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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Duarte Marques (PSD) nega má fé num dia de “presença-fantasma” no Parlamento

O deputado do PSD, José Silvano, não foi caso único no Parlamento a registar presenças-fantasma. O antecessor de Silvano como secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, estava em Cabo Verde no dia 3 de fevereiro de 2017, mas, na manhã desse dia, tem presença marcada em plenário, registada através do log in pessoal. O mesmo aconteceu com o deputado Duarte Marques que, a 4 de maio de 2017, estava numa conferência no Porto, mas, na mesma tarde, fez log in com a sua conta no plenário.

A presença-fantasma do deputado Duarte Marques ocorreu no dia 4 de maio de 2017, quando participou no evento “Future of Europe”, no Porto. Ao mesmo tempo, alguém fez log in com a sua password no Parlamento. Ou seja, a situação é, de certa forma, estranha, uma vez que Duarte Marques não apresenta este comportamento de forma reiterada, e a situação ocorreu num dia (4 de maio) em que até estava em trabalho político, logo, com falta justificada.

Questionado pelo mediotejo.net, Duarte Marques reiterou as declarações prestadas ao jornal Observador, nas quais pede desculpa pelo sucedido:  “Confesso que, dada a distância temporal, uma vez que não me recordo e não tenho como provar que nessa tarde regressei de imediato a Lisboa para assistir ainda a parte do plenário, admito que, dados os elementos disponíveis, possa eventualmente ter acabado por ficar a assistir ao resto da conferência ao contrário do que possa ter planeado. Caso assim tenha sido, sem procurar qualquer desculpa, lamento o sucedido”.

Duarte Marques, deputado eleito pelo distrito de Santarém e natural de Mação, explicou ainda que pediu — logo no dia em que foi confrontado pelo Observador — aos serviços do Parlamento que lhe “averbassem a falta ao plenário na data em questão com os devidos efeitos consequentes“.

O deputado do PSD acrescentou ainda que a participação “nessa conferência internacional foi uma inequívoca atividade de trabalho político — à época tinha as funções de coordenador dos Assuntos Europeus do Grupo Parlamentar do PSD –, pelo que a falta à sessão plenária seria, obviamente, justificada”.

Duarte Marques ressalva ainda: “Em situações similares, nomeadamente em reuniões externas, debates ou conferências sobre as matérias que acompanho, tenho todas as faltas justificadas por trabalho político, quer seja este em representação do grupo parlamentar do PSD ou das comissões parlamentares de que faço parte. Esse é o meu comportamento habitual e também aquele que é correto, contudo, tendo em conta as circunstâncias que me comunicaram, fiquei surpreendido e estranhei bastante a situação que, como parece evidente, não tinha razão de ser.”

Negrão diz que cabe ao eleitorado avaliar comportamento de cada deputado

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, defendeu hoje que cabe ao eleitorado “avaliar o comportamento de cada deputado”, confrontado com mais dois casos de alegadas falsas presenças no parlamento na sua bancada.

“No que diz respeito a essa matéria, a única coisa que podemos fazer é pedagogia nas reuniões do grupo parlamentar com todos os senhores deputados no sentido de que isto não pode acontecer”, afirmou Fernando Negrão, questionado no final da reunião da bancada do PSD sobre a notícia avançada hoje pelo Observador.

Segundo este jornal online, há mais dois casos de falsas presenças parlamentares a envolver os deputados do PSD José Matos Rosa (então secretário-geral do partido) e Duarte Marques. Ambos os casos são relativos a 2017 e a presença dos deputados foi registada na Assembleia da República quando Matos Rosa estava em viagem a Cabo Verde (03 de fevereiro) e Duarte Marques no Porto (em 04 de maio).

“Comentarei estes casos da mesma forma que comentei o anterior. A direção do grupo parlamentar é responsável politicamente pelo seu funcionamento, no mais há uma relação direta entre cada deputado e o eleitorado, é nessa base que o problema deve ser resolvido”, defendeu Fernando Negrão.

O líder parlamentar do PSD considerou que seria demagógico propor, para resolver casos como estes, soluções que passassem por conferir as assinaturas e identidade dos deputados.

“Se começamos a dar ordens aos deputados no sentido de agirem desta ou daquela maneira, estamos a substituir-nos ao eleitorado, O eleitorado é que tem de fazer a avaliação do comportamento de cada deputado no exercício das suas funções”, afirmou, salientando que se está a falar de três casos em “dezenas de deputados”.

Fernando Negrão disse ainda acreditar que não haverá repetições deste caso.

O líder parlamentar do PSD admitiu, no entanto, conversar com os restantes partidos no sentido de debater eventuais alterações à forma de os deputados registarem a sua presença no parlamento.

“Não quero avançar com uma proposta isolada”, disse.

Quanto à decisão do Ministério Público de abrir um inquérito sobre o caso das falsas presenças registadas em nome de José Silvano, Fernando Negrão escusou-se a comentá-la.

“Essa decisão cabe ao Ministério Público, terá as suas razões que desconheço em absoluto”, afirmou.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

2 COMENTÁRIOS

  1. “Negrão diz que cabe ao eleitorado avaliar comportamento de cada deputado” – Esta está boa. Mas a esmagadora maioria do eleitorado alguma vez conhece os candidatos a deputados? Alguma vez os escolhe ou os pode cortar da lista???? Isto é estar a mandar areia para os olhos do zé pagante…

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