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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Entrevista: À mesa com… Jacinto Lopes

Marcamos encontro às 13h em frente aos Paços do Concelho e as badaladas do relógio da Igreja dão prova de que ambos fomos pontuais. Jacinto Lopes surge sorridente, em mangas de camisa. É um homem simples e prático, o autarca que gere os destinos da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere há quase dois mandatos, mas que conta já com 23 anos de vida autárquica. Conhecido por dispensar mordomias (não tem motorista, por exemplo), mantém um grande sentido de humor e realça a sua capacidade de trabalho. Gosta de pessoas, e de ajudar as pessoas. Reserva as segundas-feiras para receber os munícipes mas, se lhe tocarem à campainha num sábado à noite, abrirá sempre a porta.

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Natural de Ferreira do Zêzere, Jacinto Lopes é o filho mais velho de um casal de comerciantes. Casado, tem 48 anos e um filho. É Técnico Oficial de Contas e empresário no ramo. Deixamos que escolha o restaurante e caminhamos a seu lado alguns minutos. Está um dia bonito, após uma noite chuvosa. O restaurante escolhido é “A Grelha”, a poucos metros dali. Vamos a pé. Cumprimenta algumas pessoas pelo caminho, atende uma chamada da esposa, e antes de entrarmos no restaurante, que parece apinhado de gente, pára dois minutos para falar com um munícipe que tem um problema para resolver. “Um presidente de Câmara está 24 horas sobre 24 horas ao serviço”, diria mais tarde.

Jacinto Lopes avisa que o restaurante costuma estar sempre cheio e neste dia não é excepção. Não reservou mesa, lamenta. Aguardemos, então. Confessa que costuma ir ali pelo menos uma vez por semana, às segundas-feiras, com um grupo de amigos.

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“Uma mesa para dois VIPS (Very Intelligent People) de preferência com janela com vista para o mar”, brinca com o empregado. Espreitamos a ementa do dia: “Bacalhau assado desfiado com feijão frade e Dourada Grelhada com Batata cozida”, sendo a opção de carne “Secretos de porco grelhados com batata frita e migas”.

Cinco minutos depois, indicam-nos uma mesa ao fundo da sala, junto à janela. Mesmo ao nosso lado, um casal almoça, ou seja, não temos toda a privacidade do mundo. Há barulho de fundo na sala e o gravador tem que ficar bem no centro da mesa, como se fosse o centro floral. Mas a conversa decorre fluída, sem entradas, com água e uma garrafa de vinho branco da Herdade Penedo Gordo. Optamos os dois pelo peixe, com o autarca a escolher o Bacalhau e a jornalista a Dourada Grelhada. Para sobremesa Peras bêbadas – “já as comi em muito lado mas nunca tão boas como aqui”, assegura – que compuseram a refeição que durou cerca de uma hora. No final, o café da praxe.

Escolheu bacalhau. É mais apreciador de carne ou de peixe?
Infelizmente, gosto mais de carne. Mas em alguns restaurantes opto pelo peixe, sabendo que é fresco. A este restaurante venho pelo menos uma vez por semana, há mais de uma década. Já é uma tradição almoçar aqui com os amigos. E quando tenho reuniões na vila que envolvam almoço, é o restaurante escolhido porque é rápido, recebem bem e criamos hábitos. Já era o meu restaurante habitual antes de ser presidente de câmara e continua a ser. Não mudei muito depois de ser presidente. E também não mudei de restaurante.

Mora perto da Câmara Municipal. Costuma ir almoçar a casa?
Segunda e sexta é garantido que almoço fora. Muitas vezes, por causa de reuniões, almoço fora de casa mas ao jantar raramente o faço.

Considera-se um bom garfo?
Apesar de ter este peso (aponta para o seu porte) não sou de comer muito. Gosto de comer, comer bem, mas não em muitas quantidades. Habitualmente peço a meia dose. Só que tenho um organismo em que tudo o que como o corpo guarda. Tenho uma vesícula preguiçosa (risos) que não me ajuda muito a emagrecer. Já fiz dieta várias vezes.

