Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Setembro 18, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Editorial | Precisamos de si, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

Caro leitor,
O mediotejo.net lançou a 1 de maio uma nova plataforma com conteúdos exclusivos para assinantes, que podem ser lidos de forma individual, artigo a artigo, ou de forma ilimitada, mediante uma pequena contribuição monetária. Pode saber mais detalhes sobre o modo de funcionamento aqui. Mas permita-me explicar o que estamos a fazer, o que pretendemos criar nesta nova Comunidade de Leitores e as razões que nos levaram a dar este passo.

- Publicidade -

O acesso a informação fidedigna é um pressuposto fundamental da vida em democracia. Contudo, o jornalismo fiel à sua matriz de serviço público é um bem cada vez mais raro, e pouco valorizado, sobretudo a nível local. 

O mediotejo.net nasceu há 5 anos com vontade de remar contra a corrente e, desde então, os nossos jornalistas têm trabalhado de forma incansável para publicar diariamente informação na qual os leitores possam confiar.

- Publicidade -

O último ano foi especialmente difícil para a nossa equipa, a vários níveis. O volume de trabalho triplicou quando o país entrou em confinamento, mas as receitas de publicidade encolheram – quando muitos negócios fecharam portas, também os contratos que tinham connosco foram obviamente cancelados.

Valeram-nos as empresas e instituições que se mantiveram ativas e prosseguiram as suas parcerias com o jornal, e o reconhecimento e apoio financeiro de duas instituições internacionais: o European Journalism Centre/Facebook Journalism Project, que nos atribuiu 25 mil euros, e a Google News Initiative, que nos destinou 6 mil euros. Em ambos os casos, trataram-se de fundos especiais criados para apoiar meios de informação regionais durante a pandemia de covid-19.

É importante frisar que por parte do Estado o único “apoio” que recebemos em 2020 resultou do facto de, pela primeira vez, ser cumprida a lei que determina a publicação de publicidade institucional na imprensa regional: a tabela publicada em Diário da República determina que para jornais como o mediotejo.net o valor de publicidade máximo a contratar é de 1.800 euros por ano. Não quero classificar o valor como irrisório porque todas as verbas são necessárias num projeto pequeno como o nosso. Mas facilmente se percebe que não é este valor que nos permite pagar os ordenados ao final do mês. 

Temos também contratos publicitários com os 13 municípios do Médio Tejo (com executivos de todos os partidos), pela utilização de um banner publicitário no topo da página que dedicamos às notícias de cada concelho. As câmaras publicam os anúncios das suas atividades aí, como num outdoor de uma qualquer rua dos seus concelhos. Os valores estão também longe dos propalados “milhões” que se dizem atribuídos à comunicação social – são inferiores aos do custo de um outdoor, para seguir o mesmo exemplo.

As notícias que fazemos (ou não fazemos) são da exclusiva responsabilidade da direção deste jornal, seguindo critérios de interesse jornalístico. As limitações que temos, e que assumimos, são as que resultam do facto de termos uma redação pequena, com seis jornalistas – não conseguimos tratar com a profundidade que desejaríamos todos os temas relevantes de uma região tão vasta como é a do Médio Tejo.

Há precisamente um ano, quando não sabíamos ainda como iríamos ter condições financeiras para continuar, recebemos um enorme encorajamento com a atribuição do prémio de “Melhor Órgão de Comunicação Local e Regional – Media Digital”, nos Prémios SAPO.

Logo depois, fomos o único meio português selecionado para o Table Stakes Europe, um projeto da WAN-IFRA (Associação Mundial de Jornais) patrocinado pela Google News Initiative, que visa apoiar publicações digitais de qualidade na consolidação de um modelo de negócio sustentável. 

Desde então, temos trabalhado semanalmente com uma consultora dedicada, a alemã Alexandra Borchardt, professora de Jornalismo em Oxford, e realizado formações trimestrais com equipas de outros 23 jornais europeus, sob a mentoria do americano Douglas Smith, um dos maiores especialistas mundiais na reconversão de negócios, à frente da consultora McKinsey. O programa que seguimos foi inicialmente criado por Douglas Smith para nortear a transformação digital de jornais como o New York Times, dando depois origem ao curso “Media Transformation Challenge”, na Universidade de Harvard.

A criação da Comunidade de Leitores do mediotejo.net nasce no âmbito deste programa, como parte do modelo de negócio que vamos implementar, em busca de um futuro economicamente sustentável e editorialmente relevante.

A maioria das notícias do jornal continuarão a ser de acesso livre, porque sentimos que é importante estarmos disponíveis para toda a população, neste momento. Quem integrar a nossa Comunidade de Leitores pagará para aceder a conteúdos exclusivos desenvolvidos pelos jornalistas do mediotejo.net, apoiando-nos especificamente na realização de mais jornalismo de investigação e reportagens de fundo. A publicidade será também reduzida neste espaço. Além disso, os assinantes têm ainda acesso a descontos em vários serviços da região – restaurantes, lojas de vinho, hotéis, ginásios e livrarias são alguns dos parceiros desta Comunidade que queremos reforçar, daqui em diante.

O envolvimento dos leitores num projeto de proximidade, como é o nosso, e a sua disponibilidade para contribuírem financeiramente para que possamos fazer mais e melhor jornalismo, é crucial. Contrariar a ideia de que todos os textos que escrevemos têm de ser gratuitos é também um ponto de honra, particularmente simbólico num dia como o 1º de Maio, a data que escolhemos para avançar neste caminho: é urgente valorizar o trabalho dos jornalistas, e têm de ser os próprios jornalistas a fazê-lo primeiro.

Também aos meios de comunicação, esmagados por um totalitarismo digital, se pode aplicar a célebre frase do capitão Salgueiro Maia: “Há os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que isto chegou. Hoje vamos acabar com o estado a que isto chegou.”

Sabemos que o caminho é longo e sinuoso, mas ficar no mesmo sítio à espera que o mundo gire não é uma opção. Damos este passo em frente convictos de que cada um de nós, cidadãos, tem de assumir uma quota parte da responsabilidade social que a todos cabe na manutenção de uma imprensa livre e de qualidade.

Esperamos poder contar consigo.

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome