais tempo ao longo da vida, e em particular na área relacionada a gestão da saúde, fui vogal de direção da ARSLVT, com o pelouro da área financeira, e portanto é algo em que todos podem estar tranquilos, tudo decorrerá com normalidade.

Tem 58 anos, é natural de Arruda dos Vinhos, vive em Torres Vedras, e vem todos os dias para Torres Novas? Como foram os primeiros dias no Médio Tejo?

Os primeiros dias foram fantásticos. O primeiro e segundo dia cheguei por volta das 9:00, apresentei-me a quem ainda não conhecia. Achei que fosse algo que eu tinha de fazer. Conhecer as instalações e as pessoas. Fomos ao hospital de Tomar e Abrantes e voltámos ao de Torres Novas, portanto conheci do último piso às caves, serviço a serviço, e foi fantástico. Podia ter feito uma reunião – algo que chegará a seu tempo – mas achei que primeiro tinha de ir conhecer o barco e as pessoas.

Casimiro Ramos assumiu este mês o cargo de presidente do Conselho de Administração do CHMT. Foto: mediotejo.net

Qual a primeira decisão que tomou desde que ocupou o cargo?

É complicado de dizer. Nessas visitas sinalizámos logo várias coisas que gostaríamos de tomar como decisões (as decisões são tomadas em conselho de administração em reunião que acontece às quintas-feiras à tarde) e já não me lembro de qual foi o primeiro ponto da ordem de trabalhos, mas já tomámos algumas decisões, mas enquanto ainda não estão tomadas não posso dizer…

Uma das decisões foi reunir por exemplo com os representantes dos utentes, a comissão de utentes…

As decisões tomadas de imediato foram de facto contactar o conjunto de entidades, efetivamente foi essa a primeira decisão. Daí que tenha entrado em contacto com as Câmaras Municipais onde estão sediadas as três unidades, o presidente do ACES Lezíria, Carlos Ferreira, com quem já trabalhei, a diretora do ACES do Médio Tejo, Diana Leiria, o presidente do conselho de administração do Hospital de Leiria, a presidente do conselho de administração do Hospital de Santarém – que são fatores-chave como vizinhos e como colaboradores intensos do serviço prestado – e com a Comissão de Utentes. Eram os primeiros contactos a fazer, agora vamos passar a uma segunda fase – que continua a ser a primeira – que é um contacto mais direto com reuniões com as diversas áreas de gestão do hospital, direções de serviço, enfermeiros-chefe, etc. vai ser o passo seguinte, a curto prazo. Vamos reunir o conselho consultivo para breve. E portanto com a Comissão de Utentes, apresentámo-nos, ouvimos as suas preocupações dando-lhes boa nota do ponto de vista das preocupações e congratulo o empenho, conhecimento e voluntarismo das pessoas da Comissão de Utentes e que trazem efetivamente um contributo muito grande naquilo que é o pulsar das necessidades que os utentes lhes manifestam e que eles são porta-vozes e reivindicam com todo o direito, portanto para mim são um parceiro fantástico e fundamental porque nos permite sinalizar situações que possam ser melhoradas.

Obras em curso, obras anunciadas, perspetivadas, investimentos necessários que estejam identificados, recursos humanos, tudo para prestar um serviço hospitalar de qualidade duma área vasta. Como se concilia tudo isto?

Quanto às obras e investimentos, o que está em curso e programado é continuar – como digo, eu não venho fazer nenhuma revolução, não sou revolucionário nesse sentido, gosto de implementar coisas que venham melhorar o que existe – foi feito um trabalho que eu considero excelente pela administração anterior, reconhecido pela população e por várias entidades, e eu quero dar continuidade a isso. Eu vou fazendo um acompanhamento semanal, do ponto de vista formal, ou pontualmente quando há necessidade de o fazer – só cá estou há duas semanas, mas já está implementado esse sistema – as duas obras emblemáticas do momento é o TAC aqui em Torres Novas e a Ressonância Magnética em Abrantes, tem um prazo de conclusão que eu vou sistematicamente acompanhar, porque cada dia que passe para além disso são utentes que deixam de ter assistência e não quero que isso aconteça de maneira nenhuma. E portanto, garantidamente, estamos a trabalhar para que tudo o que está previsto e é necessário e para concretizar. Coisas novas vão surgir do trabalho de ouvir e ver para no fundo também construir um novo plano de atividades, e nessa altura teremos a conversa para dizer que para além do que temos para terminar no próximo ano, poderemos também dizer que o nosso projeto será realizar “estes determinados investimentos em equipamentos, infraestruturas, pessoas”, mas isso vai estar associado à estratégia que queremos implementar de melhoria dos cuidados de saúde, portanto será a resposta àquilo que também vamos identificar junto dos profissionais que, do ponto de vista deles, melhora o serviço que prestam.