(A conversa é interrompida quando o empregado chega e anota o pedido. Presidente pede uma garrafa de água natural de 1/2 litro e vinho branco para acompanhar a refeição).

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Jacinto Lopes escolheu vinho branco para acompanhar a refeição. Foto:mediotejo.net

Lá em casa, é homem para vestir o avental?
Eu na cozinha, como diz a minha esposa, só para estorvar. Faço alguns pratos daqueles mais simples – sem grandes refogados e condimentos – mas não tenho grande jeito para a culinária. Embora a minha mulher brinque comigo, porque vejo muitos programas de culinária. E é verdade. Quando estou a fazer zapping e apanho um programa de culinária, fico a ver. Já fiz arroz de pato há uns anos e tive uma má experiência porque queimei-me. E quando é preciso fazer pratos mais elaborados, e a esposa não está ou não pode, uso uma tática infalível: vou ao restaurante buscar. Para comer ainda dou um jeito, agora para fazer… só mesmo em caso de necessidade.

E ir ao supermercado fazer compras?
Não é dos meus programas preferidos e fico sempre um pouco resistente à ideia, mas quando tenho que ir vou.

(Neste momento, o telemóvel do autarca toca pela primeira e única vez durante toda a refeição. Pede desculpa mas tem mesmo que atender.)

Que memórias guarda da sua infância?
Nasci no concelho de Ferreira do Zêzere, a sete quilómetros daqui. Lembro-me da escola, embora não me recorde do primeiro dia de escola. As nossas aulas só começavam em meados de outubro ou novembro, por falta de professor. Lembro-me de uma infância com mais vida do que há hoje, muito passada na rua. Os meus pais tinham uma mercearia e um café. Desde pequeno, habituei-me a trabalhar ao balcão e a conviver com as pessoas. Tinha sempre muita gente à minha volta.

E ajudava os pais no café?
Sim, era pequenino e já o fazia. Era das coisas que mais gostava. Estar no café. Isto porque tinha duas hipóteses: ou ajudava no café ou tinha que ir para a fazenda, ajudar na agricultura, porque os meus pais também tinham terrenos agrícolas. E era melhor estar no café do que na fazenda ou a trabalhar nas obras.

Vem de uma família modesta?
Não se pode dizer que a minha família fosse uma família modesta para a altura. Os meus pais sempre tiveram alguns bens, sempre tiveram actividades no comércio, tinham também um lagar de azeite… Vivíamos relativamente bem. Digamos que, se fosse hoje, era uma família de classe média. Embora tenha começado do nada. O que a minha família tem hoje foi resultado de muito trabalho, muito sacrifício e de algum esforço. Não nasci em berço de ouro mas sempre tive tudo o que precisava. Não tive tanto quanto o meu filho (se calhar tem até demais). As crianças hoje têm demais e valorizam mais as coisas que as pessoas. No meu tempo valorizávamos mais as pessoas. Estamos a perder isso, o que nos está a fazer falta. Nada se consegue sem trabalho. Os meus pais têm muitas coisas que resultou do esforço, do suor deles.

Que valores é que os seus pais lhe incutiram?
Costuma-se dizer que os filhos crescem com os exemplos dos pais. Os meus pais sempre foram pessoas sérias, honestas, trabalhadoras, amigos do seu amigo. Portanto, são valores que nos ficam porque vemos os nossos pais a tê-los e a praticá-los. Os meus pais são os meus pilares. Cresci a ver bons exemplos e tentei transmitir o mesmo ao meu filho. Penso que o consegui. Porque penso que um dos principais problemas do nosso país não é a economia mas sim a falta de valores. Se houvesse valores, não teríamos tantos problemas económicos. Não há uma crise económica. Há uma crise económica que resulta de uma crise de valores. Se estamos mal devemos isso a muitas pessoas sem escrúpulos que foram fazendo muito mal a este país, ao longo de muitos anos.

