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Domingo, Julho 25, 2021

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Entrevista: À Mesa com… Miguel Borges

Convidámos Miguel Borges para se sentar connosco à mesa e o presidente da Câmara Municipal do Sardoal abriu-nos as portas da sua casa para um almoço de família. Entre uma garfada e outra da caldeirada de peixe, que repetimos, falámos sobre as vidas do maestro e do Sardoal, desde as brincadeiras de infância nas ruas de Abrantes até aos bifes com mel que cozinha para os filhos. A cultura não ficou fora da ementa, nem os incêndios que recentemente destruíram mais de 800 hectares do concelho de que se tornou presidente em 2013. O pesadelo coincidiu com o dia do seu 51º aniversário: “Os meus piores dias como presidente de câmara, como autarca, como político.”

Nina, a cadela, recebe-nos quando entramos na divisão da casa que Miguel Borges diz ser uma das suas favoritas. Os sofás e a televisão partilham o espaço com molduras que imortalizam momentos da família Borges, estantes repletas de livros sobre os mais variados temas e, claro, o piano. No cabide da entrada encontramos pendurado o colete da Proteção Civil, marca recente do incêndio que assolou o Sardoal quando o seu presidente se preparava para celebrar o 51º aniversário.

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A mesa está posta para a refeição que partilhamos com Ana, a esposa, Leonor, a filha de 12 anos, e Pedro, o delfim da família, com nove anos, e decorre num ambiente descontraído em que a partilha de memórias da infância e a análise de factos recentes do concelho sardoalense são interrompidos pelo levantar dos pratos ou por um “come, Pedro”. Perante o bolo de maçã caseiro e o licor local do final quase esquecemos as perguntas e o almoço passa a ter sabor de fim-de-semana.

Costuma vir almoçar a casa regularmente?

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Venho sempre almoçar a casa. Quando não almoço em casa é porque não temos tempo e almoçamos fora num dos nossos restaurantes. A Ana dá aulas na escola aqui ao lado e da câmara aqui é um saltinho. É a vantagem de viver no interior que muita gente ainda não percebeu. Tem muitas coisas boas, esta proximidade. Não termos que fazer quilómetros de filas de trânsito, não precisarmos de andar no mundo dos transportes públicos para ir almoçar a casa. Saímos do trabalho e em cinco minutos, no máximo, estamos em casa para almoçar. Às vezes é chegar, comer qualquer coisa e ir embora, mas mais vale almoçar em meia-hora e estarmos todos juntos.

O trabalho costuma sentar-se à mesa com a família?

Eu e a Ana por vezes trocamos ideias sobre temas da escola e certas coisas da câmara. Conversamos como é normal as famílias fazerem e às vezes os miúdos dizem-me “Oh pai, lá na escola uns amigos meus disseram para fazeres isto”.

Escola que, no seu caso, foi frequentada na terra natal, ou seja, o concelho vizinho de Abrantes.

Sim, sou de Abrantes, da freguesia de São João [hoje integrada na União de Freguesias de Abrantes, São Vicente e Alferrarede], a melhor das freguesias. Nascido no antigo Hospital do Salvador, o hospital velho. Até há bem pouco tempo tinha 25 anos de Abrantes e 25 anos de Sardoal. Como fiz anos recentemente desempatei para o lado do Sardoal e neste momento tenho 25 anos de Abrantes e 26 de Sardoal.

Morou com a família na cidade…

(interrompe)… na Rua Monteiro de Lima e mais tarde no centro, precisamente no mesmo edifício onde hoje mora a presidente de Abrantes e que foi remodelado. Depois morei em vários sítios. Morei perto do hospital, na Chainça e com o segundo casamento cheguei ao Sardoal, onde vim para a escola. Aliás, eu vim para o Sardoal há mais de 25 anos para o grupo coral do GETAS. Encontrei-me com um amigo numa formação de direção coral, o Manuel Luís Costa, que me disse porque não fazíamos um coro do GETAS no Sardoal. Vim para cá fazer o coro e por cá fui ficando.

