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“Diabetes – Um problema de saúde universal”, por Rui Calado

No dia 7 de Abril de cada ano, por ser a data do aniversário da criação da Organização Mundial da Saúde, esta importante instituição internacional chama a atenção da população de todos os países para a importância da manutenção da saúde individual e alerta para diferentes situações que a podem comprometer. Em 2016, as atenções recaem na diabetes, por se tratar de uma doença que afeta um elevadíssimo e crescente número de pessoas em todo o Mundo, com gigantescas consequências nefastas.

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A diabetes é uma doença crónica, resultante de um deficit de produção da insulina, de que resulta a incapacidade do organismo de manter os níveis de açúcar no sangue entre determinados valores, um máximo e um mínimo. O descontrolo frequente desses níveis, ao longo do tempo, vai contribuir para a degradação dos vasos sanguíneos, em especial das pequenas artérias.

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Como nas fases iniciais deste processo os sintomas não são percebidos ou valorizados pelas pessoas, as doenças que resultam da degradação dos vasos sanguíneos vão-se instalando, de forma progressiva e muito traiçoeira e a médio ou longo prazo revelam-se como situações clínicas de elevada gravidade, com pesadas consequências, podendo por em risco a própria vida do doente.

De facto, a deficiente irrigação associada à diabetes poderá atingir:

  • os membros inferiores e ser a causa de frequentes amputações;
  • os olhos e ter como consequência uma diminuição progressiva da visão, que pode resultar em cegueira;
  • o coração e ser responsável por angina e enfartes do miocárdio, tantas vezes mortais;
  • os rins e provocar insuficiência renal crónica, cujo controlo exige com frequência o recurso a diálise;
  • o cérebro e ser a causa principal dos acidentes vasculares cerebrais, os AVC, de que resultam paralisias de partes do corpo ou, muitas vezes, a morte.

A degradação vascular associada à diabetes pode ser observada através de exame do fundo do olho e percecionada quando o doente anda e tem que parar com dores nos músculos posteriores das pernas (é a chamada claudicação intermitente).

A diabetes é uma doença comportamental porque se desenvolve especialmente em pessoas que se alimentam de forma incorreta, que se mexem pouco (sedentarismo) e que apresentam excesso de peso. De facto, são os nossos erros alimentares que alimentam a doença.

Pelo exposto, também se percebe que esta é uma doença controlável. Manter o peso em valores aceitáveis está na moda e é de todo desejável.

A redução do consumo de alimentos açucarados e de açúcar é necessária e aconselha-se vivamente. O açúcar é uma caloria vazia, que apenas nos fornece energia. As calorias que estes alimentos nos proporcionam, contribuem de forma muito significativa para o excesso de peso e a obesidade de um número crescente de cidadãos.

Combater o sedentarismo é outro aspeto importante para combater a obesidade.

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O Plano Local de Saúde do Médio Tejo que, uma vez aprovado pelas diferentes unidades funcionais dos serviços de saúde e instituições parceiras externas, como os Municípios e os Serviços de Educação, engloba um projeto promotor de “Comportamentos Favorecedores da Saúde”. Ele irá contribuir para informar os cidadãos sobre este tipo de doenças, de enorme gravidade e encorajá-los a selecionarem e adotarem comportamentos saudáveis, que lhes transmitam prazeres e ao mesmo tempo não hipotequem, no presente e no futuro, o seu maior bem. Tão importante na nossa vida que até nas festas, nos aniversários de amigos e familiares, se evidencia no principal de todos os desejos, quando brindamos pela nossa e vossa SAÚDE, numa vida longa, com muita qualidade.

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Rui Calado é médico epidemiologista e especialista em Saúde Pública. Foi coordenador da USP (Unidade de Saúde Pública) do ACES Zêzere e do Médio Tejo.

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