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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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“Ensino e oportunidades numa autêntica revolução educativa”, por Celeste Simão

Ouvimos frequentemente dizer que a Educação é um assunto de todos, não porque todos e todas sejam profissionais desta Arte, mas porque de uma forma ou de outra somos chamados a intervir de variadas formas.

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Aos profissionais da Educação pede-se e espera-se que ensinem e façam os alunos aprender, aos pais que acompanhem a vida escolar dos seus filhos e que participem nas atividades da escola, às autarquias que desempenhem as suas competências em matéria educativa ou que vão muitas vezes para além delas, às empresas que interajam com a escola recebendo alunos para que lhes mostrem o que é aprender em contexto de trabalho, às juntas de freguesia que  resolvam problemas do quotidiano nos espaços escolares, à comunidade educativa que crie um ambiente propício à aprendizagem, e à comunidade envolvente que compreenda que a escola é um espaço de trabalho a ser respeitado e valorizado.

Agora que atravessamos um momento difícil das nossas vidas que obrigou a “escola” a sair das suas quatro paredes de forma forçada e a usar outros locais para a aprendizagem e outras ferramentas de trabalho, é hora de parar, pensar, repensar, avaliar e agir. Agir no local, é isso que se pede, numa lógica de participação e envolvimento de todos, tornando-se imperioso agir numa lógica de colaboração.

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Entrámos todos e todas num mundo virtual de forma estrondosa e ao mesmo tempo, porque a situação que vivemos assim o exige, passando de um modelo de ensino presencial para um modelo de ensino à distância dando voz também aos professores para que escolham o modelo pedagógico que melhor serve os seus alunos. Também será claro para muitos que existem ainda constrangimentos a ultrapassar e a resolver.

Conseguiremos retirar algo de positivo de todas estas mudanças, mesmo que repentinas e forçadas? Será que vamos aprender alguma coisa com o que se está a passar? Será que o debate que se impõe num futuro muito próximo passará por avaliar se queremos voltar atrás a um modelo dito tradicional, ou quereremos um modelo pedagógico misto, composto de diferentes espaços e modos de aprendizagem? O modelo de autonomia e flexibilidade curricular irá mais longe, dará passos mais largos? Quando voltarmos à dita “normalidade” qual será o sentimento de alunos e professores e restante comunidade educativa?

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Acredito que espaços de socialização para crianças e jovens terão que ser sempre uma realidade, mas também acredito que possam emergir naturalmente debates entre os profissionais da educação e na própria comunidade, em vários contextos, desde os conselhos pedagógicos, conselhos gerais e nos conselhos municipais de educação. Se assim não acontecer perderemos uma oportunidade de discutir no local, aquilo que ao próprio local diz respeito.

Uma sociedade em permanente transformação não permite que a escola de forma isolada resolva todos os seus problemas, mesmo afirmando a sua abertura à comunidade. O local, neste caso, o nosso concelho, possui múltiplas oportunidades educativas que é urgente explorar e colocar ao serviço de todos numa verdadeira lógica de cidade ou concelho educador.

Neste modelo agora implementado nas nossas escolas a ser transmitido num canal de televisão e utilizando as ferramentas digitais ao dispor somos transportados para realidades nunca antes vivenciadas. Podemos mesmo dizer que estamos a viver uma verdadeira “revolução” educativa. Será necessário gerir o impacto destas mudanças nos alunos, nos pais, nos professores, gerindo sentimentos que ainda estamos a tentar perceber.

Poderá ser este um momento para uma maior dignificação do trabalho dos professores?

Poderá ser este um momento de aprendizagem para os pais e encarregados de educação, tendo em conta que o seu quotidiano também mudou radicalmente?

Acredito que estamos perante um momento de reinvenção das nossas práticas profissionais, familiares e de intervenção na comunidade. Queiramos nós aproveitá-lo.

*Celeste Simão é vereadora na Câmara Municipal de Abrantes, com os pelouros da Educação e Ação Social

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