É filho único?
Tenho uma irmã que é treze meses mais nova do que eu. É Educadora de Infância e, como tal, tem corrido o país todo, Açores e Madeira inclusive, para conseguir colocação. Já tem mais de 20 anos de trabalho e continua a não ter local fixo. Acho que um dos principais problemas na área da Educação é os professores andarem toda a vida longe de casa. Não é bom para os alunos, não é bom para os professores. É preciso aproximar os professores das suas residências para terem estabilidade, para estarem mais calmos, com mais segurança e poderem ensinar as nossas crianças devidamente.

“Os meus pais são os meus pilares. Cresci a ver bons exemplos e tentei transmitir o mesmo ao meu filho. Penso que o consegui. Porque penso que um dos principais problemas do nosso país não é a economia mas sim a falta de valores. Se houvesse valores, não teríamos tantos problemas económicos. Não há uma crise económica. Há uma crise económica que resulta de uma crise de valores. Se estamos mal devemos isso a muitas pessoas sem escrúpulos que foram fazendo muito mal a este país, ao longo de muitos anos.”

Gostava de andar na escola?
Gostava. Com 12, 13, 14 anos costumava dizer que o meu primeiro dia de aulas era sempre o meu primeiro dia de férias (risos). Porque nas férias andava sempre lá por casa a ajudar os pais. Eram sempre “férias a fazer alguma coisa”. Não é como as férias de hoje, que se vai para a praia ou passear. Gostava muito de assistir às aulas e era um aluno relativamente bom. A minha disciplina preferida era Matemática, daí ter enveredado por esta área profissional.

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Jacinto Lopes entrou para a Câmara, como vereador, há 23 anos. Foto:mediotejo.net

O que é que queria ser em criança?
Queria ser bancário. Passado uns tempos comecei a querer ser Técnico de Contas. Tanto quis que consegui. Consegui realizar o sonho que tinha em criança de ser Técnico de Contas. E sempre trabalhei em contabilidade, contas e números. O que faz com que muitas vezes a minha esposa diga que estou sempre a trabalhar. Mas quando se faz o que se gosta não se cansa. Eu, felizmente, tenho esta sorte de trabalhar no que gosto. E trabalho muito. Em muitos dias, depois de sair da Câmara ainda vou para o escritório trabalhar. Mas faço-o com gosto.

Pelo que sei a sua formação foi feita também já a trabalhar…
Eu fiz o 12.º ano via de ensino. Depois estive um ano em Lisboa a tirar um curso de programador de computadores, que acabei mais cedo três semanas que os meus colegas porque me ofereceram emprego – na altura era assim e havia oferta de emprego – num escritório. Aceitei. Comecei a trabalhar com 19 anos. Depois estive dois, três anos sem estudar. Voltei a tirar outra vez o 12.º ano via profissional (noturno) para poder fazer o exame para Técnico Oficial de Contas. Depois estive mais dois ou três anos sem estudar e aos 25 anos comecei a tirar a licenciatura. Fiz o curso todo à noite, até aos 30 anos. Nos últimos quatro anos já casado e nos últimos três já com um filho. Portanto, sei o que custa estudar de noite. Foi muito exigente e tudo feito com muito sacrifício pessoal, porque também já era vereador na câmara municipal.

Como é que encaixa a política em tudo isto?
Fui, desde sempre, simpatizante do PSD. As vitórias do Professor Aníbal Cavaco Silva mexeram ainda mais comigo. Tinha, na altura, 16 ou 17 anos. Fiquei contente com aqueles resultados. Vim comemorar para Ferreira do Zêzere sozinho, de motorizada – não tinha carta naquela altura -, tornei-me militante ainda bastante jovem e fui convidado para entrar para a política em meados de 1993, pelo meu antecessor, Luís Ribeiro Pereira. Nessas eleições concorri em quarto lugar mas o terceiro desistiu passado pouco tempo e acabei por tomar posse como vereador. E foi aí que começou. No 1.º mandato ia só às reuniões de câmara, porque não tinha pelouros, no mandato seguinte passei a estar a meio-tempo e depois fiz dois mandatos a tempo inteiro e como vice-presidente. Fiz quatro mandatos até chegar a presidente de câmara. Este ano faço 23 anos de Câmara.