Ou seja, o Sardoal começou por conquistá-lo pela música.

Sim, no princípio. Depois foi por outras razões (ri-se). É muito frequente as pessoas que vêm para o Sardoal ficarem. A beleza da vila proporciona essa atratividade.

fotos: mediotejo.net
Fotos: mediotejo.net

Que recordações tem da infância passada em Abrantes? Tinha algum refúgio, um sítio especial?

Um sítio especial em Abrantes para mim era a oficina do meu avô. Ele tinha uma oficina de latoaria na Rua Monteiro de Lima e era o local de concentração, meu e dos amigos, ali naquela rua. Em frente há uma casa com uns degraus, que era do Dr. Albertim, e ali era o palco onde fazíamos os espetáculos. Esses são os locais mais interessantes da minha infância porque havia ali muitos miúdos e brincávamos muito. Brincávamos com os carrinhos no passeio e fazíamos grandes espetáculos. Esses foram os principais lugares até determinada altura, em que passou a ser Abrantes toda.

Altura também em que chegaram as escolhas profissionais.

Eu estudei lá na escola primária dos Quinchosos, na Miguel de Almeida e, por último, no liceu. As minhas escolhas profissionais foram feitas muito cedo porque tive contacto com a música desde os seis anos, inicialmente no coro da igreja de São João, onde cantava ao domingo num coro com outro grau de qualidade. Ao sábado era para os meninos da catequese e permitiam-me tocar órgão. Depois, claro, o Orfeão de Abrantes desde os seis anos também. Cantei no coro infantil e aí foi a minha grande escola porque permitia ter acesso a uma quantidade de instrumentos que eu não tinha. Tinha a chave e desde muito cedo fiz parte da direção, a partir dos treze anos. Era o local onde passava muitas noites, algumas quase até ser dia, porque tinha lá a viola, o piano, o órgão, a bateria e outros instrumentos musicais. Passava ali muitas horas sozinho a tocar.

O que motivou esses primeiros contactos com a música, quer no coro, quer no Orfeão de Abrantes?

Naquela altura nós não tínhamos tantos desafios e então quando ia um miúdo da zona, íamos todos. O Orfeão de Abrantes chegou a ter 50 elementos ou mais até. A rapaziada andava toda no Orfeão de Abrantes. O maestro era o senhor Henrique Santos e Silva, que trabalhava numa relojoaria ao cimo da rua, a Ourivesaria Palma. Foram muitos anos e a partir daí passei para o coro adulto muito cedo. Fui ficando e aos 18 anos comecei a dirigir o coro infantil. Trabalhava com o Rui Picado nos ensaios até que chegou a altura de eu ter o meu coro e encarar a música de forma profissional. Foi o que fiz, fui para o Conservatório e fiz o meu curso de Composição. Depois o estágio de professor de Educação Musical na Escola Superior de Educação e o curso de Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa.

Alguma vez equacionou uma carreira profissional que não fosse ligada à música?

Não, nem política sequer. (ri-se) Nenhuma. Só ligada à música. Passar para a vida política foi pura coincidência porque nunca fez parte dos meus planos apesar de ter uma participação cívica desde os meus tempos de liceu nas associações de estudantes e assim.

Miguel Borges pára para elogiar o cozinhado da esposa, que lhe responde que as batatas cozeram “tempo demais” e recebe a resposta “eu gosto delas assim”. Ana diz que gosta de cozinhar quando tem tempo e lembramos-nos do comentário do presidente da câmara municipal quando entrávamos em sua casa, sobre os elogios do filho aos seus grelhados.

Já sabemos que tem fãs dos seus grelhados. O “expert” do grelhador também passa tempo na cozinha?

Ana Borges: Agora não tanto, antigamente tinha mais tempo. Agora a disponibilidade não é muita.

Miguel Borges: Nem de um, nem de outro. Por isso comemos mais vezes fora.

Ana Borges: Antigamente, quando éramos os dois professores, sim, mas depois de ir para a câmara tornou-se mais complicado. O Miguel até cozinhava bastante e tem jeito. Há coisas que eu não faço, que só ele é que faz (ri-se).

fotos: mediotejo.net
Fotos: mediotejo.net

Por exemplo?

