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Domingo, Setembro 19, 2021

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“Energia e sustentabilidade”, por José Alho

Gro Brutland criou em 1987 o conceito de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito do relatório das Nações Unidas – O Nosso Futuro Comum, onde defendia que o Desenvolvimento tinha de articular e integrar as perspetivas ambientais, sociais e económicas de forma harmoniosa.

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Este desafio de aplicar o Desenvolvimento Sustentável tem vindo a ser ensaiado à escala local por diversos atores existindo algumas experiências na região que se afirmam como referências.

Quando circulamos na Autoestrada A1, atravessando o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, somos confrontados com inúmeros aerogeradores que emergem da paisagem numa afirmação de modernidade decorrente da vulgarização deste tipo de estruturas energéticas ao longo dos últimos anos.

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Mudaram-se os tempos e os antigos moinhos de vento que transformavam os cereais deram lugar a estes parentes mais encorpados que também garantem a produção de um bem essencial para a nossa sobrevivência através da energia necessária à manutenção do nosso modelo de desenvolvimento e à nossa qualidade de vida.

Os compromissos das políticas ambientais e energéticas nacionais e internacionais têm levado a um aumento crescente da procura de locais para a implementação destes sistemas de energias renováveis, um pouco por todo o território e também nas áreas naturais classificadas,

A salvaguarda e preservação do património natural e da biodiversidade, e o cumprimento das diretivas comunitárias, exigem uma atenção redobrada e especial que assegure a compatibilidade destes valores com a implementação desses projetos.

Neste âmbito é imperioso garantir o desejável equilíbrio na instalação de equipamentos de produção de energias renováveis com os objetivos de conservação da natureza em especial nas suas áreas mais representativas.

Outros contributos para a produção de Energias Renováveis devem ser valorizados em função das características das regiões, podendo em certa medida contribuir para a resolução de alguns problemas ambientais.

A propósito é importante não esquecer que no caso do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros a construção, em 1993, da ECTES – Estação Coletiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas de Alcobertas, foi pioneira nesta região sendo o primeiro sistema de digestão anaeróbia (Biogás), de tipo centralizado, destinado ao tratamento de efluentes de suinicultura, baseado na valorização do potencial energético daquele tipo de resíduos orgânicos.

Esta foi uma unidade experimental que desempenhou um papel de relevo na gestão dos efluentes suinícolas produzidos na sua área de intervenção.

Ao promover a valorização agrícola e energética dos efluentes pecuários e ao minorar, ao mesmo tempo, os consequentes efeitos de ordem ambiental, esta unidade constituiu uma referência quanto à preservação de uma atividade produtiva instalada numa zona de sensibilidade acrescida.

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Menos visível na paisagem este é um exemplo de uma estratégia interessante para a valorização energética a partir dos recursos renováveis que a par com a instalação de Parque Eólicos integra uma aposta de modernidade onde o desenvolvimento, os valores ambientais e a qualidade de vida dos cidadãos surgem alinhados de forma coerente rumo às exigências do futuro.

Também os cidadãos têm hoje, de forma generalizada, acesso a métodos de produção energética a partir da energia solar que se integram de forma simples nas suas necessidades do dia-a-dia.

Apesar de em Portugal se ter reduzido esta dinâmica por força de opções politicas não podemos deixar de acreditar que é através desta aposta nas energias renováveis complementada com forte investimento em ações de eficiência energética que se ganha a sustentabilidade.

No âmbito do Portugal 2020, temos a expetativa de que seja devolvido um estatuto de empenhamento nas causas do clima conferindo os necessários estímulos a este setor que é  de crucial importância e estratégico para a nossa economia.

Tal como tantas vezes repetido é necessário “pensar global, agir local”, para concretizar o longínquo desafio colocado por Gro Brutland ao enunciar o conceito de desenvolvimento sustentável!

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José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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1 COMENTÁRIO

  1. Em relação à parte que respeita à criação em 1993 da “Estação Coletiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas de Alcobertas, foi pioneira nesta região sendo o primeiro sistema de digestão anaeróbia (Biogás)”, quero só acrescentar que por volta de 1985 já na Póvoa da Isenta/Santarém havia uma exploração de suinicultura de média dimensão na altura ( cerca de 250 marrãs criadeiras) que construiu, com apoios estatais segundo creio, uma ETAR e respectivos componentes para aproveitamento do Biogás que produzia toda a energia elétrica para a exploração, que também tinha mais de 1 Milhão de frangos, aproveitava o gás para o aquecimento de todos os pavilhões e ainda fornecia energia à EDP. Isto por volta de 1985 e assim eram tratados os residuos dos porcos e bem tratado o ambiente.

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