Homem afável e de bem consigo e com a vida, o gestor já plantou muitas árvores, publicou vários livros, e é pai de duas filhas. Foto: mediotejo.net

Chega num período complicado, de pandemia, estamos numa fase em que não estamos livres do problema e onde há novos desafios que se levantam nesta fase menos aguda. Que desafios se levantam para o presente e futuro e curto-médio prazo das sequelas da Covid, recuperação de consultas, intervenções cirúrgicas… 

Esse é de facto um problema bastante complexo, do ponto de vista da abrangência que pode ter e da imprevisibilidade que ainda tem. Ninguém pode garantir que o problema da Covid estará resolvido dentro de seis meses ou um ano, porque a imprevisibilidade é grande. E isso tem implicações também naquilo que é a assistência a questões não-Covid. Há todo um conjunto de patologias e de doentes que de momento tem aguardado e aumentado em lista de espera por causa da pandemia, e que quanto mais se prolongar, embora se vá recuperando, vai sempre aumentando. E não podemos achar, de qualquer forma, que mesmo que a situação Covid vá diminuindo que acabou. Acho que devemos tirar a lição que estes problemas de vírus pandémicos vão continuar, com variantes e novos que vão surgir, por toda uma questão ambiental, de alimentação, de produção de produtos que ingerimos, poluição e tudo mais. É uma aprendizagem que devemos estar preparados sempre para eventualmente termos, no fundo, uma banda de atendimento que estará associada inclusivamente às complicações pós-covid e de doentes que vão ter mazelas, ou outras doenças que vão resultar da Covid que ainda não está bem claro quais são, mas que eventualmente poderão com certeza existir.

E isso associado efetivamente ao vírus, todo o conjunto de doenças e de necessidades de resposta que foram ficando para trás, daí que vamos diagnosticar com os diversos serviços e fazer um plano de intervenção para dar uma resposta o mais rapidamente possível para tentar trazer uma normalidade àquilo que são de facto um conjunto de situações que precisam de facto de uma resposta urgente, e isso vai passar por um plano de intervenção ainda a elaborar para, de uma forma organizada, possibilitar uma capacidade de resposta.

Casimiro Ramos lidera uma instituição com hospitais em Abrantes, Tomar e Torres Novas e mais de 2.100 funcionários. Foto: mediotejo.net

Veio gerir o maior empregador do Médio Tejo, este centro hospitalar que emprega mais de duas mil pessoas. Uma palavra para eles…

São cerca de duas mil pessoas, diretos. Há ainda todo um mundo à volta, indireto, com bombeiros voluntários, fornecedores da região etc. A minha primeira palavra é pedir-lhes desculpa por eventualmente alguns receberem a primeira palavra pela comunicação social e não diretamente, mas a minha palavra é no sentido de agradecer. Agradecer como cidadão, como português, como pessoa, por tudo aquilo que tem sido o esforço que todos têm desenvolvido neste tempo em particular, que muitas das vezes as pessoas podem não ter a ideia do que tem sido para todos eles, as condições em termos físicos e psicológicos durante os cuidados prestados durante a pandemia, o quanto sacrificaram as suas famílias, e que cada português cada vez que não mantém a distância ou que não usa a máscara, que pensem que isso pode não só trazer problemas para si mas que também vai sobrecarregar pessoas que estão a dar o melhor para que os outros não tenham esse sofrimento. Daí que a minha palavra para eles primeiro seja de agradecimento por tudo o que são como profissionais e pessoas, e associar a isso o meu apoio e a minha disponibilidade para ser um facilitador daquilo que são os seus esforços e em conjunto, à frente ou ao lado deles, ser uma mais valia para os ajudar a sermos todos uma mais valia para prestar cuidados de saúde à população.

Em termos de recursos humanos, não está nada perspetivado, só reforçar, melhorar, formar, ajudá-los a desenvolver as competências dentro daquilo que são os programas que vamos implementar e que estão em curso, sempre capacitando todos os profissionais, de todas as áreas, para que possa ser dada a melhor resposta às pessoas.

Casimiro Ramos é o novo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Foto: mediotejo.net

Uma palavra à população do Médio Tejo e que conta com os serviços do CHMT…

A palavra que tenho a dizer à população, relacionada com todas as dificuldades que surgem no acesso e à prestação dos cuidados, é que tenham confiança e a certeza que temos esses problemas bem sinalizadas e presentes. Não fazemos ouvidos moucos a coisas que sabemos que são evidentes, mas que têm um conjunto de constrangimentos que têm de ser resolvidos a pouco e pouco, em diálogo e parceria com os bombeiros, as câmaras municipais, de forma a encontrar um conjunto de soluções que minimizem os “transtornos” que esta dispersão de 30 kms entre hospitais traz, e concentrarmo-nos na mais-valia que também as três unidades têm. Imaginando que era só uma unidade, onde se colocava? Fosse só uma ou sejam três, haveriam sempre circunstâncias desfavoráveis. Existe de facto um conjunto de constrangimentos e de dificuldade de mobilidade, e que a nossa preocupação e a palavra para a população é que isso está sinalizado e bem presente, e que iremos trabalhar no sentido de minimizar os transtornos que efetivamente existem.

Alguns serviços são de topo e referência nacional, é essa qualidade que se pretende manter e reforçar?

A título de exemplo, não querendo dizer que alguns são mais de top que outros, como exemplo, a cardiologia é de topo, mas temos também o laboratório [de Patologia Clínica] de topo do país que durante o tempo covid fez 1800 testes por dia. Acho que mais do que nos congratularmos é ter a garantia de que existe um serviço de qualidade, com bons profissionais, entre os melhores do país, e isso vai ser uma aposta nossa em diversas áreas e especialidades, onde para além do direito as pessoas tenham também a vontade de ir, por saberem que vão ser bem atendidas e que há qualidade, e portanto o nosso foco é dar meios e condições aos nossos profissionais para estarmos no topo da qualidade nas diversas intervenções que são feitas.

*Fotos e multimédia: David Belém Pereira

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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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