Ana Borges: Bacalhau… (é interrompida por Leonor que prefere “aqueles bifes muito bons”) … Sim, os bifes na frigideira. Mais um lombo que ele faz no micro-ondas e eu não sei como é que ele faz, mas faz bem.

Miguel Borges: Os meus bifes têm uma particularidade, nunca são iguais… (é interrompido por Pedro que revela o ingrediente secreto “levam mel”)… Vou inventando! Às vezes ponho compotas, outras faço com mel porque eles gostam.

Bifes com mel, receita exclusiva que não se encontra numa ementa da escola do Sardoal. Além dessa escola, em que outros locais deu aulas?

Dei aulas no Colégio de Fátima em Abrantes, estive lá sete anos. Estive em Alvega uns dois ou três anos, mais dois em Vialonga, quando fiz o estágio, depois estive um ano na Miguel de Almeida e mais tarde no Sardoal. No Sardoal falamos de 20 anos.

Até à data em que passa a fazer parte do executivo municipal.

Sim, em 2009, quando fui eleito vereador e vice-presidente.

Sentiu muita diferença na rotina diária?

Eu tinha uma vida muito agitada porque, além da escola, tinha a Filarmónica e cheguei a ter ao mesmo tempo a Orquestra Ligeira de Abrantes. Tinha sempre muito trabalho. (reflete um pouco) É completamente diferente porque senti uma necessidade enorme de voltar a estudar. A estudar o quê… a estudar os dossiers, administração pública, contabilidade. Não falo de estudar profundamente, mas de ter uma noção mínima daquilo que era a gestão de uma câmara municipal. Não tinha essa preparação e fui adquirindo-a com o tempo e complementando com alguma formação que fui fazendo. Foi mais difícil neste aspeto.

Pegando nesta passagem e tendo uma vida ligada à música, como reage quando lhe dizem que os políticos dão música às pessoas?

Costumo dizer que comigo isso não funciona porque a mim ninguém me dá música. Músico sou eu. Como em todas as profissões, há bons e muito maus políticos. Vulgarmente, a notícia é o homem que mordeu o cão e nunca o cão que mordeu o homem. É frequente ser notícia de jornal uma má decisão ou uma decisão que é contra a lei num político. As boas nem sempre, ou quase nunca, são notícia. O que vai na notícia são os erros, o resto não faz capa de jornal. É assim na política, como com os médicos ou os professores. Há aqueles professores de quem nós nos lembramos porque nos marcaram pela positiva e há aqueles que marcaram pela negativa. Foram boas e más influências. É a mesma coisa na política. Eu venho com esse senso comum dos políticos isto e aquilo, mas a minha passagem por este período como político vem provar que a esmagadora maioria é empenhada. Posso dizer-lhe mais, eu não conheço qualquer colega com quem tenho trabalhado, com quem tenho lidado em que eu não sinta nele o empenho pela causa pública e sei quantas vezes as pessoas são injustas quando falam dos políticos, alguns até pessoas dedicadas e esforçadas. Na verdade, estamos sujeitos a estas coisas. Dou-lhe um caso concreto por causa dos incêndios que aconteceram recentemente no Sardoal. Diz-se de tudo de bom e de mau e sei como as pessoas são injustas às vezes nos seus comentários, nas suas críticas, mas também estamos cá para isso. Não vamos querer que as pessoas entendam todas de igual forma como nós entendemos. Tentamos explicar quando é caso para explicar e outras vezes as pessoas têm razão, nós falhamos como falha qualquer profissional.

fotos: mediotejo.net
Fotos: mediotejo.net

Torna-se impossível não falarmos no incêndio que atingiu os concelhos de Abrantes e Sardoal e consumiu mais de 800 hectares deste concelho, ironicamente quando se preparava para celebrar o seu aniversário.

