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Segunda-feira, Novembro 29, 2021

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“Eduardo VII”, por Armando Fernandes

A recente morte do marido de Isabel II de Inglaterra, o Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, Consorte da real esposa durante 73 anos, lembrou-me outro príncipe da corte inglesa que também penou dezenas e dezenas de anos atrás da Imperatriz e Rainha Vitória, sua mãe (eis a marcante diferença de estatuto dos dois) antes de ser coroado rei e imperador a seguir à morte da Matriarca inglesa.

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Se o marido de Isabel II, sempre dois passos atrás sua Mulher primou pela sobriedade, Eduardo VII na qualidade de herdeiro transformou-se numa figura mundana, viajante vedeta (por isso levou duas bengaladas de um espanhol na Feira de Sevilha na qual ousou beliscar a nádega da sevilhana) do jet-set de então, influenciando modas, modelos e estilos de vida, incluindo o das artes culinárias, principal causa da presente crónica.

O príncipe de Gales, mais tarde coroado rei, adorava respirar, flanar e de alimentar os cinco sentidos em Paris, por isso mesmo frequentar os melhores restaurantes da cidade-luz. Os cozinheiros e chefes mais famosos criaram pratos sumptuosos em sua honra, caso do pregado com um molho de champanhe, rodeado de mexilhões cobertos com manteiga de Inglaterra, ou o rodovalho cozido em vinho branco, puré de batatas e musselina de ostras.

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Não vale a pena relatar outras magnificências gastronómicas deste gourmet experimentado que ainda nos dias de hoje referimos se nos surgir um fato masculino ou um nó de gravata estilo príncipe de Gales. Muito menos os seus gastos, importa lembrar que o povo miserável gostava ver e admirara as jóias da realeza, pelo menos os seus reis eram ricos e poderosos…

A Inglaterra dessa época está retratada pungentemente na obra de Charles Dickens. É só ler!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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