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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

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Tomar | PS e PSD entram em guerrilha política que se alastrou ao executivo municipal

A reunião de Câmara de Tomar de segunda-feira, dia 19, ficou marcada por alguns choques entre oposição, nomeadamente entre Anabela Freitas e Hugo Cristóvão (PS) e Célia Bonet (PSD). Na génese estiveram os comunicados emitidos pela CPC do PSD de Tomar e a conferência de imprensa do partido, onde se teceram críticas quanto aos postos de abastecimento de combustível REPA, e quanto à distribuição de apoios dados para a realização da Festa dos Tabuleiros. O verniz estalou e os vereadores José Delgado e Francisco Madureira (PSD) optaram por ficar de fora da discussão, tomando a postura de “não politizar” a festa-maior dos tomarenses.

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O tema surgiu no período antes da ordem do dia, com a presidente de Câmara Anabela Freitas (PS) a criticar veementemente a atuação do principal partido de oposição em Tomar.

“Desde a passada reunião foi o concelho surpreendido com um conjunto de comunicados que em nada abonam àquilo que deve ser a postura que se deve ter quando se está na vida pública e política, e com responsabilidades, ainda mais vindo de um partido que se quer assumir como alternativa”, começou por referir a autarca.

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Referindo-se ao primeiro comunicado sobre os postos de abastecimento da REPA, Anabela Freitas disse que “foi explicado em reunião de Câmara que os postos de abastecimento REPA em Tomar, e que não temos um posto exclusivo para viaturas prioritárias – é do conhecimento público – e estranho que, quem até tenha estado no governo desta autarquia durante um conjunto de anos, se tenha esquecido que temos um conjunto de bombeiros municipais, que temos posto de abastecimento próprio”, afirmou. A edil lembrou ainda que, após a passada reunião de Câmara, reuniu com o CHMT “para articular a questão do abastecimento das viaturas”.

Quanto à “conivência” apontada pelo PSD ao executivo tomarense, de maioria socialista, Anabela Freitas lembrou que nem sempre estão alinhados com as políticas da Administração Central.

“Permitam-me relembrar-vos aquilo que foi a última Assembleia Municipal, onde claramente, ao arrepio daquilo que são um conjunto de organismos da Administração Central desconcentrada, aprovámos a alteração ao Plano Pormenor das Avessadas. Não fomos de acordo com aquilo que nos queriam ‘impôr’ e aprovámos – com abstenção do PSD – em Assembleia Municipal (…) há uma diferença muito grande entre as palavras e os atos e efetivamente não podemos estar a dizer que somos a favor de um investimento e do desenvolvimento económico, mas quando queremos votar os instrumentos que nos permitem desenvolver esses setores, abstemo-nos, que é sempre uma posição que ‘não é de carne, nem é de peixe'”, insistiu.

Por outro lado, a autarca tomarense disse que o executivo ficou ainda “mais surpreendido” com a conferência de imprensa “a atacar claramente aquilo que é a nossa grande Festa, a Festa dos Tabuleiros”.

“Se há algo que sempre uniu os tomarenses, se há algo que faz parte da nossa identidade, é a Festa dos Tabuleiros. E, portanto, milhares de pessoas que trabalharam para a festa, sentiram-se incomodadas, e bem, e revoltadas”, começou por salientar Anabela Freitas.

Quanto ao convívio que a Comissão Central pretende promover a 14 de setembro, no Mouchão, envolvendo todos os que participaram na realização da Festa dos Tabuleiros desde ano, a edil disse que “é para ser um convívio para todas as pessoas que participaram na festa”, onde se incluem quem ornamentou as ruas, quem organizou os jogos populares, quem cooperou nos espetáculos, todos os que contribuíram para que “a festa deste ano tivesse sido o êxito que foi”.

A autarca lembrou que antes era dado um subsídio de 1500 euros pela Comissão Central a cada junta de freguesia “para que promovam um almoço com quem participou no Cortejo Grande”, e lembrou ainda que este tipo de convívio que se pretende promover em setembro já era feito no passado.