Começou na véspera do meu aniversário. Aconteceu. Não consigo dizer as causas. Sei que, em termos climatéricos, eram explosivos com altas temperaturas e muito vento. Estava tudo reunido para que corresse mal, que ardesse. Eu nunca tinha passado por esta situação, felizmente, nem gostaria de ter passado. Tão dentro do terreno. Nem como vice-presidente aconteceu um sinistro com esta dimensão. Na verdade, são momentos de aflição. Posso dizer que foram mesmo os meus piores dias como presidente de câmara, como autarca, como político.

Qual é o sentimento que surge nestas situações?

A determinada altura é de impotência contra um inimigo que é mais forte do que nós. A Natureza assim o comanda. A primeira preocupação é salvar pessoas, garantir que não estão em risco, e depois os bens.

Perante esse risco tomou a decisão de evacuar a aldeia de São Simão durante o incêndio. Pondera-se muito nestes momentos?

Não. A partir do momento em que não estamos no terreno, no local propriamente dito, mas nos chegam as informações tem que ser tomada essa decisão e foi tomada naquele dia como seria tomada agora. Não estou absolutamente nada arrependido porque estamos a falar de uma aldeia com muita gente idosa. Essa decisão precisa de ser tomada com tempo e não quando a aldeia está completamente rodeada. Foi uma decisão política e técnica, nada foi feito sem que o Comando dissesse que havia condições para o fazer e quais as melhores condições de o fazer. Se não houvesse a garantia de que as pessoas podiam ser retiradas em segurança o melhor seria que as pessoas se mantivessem e reunissem num mesmo local e se fizesse a defesa desse local, mas foi possível retirar as pessoas da aldeia.

O Sardoal acabou por ser capa de jornal por um motivo negativo, mas poderia sê-lo por outras razões. O concelho devia ser capa de jornal por que motivo positivo?

Nesta altura pode muito bem ser o Encontro Internacional de Piano de Sardoal. Acho que dá uma boa capa porque vamos ter entre nós jovens pianistas entre os oito e os 22 anos de grandes escolas mundiais, com grandes professores, nomeadamente o professor Aquiles Delle Vigne que é, palavras da Antena 1, um dos génios do piano do nosso tempo. Não só como pianista, mas como professor. Todo o mundo quer aprender com Aquiles Delle Vigne, que vai estar no Sardoal. Vai ser uma semana de muita música, coisa que não é vulgar acontecer. Como alguém disse num encontro quando assinámos o protocolo com a academia Aquiles Delle Vigne, é possível fechar os olhos e o que está a acontecer pode ser no Sardoal, em Paris, em Roma, em Tóquio, em Nova Iorque, em Londres, em qualquer capital mundial. Pode ser no [La] Scala de Milão ou no [Royal] Albert Hall de Londres porque o nível é mesmo muito grande.

Protocolo esse que prevê a realização de diversos concertos no Sardoal ao longo dos próximos anos e se juntam aos que aqui vão ter lugar no âmbito da rede Eunice, projeto do Teatro Nacional D. Maria II. O Sardoal é cultura?

Eu costumo dizer que interioridade não é sinónimo de inferioridade e o sardoalense tem a possibilidade de ter acesso à cultura como tem a possibilidade de ter acesso a outros meios fundamentais, infelizmente não tem a todos ainda, como tem um português de Cascais, de Gaia, do Porto, de Braga. O sardoalense é tão português como os outros e paga os mesmos impostos. Também há entidades públicas, neste caso o Teatro Nacional D. Maria II e podia falar da Companhia Nacional de Bailado, que têm obrigação de descentralização para darem a conhecer o trabalho que fazem e para dar a conhecer trabalho de qualidade porque as pessoas só evoluem comparando com o que é feito noutros locais por outras pessoas com outra experiência profissional. Isto é evoluir e é obrigação das câmaras municipais, das entidades públicas, fazer esta descentralização. Na Rede Eunice são três os municípios que vão entrar na primeira fase, no próximo ano são mais três e daqui a dois anos serão mais dois, ou seja, um total de sete municípios nesta rede de itinerância dos espetáculos do Teatro Nacional D. Maria II. Já temos três marcados para a próxima temporada. O primeiro vai ser o clássico “Ifigénia”, os outros são em janeiro e maio e em junho vamos ter a Companhia Nacional de Bailado.

fotos: mediotejo.net
Fotos: mediotejo.net

Temos estado a falar de música e no espaço que diz ser um dos seus favoritos da casa ela está presente no piano, mas também na muita literatura que enche as estantes.

