“Economia e gastronomia”, por Armando Fernandes

Às vezes leio ou ouço imbecilidades relativas ao valimento cultural das artes culinárias e gastronomia, não fico surpreendido ante os estúpidos desplantes, fico perplexo porque a ignorância chega à estridente realidade do valor económico da nona arte – a Gastronomia.

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O Mundo fervilha no colossal pote das inovações culinárias, os gastros turistas percorrem o Planeta desde as grandes metrópoles citadinas até ao lugarejo onde se come bem ou se pode adquirir determina guloseima gastronómica, passando por os principais pontos de referência restaurativo assinalados nos guias e elogiados pela crítica.

Os desdenhosos amiúde apanhados em contradição encolhem os ombros, praticam o lema de frei Tomás, especialmente, quando são outros a pagarem vitualhas, nessas alturas procuram ser émulos de Pantagruel ilustrando de modo exuberante o velho dito – tirar a barriga de misérias – o qual resulta de nos dias nomeados existir maior abundância de comeres e beberes.

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Nos últimos dias fiz diligências no sentido de saber se nas terras altas do Nordeste, das Beiras e até Ribatejo alguém deu notícia da existência de trufas, brancas (as mais valiosas e pretas), destas indagações ainda não recebi resposta por isso volto a escrever sobre as efluías trufas responsáveis por largos réditos nas zonas onde surgem.

Afirmo sem rebuço ser natural e comum, mulheres e homens de todas as cataduras percorrerem centenas (milhares) de quilómetros em demanda de uma receita culinária objecto de primoroso tratamento. Por assim ser, cozinheiras e cozinheiros lograram justa fama e deram azo a rendosas casas de venda de comida, não raras vezes a caírem em desgraça quando a cozinheira se julga ser um génio nos negócios, ou artista capaz de tocar muitos instrumentos ao mesmo tempo.

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Não faltam exemplo de insucesso, no entanto, também existem casos de grata ressurreição após terem emendado os erros cometidos, o do abrantino Senhor Nobre e da transmontana Dona Justa é saliente e jubiloso nas imediações do Campo Pequeno. Depois da tempestade veio a bonança, custosa, sacrificada, mas veio. Se a Dona Justa não perde ocasião para orgulhosamente se dizer transmontana da Nordeste, o Senhor Nobre de forma contida mas vincada fala na ancestralidade abrantina.

A economia parece estar a contrariar visões pessimistas, a saltar maus augúrios, pois bem, o progresso nas receitas deve-se em larga medida à nossa gastronomia vendida a preços sensatos aos milhões de turistas ávidos de segurança, sol, águas tépidas e…óptimas pitanças. E, assim foi este ano, e, assim se espera que continue anos fora.

Neste jornal tenho escrito inúmeras vezes acerca da mais- valia económica da gastronomia, apesar de no meu ponto de vista a região abrantina deixar correr (quando há água) rio abaixo potencialidades resultantes de activos perenes no quarteto – matérias-primas, produtos, artes culinárias e gastronomia – continuarei a malhar o ferro frio, pode parecer grossa asneira, não entendo dessa forma.

Sou um homem de causas, obstinado, não abdico de pensar por mim próprio, de defender tudo quanto acredito, de rejeitar a mediocridade mesmo que dourada, por tudo isso ao modo da água mole em pedra dura, também o (bens culturais) daqui e dali, hão resultar em chispa a acender a forja onde o ferro ficará rojo.

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