“A Câmara, como sempre, apoia a Festa dos Tabuleiros e a Comissão Central. Desde início foi dito que para a Festa não faltaria dinheiro, e não falta. O apoio que aqui veio a ratificação, os 70 mil euros, e que os senhores vereadores do PSD votaram a favor (…) foi um apoio que a Comissão irá dizer onde foi gasto quando apresentar as contas”, contextualizou.

Foto: mediotejo.net

“Estarmos a levantar suspeitas sobre a nossa grande festa e aquilo que nos deveria unir, em vez de dividir, senhores vereadores, parece-me no mínimo irresponsável e é sinal que não percebem qual o sentimento dos tomarenses e aquilo que mexe com o nosso orgulho. A festa foi feita e continuará sempre a ser feita independentemente de quem estiver sentado nesta cadeira onde estou hoje, porque é efetivamente a grande Festa dos Tabuleiros”, disse Anabela Freitas , no decorrer da sua intervenção.

Mais acrescentou que quem estiver na frente do município “tem sempre a obrigação e o dever de preservar a identidade de um povo e não deve ser feita com chantagens que ocorreram numa série de reuniões com as comissões. Se um ou outro elemento das freguesias não quer participar na festa, então coloca aos seus fregueses se querem ou não participar. Estar a dizer que, para ir dinheiro para a festa, não foi dinheiro para isto ou para aquilo… a festa custa a todos e todos nós temos obrigação de contribuir para que a festa se mantenha exatamente como esteve até hoje, acima de qualquer divisão partidária”, concluiu.

Hugo Cristóvão (PS), vice-presidente da autarquia, reforçou o que fora dito pela autarca e referiu-se aos comunicados do PSD como “coisas estranhíssimas” e algo “absurdo” ou que “intencionalmente tenta baralhar os cidadãos” por forma a “manipular a opinião pública”.

Quanto à conferência de imprensa convocada pelo PSD, Hugo Cristóvão foi mais longe e disse não ter memória “de ver algo assim em Tomar, tentar instrumentalizar/partidarizar a Festa dos Tabuleiros, coisa que nunca me lembro acontecer, com argumentos completamente falsos, a misturar assuntos que não têm nada a ver… apenas quero sublinhar que não há memória de em Tomar haver tão baixa “partidarite”, porque a política é uma coisa séria”, mencionou.

“Não é a forma correta de estar na vida pública e não é a forma correta de promover a democracia e a política (…) não é bom para ninguém, para nenhum dos partidos, nenhum dos atores políticos, este tipo de atuações na comunidade e na vida pública”, terminou.

José Delgado e Francisco Madureira, vereadores do PSD, mostraram de forma clara não se identificar com a “politização” da Festa dos Tabuleiros, tendo feito intervenções nesse sentido, o que levou a autarca Anabela Freitas a considerar existirem “dois PSD no executivo municipal”.

“Não gosto, não concordo que se faça qualquer interferência política sobre a Festa, que é a festa de Tomar, as tradições do concelho, é cultura e evolução de geração em geração daquilo que representa a coisa maior de Tomar, que existe de quatro em quatro anos, e que se tem desenvolvido ao longo de muitas e muitas gerações (…) a honra ao Espírito Santo, a partilha, a convergência de trabalho para que a festa tenha sucesso é isso que nós temos que salientar e que é importante. O resto vale pouco e temos de saber o que é acessório e o que é essencial. Não é aproveitar, seja quem for, qualquer situação para politizar a Festa (…)”, reiterou o vereador social democrata.

Também Francisco Madureira (PSD) não quis “politizar” a Festa, tendo citado Sá Carneiro para introduzir a sua intervenção. “Não há nada que pague a sinceridade na ação política, como em tudo”, leu, acrescentando rever-se nesta frase e assumindo que estará “ao lado da Festa dos Tabuleiros” e recordou uma frase de Luís Santos: “a festa une-nos, não nos desune”.

“Penso que o motivo da Festa dos Tabuleiros não deveria ter sido chamado para questões políticas (…) eu penso que a Câmara terá olhos iguais para todas as freguesias, se não o tem, isso tem de ser chamado em local próprio, que não pode ter como desculpa a Festa dos Tabuleiros. Acima de tudo é a nossa festa, de todos os tomarenses que trabalham afincadamente”, fez saber.