Sim, eu e a Ana gostamos muito de livros. Cada um já tinha a sua coleção e depois juntámos, o que faz com que tenhamos alguns repetidos. Foi sempre uma paixão nossa, mais até do que a própria música, e vamos comprando. Além de haver livros técnicos de música, há muitos livros de história, literatura e muita coisa que nós gostamos. Temos uma boa biblioteca. É sempre um grande investimento e temos uma rapaziada que também gosta muito de livros. Agora vamos comprando ao nível deles para depois começarem a ler os nossos.

Que local recomendaria aqui no concelho para um bom momento de leitura?

A zona de lazer da Lapa, os Moinhos de Entrevinhas e a Rosa Mana. São sítios de contemplação da Natureza em que as pessoas podem estar com calma e ler o seu livro. De manhã na Rosa Mana, depois de almoço na Lapa porque tem umas sombras fantásticas e ao fim da tarde, princípio da noite e durante a noite nos Moinhos de Entrevinhas porque têm um sol fantástico e é possível ver as estrelas como em poucos lugares da nossa região. É um roteiro excelente.

Ou seja, no Sardoal temos um cenário com cultura e património natural. Que mais lhe podemos acrescentar?

Gastronomia, temos boa comida e bom vinho. Temos pessoas boas que sabem receber, que sabem mostrar o seu concelho, o seu património. Pessoas que têm gosto naquilo que é deles, que é a terra deles. Temos boas tigeladas, bom arroz doce, bons bolos secos da Artelinho, bom pão e temos bom clima, daí ter uma boa produção de vinhos.

Falamos com um maestro por isso… se pensarmos no concelho do Sardoal como uma orquestra, qual é o instrumento mais difícil de dirigir?

O instrumento que desafina mais é a Saúde. Desta grande orquestra que se chama o nosso concelho, a Saúde é aquilo que mais desafina pela falta de médicos e pelo número de pessoas que não têm médico de família. Um problema que tarda em ser resolvido e é aquilo que gostaria de ver resolvido ainda neste mandato e o mais depressa possível. Infelizmente, as pessoas continuam a ir muito cedo para a porta do Centro de Saúde para conseguirem uma consulta, infelizmente tivemos um mês de agosto em que não havia médicos no Sardoal, quase durante todo o mês, e infelizmente não se vislumbra que isto termine. Porquê? Por falta de coragem política para decidir as coisas. Eu já dei várias sugestões. Ninguém me disse que eu não tinha razão e ninguém me disse que isso não podia ser assim, mas o que é certo é que há interesses, há corporativismos fortes que fazem com que o problema não seja resolvido. Por exemplo, não consigo perceber porque razão medicina é dos cursos em que o estado mais investe para formar um médico e, se possível, no dia seguinte à sua licenciatura permite que ele possa ir trabalhar para o estrangeiro ou para uma clínica privada. Não faz sentido, devia haver ali uma retribuição em serviço público daquilo que o Estado investiu na pessoa, principalmente nesta área em que temos uma grande carência.

A refeição e a conversa estão a chegar ao fim. O café é trazido para a mesa acompanhado por bolo de maçã caseiro e licor de medronho produzido localmente, pretexto ideal para fazermos o nosso brinde com Miguel Borges e Ana.

Por norma, terminamos a nossa conversa com um brinde e hoje é feito com um produto da terra. A que brindamos?

Primeiro que tudo à saúde, que todos tenhamos saúde. Depois ao sucesso do Sardoal, do interior e ao desenvolvimento da nossa região que bastante falta faz para termos um país equilibrado e não um país inclinado para o litoral.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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