“Dieta Ribatejana”, por Armando Fernandes

Mercê do engenho de dois americanos impôs-se no quadro da indústria alimentar, da nutrição e boa conduta dietética a ideia ou noção de a dieta saudável ser a cognominada dieta mediterrânica. Os fundamentos assentam num regime vindo da orla mediterrânica onde o pão, o azeite e o vinho são a tríade principal, acrescido da ingestão de legumes e frutas. Acrescido de regular exercício físico.

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Ora, todas as dietas escoram a sua génese na milenar fórmula – mente são em corpo são –, não por acaso as religiões do livro preconizam jejuns de limpeza do organismo proibindo a absorção e determinados alimentos no fito de os seus fiéis ficarem mais sadios.

O triunfo da dieta mediterrânica, não tão mediterrânica assim pois esquece as práticas dos povos do sul daquele mar, levou-me a indagar as matricialidade das dietas portuguesas as quais não estão assim tão longe da mediterrânica que alguns querem como ser a mais influente em Portugal apesar de a nossa enorme costa marítima ser dominada pelo Oceano (e não apenas mar) Atlântico, alfobre de algas, crustáceos, moluscos e peixes de alta qualidade nutritiva.

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Relapso a qualquer tipo de fundamentalismo fiquei jubiloso quando li as observações do grego romanizado Estrabão e o romano Plínio o Velho acerca da Península Ibérica em geral e do território marcado pelo rio Tejo. Exultei.

Os citados geógrafos, historiadores e viajantes aludem à riqueza alimentar centrada no rio e suas margens expressa na abundância de peixes, ostras na sua foz e nas margens férteis formidáveis olivais, risonhos vinhedos e campos cultivados com cereais. Os escritos têm dois mil anos. Se o leitor tiver curiosidade faça o favor de ler a Geografia de Estrabão e a História Natural de Plínio.

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Os ditos escritos não deixam margens para dúvidas no actual Ribatejo imperavam o azeite, o pão, o vinho e ainda peixes e ostras. Sem tirar nem pôr a propagandeada (desde 1990) dieta mediterrânica. No tocante a legumes o facto de a lezíria ribatejana possuir solos quatro efes (fundos, fortes, frescos e férteis) desfaz reservas no referente à abundância de legumes e frutas. Os tocantes e notáveis trabalhos de Silva Teles, Joaquim Vieira da Natividade, Amorim Gião e Orlando Ribeiro demonstram quão rica é a região ribatejana nesses e noutras matérias-primas.

Os principais fautores e ganhadores do efeito da dieta mediterrânica são os italianos, eles incorporaram na referida dieta o milho maís e os tomates, fizeram bem, só que quem trouxe do Novo Mundo tais matérias-primas foram os espanhóis e os portugueses. No referente ao milho maís e ao tomate vejam-se os campos ribatejanos.

Pelo exposto defendo a existência de uma específica e saudável dieta ribatejana, por assim ser entendo como possível candidatar-se a Dieta Ribatejana a património imaterial da humanidade, galardão atribuído pela UNESCO. Este organismo da ONU concedeu tal galardão às pimentas e feijões do México, a um pão de feira da Croácia e à dieta do Mar nostrum dos romanos. Porquê não ao Ribatejo?

Aqui deixo este escrito à consideração dos leitores na esperança de concitar apoios para a causa cujos benéficos efeitos me dispenso de sublinhar.

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