Por sua vez, Célia Bonet, vereadora do PSD, disse não aceitar “as acusações de falta de caráter e de princípios” e referiu que iria incidir a sua intervenção sobre “a Festa dos Tabuleiros e nas comemorações após a Festa dos Tabuleiros para comemorar a Festa”.

A vereadora referiu ainda que os membros do PS de Tomar, através do seu comunicado, se fizeram “de vítimas” e que “inverteram acontecimentos para tirarem proveitos políticos disso”.

Festa dos Tabuleiros está na génese desta guerrilha, que gerou confronto entre PS e PSD. Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

“Não estou aqui para jogos políticos nem jogos de poder. Aquilo que dizemos é o que entendemos ser o mais correto, e aquilo que esperamos que o PS faça é o contraditório coerente e com nexo. O comunicado que o PS emitiu demonstra falta de resposta para as questões que foram levantadas pelo PSD na conferência de imprensa, falando de algo abstrato no vosso comunicado e não respondendo a nenhuma das preocupações que levantámos”, disse a vereadora social democrata.

Mais acrescentou Célia Bonet que “há tentativa” do PS de Tomar em “misturar a Festa dos Tabuleiros com aquilo que de facto foi dito”.

“Quando se fala da Festa dos Tabuleiros não quer dizer que se envolveu a Festa dos Tabuleiros. Na conferência de imprensa o PSD mostrou a sua preocupação pelo facto de as juntas de freguesia terem tido custos adicionais muito relevantes com a festa (…) e não terem sido apoiados pela CM Tomar, por enquanto”, aludiu, frisando que o PSD apenas “mostrou preocupação” em relação ao que poderá ser condicionante das obras e planos das freguesias.

Na conferência de imprensa, Célia Bonet disse ter sido referido por inúmeras vezes que “o PSD confia plenamente na Comissão da Festa, e que a Festa dos Tabuleiros correu muitíssimo bem, e não há motivo para virem alegar que estamos a dizer mal da Festa ou que estamos a dizer que o dinheiro não devia ter ido para a festa, isso é mentira”.

“Eu não admito que o PS use técnicas de amedrontamento para calar a oposição. Vocês são peritos nisso, cada vez que dizemos alguma coisa com a qual não concordam, vêm fazer o alarme como se fosse cair o mundo ‘ai Jesus, que está tudo contra a Festa dos Tabuleiros!’. Eu pessoalmente não estou aqui para ganhar eleições e vou defender os interesses dos tomarenses sempre que entender que o devo fazer, e tanto me faz que se façam críticas, como não”, prosseguiu.

Terminando, Célia Bonet (PSD) disse que os social democratas que redigiram o comunicado entenderam “que havia um motivo para o fazer”.

“Vocês como governação poderiam ter dito ‘não concordamos por isto, isto e aquilo’, mas fizeram juízos de valor, de forma subjetiva, com os quais eu não me identifico e que não admito que façam a meu respeito”, notou.

Toda esta guerrilha que envolveu os dois principais partidos na governação local começou fora da sede de executivo camarário, tendo também o PS Tomar emitido um comunicado na página de Facebook em resposta aos comunicados do PSD, referindo “condenar a tentativa de aproveitamento político da Festa dos Tabuleiros por parte do principal partido da oposição”.

“A postura do PSD Tomar apenas merece da nossa parte total repúdio pois coloca em causa o trabalho dos milhares de tomarenses das 11 freguesias que se empenharam na realização da Festa dos Tabuleiros. Esta semana já tínhamos assistido a uma tentativa de alarme social no concelho sobre a questão dos combustíveis. Somos agora surpreendidos por algo que era uma linha vermelha na política em Tomar, o aproveitamento político com a Festa dos Tabuleiros. Bem sabemos que o aproximar de eleições leva ao desespero, mas o PS Tomar vem, desta forma, solicitar respeito por todos os tomarenses que se empenharam na concretização da Festa dos Tabuleiros”, lê-se no referido documento.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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