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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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“Entre Grutas e Algares: O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros”, Por José Alho

A exposição “Imagem Útil em Ecologia” da autoria da investigadora Luísa Nunes, decorre até 29 de Janeiro próximo no Instituto Superior de Agronomia e integra-se na celebração de 20 anos de vida do Centro de Ecologia Aplicada Baeta Neves e a propósito dos 100 anos do nascimento do Prof. Doutor Baeta Neves que é figura de referência da silvicultura nacional e do Instituto Superior de Agronomia.

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Esta exposição pelo seu conteúdo é uma feliz homenagem a quem foi um dos pioneiros da conservação da natureza em Portugal, nomeadamente como fundador da Liga para a Proteção da Natureza.

Aceitei o convite da Luisa Nunes para produzir um contributo escrito relativo ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros uma área que é significativa para a identidade e caraterização da nossa região e que por isso aqui quero partilhar!

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“O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros está integrado na unidade geomorfológica do Maciço Calcário Estremenho assim designada pelo geógrafo português Fernandes Martins, em 1949, na sua tese de doutoramento, que continua a ser o estudo de referência sobre esta parcela do território nacional.

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros foi criado em 1979 (Decreto-Lei nº118/79,de 4 de Maio), sob a orgânica do Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico na Secretaria de Estado do Ordenamento Físico, Recursos Hídricos e Ambiente do Ministério da Habitação e Obras Públicas.

Na caraterização da sua identidade ressalta em primeiro lugar a paisagem singular resultante da geomorfologia cársica onde sobressaem as serras de Aire e Candeeiros, e o planalto de Sto. António.

Temos como referências paisagísticas os campos de lápias, o Polje Mira-Minde, a Fórnea de Alvados, as Nascente dos Olhos de Água do Alviela e do Almonda, a Gruta do Algar do Pena, as Jazidas com Pegadas de Dinossáurios da Pedreira do Galinha e de Vale de Meios e o rendilhado de muros de pedra solta.

Na rudeza dessa paisagem desponta uma inúmera diversidade de plantas, muitas com expressão aromática, como os tomilhos, o alecrim, o rosmaninho que disputam protagonismo com as rosas albardeiras, as orquídeas, carrascos, carvalhos cerquinhos e azinheiras entre centenas de espécies da nossa flora mediterrânica.

Estas caraterísticas criam condições também para a existência de muitas espécies animais resultante da diversidade de habitats.

A ação dos espeleólogos permitiu dar a conhecer o lado subterrâneo deste território, os seus jogos contraditórios, de mistérios encobertos em grutas e algares por baixo dos nossos pés, com a água a esconder-se para, logo depois, brotar nos olhos de água.

É nesse mundo de grutas e algares que encontramos alguns dos ex-libris vivos da biodiversidade desta área protegida: os morcegos e a gralha-de-bico-vermelho.

  • Os Morcegos são animais mamíferos que desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, nomeadamente o controlo de populações de insetos, mas que têm uma conotação muito impopular em virtude de crenças e mitos instalados junto das comunidades humanas. Esta circunstância justificada pelo enraizado desconhecimento das suas caraterísticas está na origem da ameaça que pesa sobre a sua sobrevivência e que faz com que das 27 espécies conhecidas em Portugal, a sua maioria estejam ameaçadas de extinção.

Na gruta da Lapa da Canada nas Nascentes do Alviela estão já identificadas 12 espécies de morcegos e ai encontramos um dos abrigos subterrâneos mais importantes do país onde residem colónias de maternidade de várias espécies, numa dinâmica de grande interatividade com o Centro de Ciência Viva do Alviela.

Esta estrutura de divulgação do conhecimento científico desenvolve um conjunto de atividades que, de forma não intrusiva, são fundamentais para dar a conhecer e valorizar estas espécies de animais, contribuindo para a sua conservação e dos ecossistemas em que se inserem.

 – A Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax, Linnaeus 1758) é uma ave da família dos corvos estando classificada em Portugal na categoria “em Perigo” pela UICN-União Internacional da Conservação da Natureza.

Os dados oficiais, mais recentes, do ICNF-Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas apontam para uma população de cerca de 100 indivíduos nesta área protegida.

As grutas e algares são local de refúgio e nidificação e as áreas adjacentes são território de alimentação que varia entre insetos, outros invertebrados, sementes, grãos e outro material vegetal.

A sua população sofre forte ameaça em virtude da expansão das explorações de pedreiras de calcário e do abandono das práticas rurais tradicionais, sobretudo a pastorícia.

Estas aves que rasgam a paisagem com os seus voos acrobáticos são uma marca de identidade desta área natural.

Este é um território que encerra potencialidades naturais de relevância extraordinária ao nível da paisagem de superfície e subterrânea, da geologia, da paleontologia dos dinossáurios, da diversidade biológica e dos recursos hídricos.

Estes recursos singulares devem ser harmonizados na sua conservação e valorização, sendo esse o desafio que tem de ser agarrado por todos os agentes em torno do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, entidade, a quem se exige a maior responsabilidade na garantia da promoção dum desenvolvimento sustentável que honre este ex-libris que é de Fernandes Martins, mas também de todos nós, cidadãos deste Planeta.”

 

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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