Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Quinta-feira, Agosto 5, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Dina Leonardo versus Sofia Areal”, por Massimo Esposito

As 16 horas do mesmo dia, 10 dezembro 2016, foram inauguradas duas exposições de pintura, uma em Abrantes outra no Entroncamento. As diferencas são notáveis e apesar de estarem à vista de todos (ou quase todos) gostava de sublinhá-las e, sobretudo, apelar ao bom senso (tão escasso por aqui) uma vez que a minha crónica só de cultura fala.

- Publicidade -

Vamos a ver então estas diferenças: a exposição em Abrantes foi inaugurada na maior galeria municipal do Ribatejo, com responsável fixo, ajudante, sistema de transporte e outras ajudas.

No Entroncamento o espaço não excede os 60 mq.e a própria artista transportou, afixou e decorou a exposição.

- Publicidade -

Em Abrantes foram expostas obras de uma das mais “conceituadas” artistas portuguesas, desconhecida em Abrantes, Sofia Areal, com o apoio da famosa galeria Neupergama de Torres Novas e o Município de Abrantes.

No Entroncamento as obras únicas e originais são da Dina Leonardo, uma jovem que já alguns anos tenta de fazer conhecer o seu nome, pelo menos no Médio Tejo, apoiada por uma pequena e recente associação da cidade, e apresentou obras dignas de ser vistas.

Para os custos do catálogo, porto de honra, transporte e mais alguma coisa, em Abrantes, a artista não pagou nada. No Entroncamento foi a artista a custear tudo.

Mas o pior é que a Dina Leonardo é de Abrantes e a Sofia Areal é de Lisboa. A Dina Leonardo não tem possibilidade de expor na sua própria cidade!

Inauguração de exposição de Dina Leonardo, Entroncamento.

Ok. Concordo que haja uma troca de valores artísticos e que se possa ver na nossa cidade artistas diferentes, mas é mesmo aqui o ponto e a diferença mais evidente( as fotos falam claro). Na poderosa galeria de Abrantes cerca de 20 pessoas estiveram presentes ( e se eliminamos presidente, vereador, artista, representantes da Neupergama e empregados camarários) os interessados são mesmo poucos

No  Entroncamento, na pequena sede duma pequena associação mais de 60 pessoas deslocaram-se para ver as obras da Dina.

Inauguração de exposição de Sofia Areal, Abrantes

Então o que entendemos? Que o povo, a gente que está a nossa volta, o empregado de loja, o mecânico, a enfermeira, a professora gostam de arte, não aquela que a impingem como arte, mas a arte que sentem, que gostam de ter na própria casa.

Meus caros responsáveis da “cultura” de Abrantes, abram os olhos e entendam que o vosso dever é dar a possibilidade aos artistas locais de ser acarinhados e apoiados como fazem com outros perfeitamente desconhecidos. E aproveito estas linhas para fazer uma pergunta que gostava de alguém do pelouro da cultura me respondesse:

Acham que os 100.000 € que gastaram em poder ter por aqui os Mirós de Serralves possam interessar realmente a muitas pessoas ou teriam sido melhor empregues para ajudar aos artistas, associações e artesãos locais?

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome