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Segunda-feira, Setembro 27, 2021

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“Empadas”, por Armando Fernandes

Na Idade Média as empadas, redondas ou rectangulares com tampa ou sem elas (as tartes) tinham o estatuto de prato principal nos banquetes e refeições das classes altas, como o clero de Murça e sotaina vermelha e a nobreza. Nos tempos correntes as empadas são um complemento alimentar fácil de transportar e degustar seja em casa, em merendas campestres, lanches escolares e/ou ajuntamentos de toda a ordem.

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Confeccionadas com massa folhada ou quebrada, na maioria redondas, na Galiza elaboram-se empadas (empanadas) de sarcófago muito utilizadas nos recheios de lampreias e marisco, no entanto, redondas prevalecem sobre os restantes formatos. No tocante a recheios, como se costuma dizer, «é à vontade do freguês».

Carnes e fígados de aves incluindo as de caça, passarinhos desossados suscitavam paixões (os fundamentalistas desconhecem quão gostosas são, além de os pássaros não se poderem multiplicar pois provocam prejuízos nas colheitas e sujam as casas e roupas) dado serem gulosas devido à sua sapidez. Empadas de legumes dedicadas aos vegetarianos mostram-se nos receituários e servem-se nas confeitarias e pastelarias porque podem ser apresentadas doces ou salgadas.

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Os progressos da indústria alimentar levam à fabricação em série de empadas cujos recheios dão relevo a carnes hoje em dia estratégicas para a alimentação de centenas de milhões de pessoas. São distantes os tempos de as donas de casa terem tempo e desejo no conceberem empadas a pedido dos familiares chegados e alvo de mimos de afecto. De qualquer maneira as práticas antigas ainda não foram colocadas no índex alimentar, já sopram ventos de intolerância nesse universo (tome-se em atenção a campanha contra o consumo de carne de vaca e vitela porque os animais expelem litros e litros de ventosidades), temos de resistir aos fanáticos que personifico no Senhor do PAN.

Estimadas leitoras e estimados leitores façam o favor de conceberem empadas aproveitando as sobras de outras refeições, fazem economia doméstica e dão azo à expressão do vosso talento culinário.

Alto Castelo

Trata-se de um vinho produzido em Alpiarça, as castas das uvas que o produziram não são reveladas, a colheita

E de 2018, possui 10.5º, o que à partida permite um beber sem tantos cuidados de contenção. Acompanha saladas e comidas frias de natureza campestre. Produzido e engarrafado por Agroalial. Alpiarça.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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