Editorial | Que venha aí um ano verdadeiramente novo (e com melhores notícias)

Haverá alguém triste por ver 2020 chegar ao fim? Por mais que tenham acontecido coisas boas – e aconteceram –, com o mundo mergulhado numa crise pandémica, o saldo final será sempre negativo. Venha 2021, e depressa!, ouço dizer há semanas… É claro que os problemas não se resolvem num passe de mágica durante a noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro. Mas precisamos todos desta sensação de recomeço, de poder agarrar na vida como uma folha em branco e escrever um novo capítulo da nossa história.

Para toda a equipa do mediotejo.net, 2020 foi um ano desafiante, a todos os níveis. E agora que 2021 se abre à nossa frente, queremos partilhar o que nos fez resistir… e não desistir.

Sendo um projeto de acesso gratuito, o nosso modelo de negócio tem por base as receitas de publicidade, a que se juntam alguns donativos de leitores beneméritos. Entre os nossos clientes estão instituições públicas, como os municípios da região (sem contrapartidas editoriais), e pequenas e médias empresas, também bastante afetadas pela pandemia, a nível económico.

Mesmo em confinamento e com a economia parada à nossa volta, mantivemos sempre toda a equipa na rua. A verdade é que com a pandemia o nosso trabalho triplicou e, apesar de esgotados, chegamos ao final do ano com a sensação de dever cumprido. Os nossos leitores contavam connosco, e nós aqui estivemos, todos os dias, sem uma única folga.

Estivemos em reportagem nos hospitais e nos lares, entrevistámos as pessoas fundamentais para nos explicarem o que se passava, publicámos todos os dias análises da evolução local da doença e gráficos próprios (com o apoio fundamental do Paulo Lobato, um leitor que nos ofereceu a sua ajuda de forma desinteressada, não imaginando talvez que isso implicaria mais de 300 dias de trabalho sem interrupções…)

Como é fácil de entender, uma pequena empresa como a nossa editora não consegue sobreviver muitos meses sem receitas. Foi por isso fundamental termos recebido duas bolsas internacionais, do European Journalism Centre/Facebook Journalism Project e da Google News Initiative, o que nos permitiu “sobreviver” ao impacto inicial da pandemia.

Em termos anímicos foi muito importante ouvir o João Manzarra anunciar-nos como “Melhor Órgão de Comunicação Local e Regional – Media Digital” de 2020, nos Prémios SAPO. E terminamos o ano sendo o único meio português selecionado para o programa Table Stakes Europe 2020/2021, um projeto da WAN-IFRA (Associação Mundial de Jornais) patrocinado pela Google News Initiative, que visa apoiar publicações digitais de qualidade na consolidação de um modelo de negócio sustentável.

Ao longo de todos estes meses recebemos também muitas mensagem de encorajamento dos nossos leitores. E houve momentos que fizeram mesmo a diferença… como aquele em que fazíamos contas para pagar o telefone e chegou o aviso de um donativo de um leitor, via MBWay:

– “Vocês são top, obrigado pelo trabalho que fazem!”

O valor doado era precisamente o que faltava para pagar a fatura que tínhamos na mão…

Por isso, acreditem: o que nos fez resistir nesta difícil odisseia de manter um jornal em funcionamento foram mesmo os leitores. Os de hoje e os de amanhã, porque aos jornalistas cabe não só a missão de informar mas também essa imensa responsabilidade de “escrever o primeiro rascunho da História”.

E o curso da nossa História mudou radicalmente em 2020, disso não tenhamos dúvidas. Este foi o ano em que moldámos como se fosse barro mole o que deveria ser imutável, como ouro fundido há muitas gerações: a própria noção de liberdade.

O mundo do trabalho mudou, a escola mudou, a organização familiar mudou – tudo pilares estruturais da nossa vida em sociedade. A mudança, por si só não carrega adjetivações, será boa ou má consoante as vestes que lhe colocarmos. Contudo, ela já aconteceu e não há volta atrás. Independentemente do que vier a suceder nos próximos meses, 2020 dividirá mesmo os calendários num outro tempo a.C. e d.C.: antes e depois da Covid. O momento foi até coroado com a rara aparição da Estrela de Natal, que surgiu nos céus há 2000 anos. O fenómeno, que marcou o solstício de Inverno e se deveu ao alinhamento de Jupiter e Saturno com a Terra, não era visível há 800 anos.

Valorize-se ou não a coincidência, nesta transição de ano será imperioso buscar essa luz-guia que nos permitirá ter o ânimo necessário para evoluir, quebrar velhos moldes, sonhar outros futuros e prosseguir caminho – esteja ela nos céus ou dentro de nós, nesse local mágico e profundo onde nasce a coragem.

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Patrícia Fonseca
Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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