Ser presidente de Câmara estava nos seus horizontes?
Quando entrei para a Câmara, em 1993, era para ajudar. Sempre fui uma pessoa muito ativa no campo do associativismo… desde os 16 anos que estava envolvido em festas e quando entrei para vereador já estava ligado aos bombeiros. Achei que podia ajudar o meu partido, os meus concidadãos, a minha terra. Mas as coisas evoluem. Comecei a ter alguns pelouros, a estar mais no terreno, a trabalhar, e quando era vice-presidente as pessoas incentivavam-me a ser presidente de Câmara. Pensei: “Porque não?” Fui eleito presidente do partido e, a partir daí, ficou definido que seria eu. Ganhei os dois atos eleitorais com maioria absoluta. Foi o reconhecimento do trabalho que fiz como vereador no concelho mas também pelo trabalho que fiz nas associações. Apesar de ser presidente de Câmara, estou ainda num conjunto muito vasto de associações. Não abandonei o associativismo.

O que é o que motiva no associativismo?
Gosto, sobretudo, de estar envolvido em associações que, mais diretamente, possam ajudar a vida das pessoas. Estive nos bombeiros muitos anos, como presidente do Conselho Fiscal e presidente da direção. Passei pela Santa Casa da Misericórdia e agora voltei e sou presidente do Conselho Fiscal. Também sou presidente de uma associação que tem um centro de dia, apoio domiciliário e um centro de acolhimento temporário para crianças que foram abandonadas ou retiradas aos pais. Sempre estive ligado a associações que podem ajudar a melhorar a vida das pessoas. Gosto de ver o meu trabalho refletido na vida das pessoas. Gosto de conviver, de ajudar o próximo e de estar disponível para os outros. Tenho um lado humano marcado, apesar de me dar bem com essa ciência fria e exacta que é a matemática.

E a sua vida… mudou muito depois de ser presidente de Câmara?
Não mudou muito. Mais responsabilidade, sobretudo, mas em termos pessoais não mudou nada. Continuei a ir aos mesmos restaurantes, aos mesmos cafés e a fazer a minha vida. Não sou pessoa de mudar a minha maneira de ser e de estar só porque há eleições ou fui eleito Presidente de Câmara. Quem me conhece sabe que eu sou assim e há quem me conheça desde pequenino. O que costumo dizer é que quem gosta, gosta, quem não gosta… Sou assim, nasci assim e quero morrer assim. É assim que gosto de mim. Convivo bem comigo assim. Penso que nada na vida me fará mudar. No dia que deixar de ser Presidente de Câmara, irei continuar a viver muito bem comigo mesmo.

Isso também porque, enquanto autarca, dispensa certas mordomias, como ter motorista, por exemplo…
Se calhar é por aí também. Não gosto de mordomias e não as quero, mas também não tenho nada contra quem as tem. Gosto de conduzir o carro da Câmara, de andar vestido de forma informal, falar com as pessoas no meio da rua e sei que quando deixar de ser presidente de câmara as pessoas vão querer continuar a falar comigo. Quando estamos à frente de uma câmara municipal trabalhamos 24 horas sobre 24 horas e temos que estar disponíveis para as pessoas. Acontece as pessoas aparecem-me ao sábado à noite ou ao domingo de manhã em casa. Se elas têm um problema, nós temos que o resolver. Na Câmara, o que tentei implementar foi: o que é possível retirar em termos de burocracia tentamos retirar. Tenho um dia fixo para atender as pessoas, que é a segunda-feira de manhã, mas se a pessoa for lá noutro dia atendo-a na mesma. Só assim é que faz sentido. Burocracia a mais já nós temos.

