Encontro junta personalidades da cultura em Tomar para discutir “Os outros e nós”

A sétima edição do encontro Bibliotecando, em Tomar, decorre sexta-feira e sábado com o tema “Os outros e nós – leituras da alteridade e mesmidade”, reunindo pensadores, investigadores e personalidades da cultura.

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Organizado pelo Agrupamento de Escolas Templários, Câmara Municipal de Tomar, Centro de Formação “Os Templários”, Centro Nacional de Cultura, Instituto Politécnico de Tomar e Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), o encontro “propõe-se proporcionar um espaço de discussão e aprendizagem em torno da importância das bibliotecas enquanto agente de conhecimento e saberes”.

Agripina Vieira, diretora do Centro de Formação “Os Templários”, disse hoje à agência Lusa que o tema do encontro deste ano se insere no desafio de aprofundar a discussão em torno da identidade, individual e nacional, desta vez com enfoque na relação entre “os outros e nós”.

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“Em que medida a relação com os outros nos define, do ponto de vista individual e nacional”, sublinhou.

O encontro, que vai decorrer no auditório da Biblioteca Municipal de Tomar (com as inscrições a chegar ao limite de 190 pessoas), começa com a intervenção do presidente da Comissão de Honra do evento, Guilherme d’Oliveira Martins, que falará sobre “Leitura e aprendizagem – um Mundo de Pessoas”, seguindo-se Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014, com “A natureza como ponto de encontro?: tradições científicas, nossas e outras”.

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O segundo painel, “E agora Europa?”, para ajudar a perceber “em que medida o que cada um faz condiciona a vida dos outros”, contará com as participações dos historiadores Pacheco Pereira e Fernando Rosas e do jurista Pedro Roseta, colocando em diálogo “perspetivas diferenciadas”.

A tarde começará com o painel “Fé e liberdade de consciência”, com o especialista em estudos judaicos Joshua Ruah, o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Magid Vakil, que falará sobre “O Islão, uma religião Abraâmica”, e o especialista em estudos islâmicos Faranaz Keshavjee, que abordará “O xiismo apolítico. Que desafios para o islão no domínio da fé e da consciência social?”.

No mesmo painel, o que tem mais participantes, falarão ainda Tolentino Mendonça, teólogo e reitor da Universidade Católica, sobre “A fé amplia a liberdade”, e o antropólogo Aurélio Lopes, sobre “O absoluto como desígnio existencial – Soteriologias e vivências em projetos de missão”.

O quarto painel tratará um tema “mais surpreendente”, o da nossa relação com os “ausentes”, com dois historiadores a falarem de como os cemitérios refletem a nossa relação com os que perdemos, indo António Matias Coelho falar sobre “Os mortos e nós” e Marco Daniel Duarte sobre “A cidade dos mortos: representação da vida além e aquém-túmulo”, afirmou Agripina Vieira.

No sábado será abordado o tema das relações “Norte/Sul”, quer na perspetiva nacional quer na internacional, com Maria José Vitorino, ex-coordenadora da RBE, a abordar o tema “Dez proposições e cinco minutos de silêncio”, a escritora Luísa Costa Gomes a falar sobre “Choque de Culturas e Intertextualidade: O meu bisavô Sanches e o António Nobre” e o biólogo José Manuel Alho sobre “Norte/Sul: o percurso de Estocolmo a Paris”.

O Prémio Leya 2015, António Tavares, abre o painel “Da mesmidade à alteridade”, seguindo-se a poetisa Ana Marques Gastão, “Além-Eu”, e o escritor Miguel Real, “O canibalismo cultural Português”, ou como a nossa cultura se constrói com a apropriação da cultura dos outros.

Depois do almoço, no Congresso da Sopa, evento que se realiza anualmente no Parque do Mouchão, em Tomar, estará em discussão o tema “Ética da diversidade”, com a investigadora Isabel Ventura, “O que é [um] ser humano? Género, interseccionalidade e neutralidade na era da Igualdade”, o antropólogo José Manuel Sobral, “Nós e os Outros – identidades, preconceitos e cidadania”, e Teresa Calçada, antiga coordenadora da RBE, “A leitura como condição ética de ser”.

O encontro termina com um “diálogo” entre o historiador e crítico de arte José-Augusto França, o ensaísta Eduardo Lourenço e o ex-presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura, Guilherme de Oliveira Martins, sobre “Os outros e nós”, seguindo-se uma atuação da Orquestra de Sopros.

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