Qual foi a situação mais difícil que viveu enquanto autarca?
A mais complicada, se calhar, foi o tornado em 2010. Estava na Câmara há relativamente pouco tempo. Foi uma situação bastante pesada. Atingiu mais de três centenas de casas, mais de três centenas de famílias. Foi, sem dúvida, uma situação complicada que, felizmente, se conseguiu resolver rapidamente na maior parte dos casos, a contento das pessoas. Intervimos, penso, de uma forma exemplar. Tivemos muitos apoios, inclusive de organismos e empresas. Os portugueses sabem ser solidários nos momentos menos bons. Eu sou testemunha disso. Andava a correr as zonas atingidas pelo tornado mas a minha casa também foi afetada. Quando passei por lá uma segunda vez vi pessoas a porem-me o telhado sem eu pedir nada a ninguém. Alguém viu que eu também precisava de ajuda… E nem sei a quem devo esse favor. Já tive oportunidade de dizer isto mais do que uma vez: uma das coisas de que mais me orgulho é de viver e ser presidente de Câmara numa terra em que as pessoas, no momento da verdade, se conseguem unir e ajudarem-se. Só assim é que faz sentido viver em comunidade.

“Os portugueses sabem ser solidários nos momentos menos bons. Eu sou testemunha disso. Andava a correr as zonas atingidas pelo tornado [de 2010] e a minha casa também tinha sido afetada. Quando passei por lá uma segunda vez, vi pessoas a porem-me o telhado sem eu pedir nada a ninguém. Alguém viu que eu também precisava de ajuda… E nem sei a quem devo esse favor.”

Como é que se descreve como pessoa?
Na gestão autárquica está tudo à mostra, não há gavetas fechadas, processos escondidos, não há nada oculto. Sou uma pessoa serena, calma. Julgo que sou amigo do meu amigo embora não tenha muitos. Tenho os melhores, como se costuma dizer. Tenho-me como uma pessoa com bastante formação, com cultura geral. Mas sou um cidadão normal, como qualquer português, sem grandes vícios ou hábitos fora do normal.

Mas qual é a característica que melhor o define?
Consigo fazer humor em quase todas as situações. Consigo rir de mim mesmo. Mas penso que a minha marca, o que me identifica mesmo, é a minha capacidade de trabalho. Consigo gerir muita coisa ao mesmo tempo. Além da Câmara, tenho ainda as minhas empresas e, por isso, tenho que ajudar a geri-las.

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Restaurante “A Grelha” foi o palco da entrevista com o autarca. Foto:mediotejo.net

Como é a sua rotina?
Acordo às oito da manhã, tomo o pequeno-almoço e às 9 horas, ou um pouco antes até, estou na Câmara, que fica a 350 metros de casa. Se não tiver reuniões fora, termino o dia a trabalhar num dos meus escritórios. Depois janto por volta das 20 horas e ao serão ainda olho para alguns documentos ou dossiers. Quando tenho tempo, vejo algumas séries de televisão. Quando não posso ver, gravo. Não gosto de ficção científica nem de terror. Gosto de policiais e de ver algumas comédias. Gosto de ver coisas que me ponham bem disposto. Acho que para sermos felizes temos que rir algumas vezes ao dia. E ainda leio, por norma, livros ou revistas com dados mais técnicos ou legislação, que sou obrigado a ler. Geralmente nunca adormeço antes da uma, duas da manhã. Em média durmo seis horas.

A família onde fica no meio disto?
Nestas coisas quem sofre sempre é a família. Ao fim-de-semana temos sempre muitos convites para almoços, jantares e representações. Não havendo, o sábado aproveito-o para ver algumas situações que não tenho tempo durante a semana ou ir para o escritório arrumar os meus papéis pessoais. Sou uma pessoa que planeia e faz tudo com muita antecedência. Neste momento já estou a preparar a minha campanha para as autárquicas de 2017. A arrumar ideias, a criar dossiers. Gosto de fazer as coisas com tempo.

O que é que sonha para Ferreira do Zêzere?
Sonho com mais emprego para atrair mais pessoas e que estas se fixem no nosso concelho. Continuamos a perder população, à semelhança do resto do país. Precisávamos de empresas de desenvolvimento tecnológico, de software, por exemplo, que necessitassem de técnicos altamente especializados. Tinha um duplo efeito: vinham pessoas de fora com esses conhecimentos e iria permitir aos nossos alunos definirem o seu futuro profissional, porque existiam aqui empresas onde, mais tarde, poderiam vir a ter o seu posto de trabalho.

Terminamos com um brinde…
… Aos Ferreirenses, claro.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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