“Dia Nacional da Conservação da Natureza: o simbólico afirmar da consciência ambiental em Portugal”, por José Alho

No passado dia 28 comemorámos mais um Dia Nacional da Conservação da Natureza instituído na oportunidade da celebração do 50º aniversário da fundação da LPN-Liga para a Proteção da Natureza em 1998.

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Na Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/98, de 29 de junho que lhe dá expressão formal fundamentam-se as razões que tal justificam e que merecem ser relembradas:

“O Conselho de Ministros “tendo em conta … a justiça de homenagear o movimento associativo de defesa do ambiente através de uma das suas mais prestigiadas instituições, e visando criar um momento anual de especial reflexão sobre os problemas da conservação da natureza em Portugal e no mundo resolveu determinar que o dia 28 de Julho, data da fundação da LPN, fosse instituído o Dia Nacional da Conservação da Natureza”.

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Em Portugal assistimos à afirmação das preocupações com a área do Ambiente através de diversos estudiosos ligados às Ciências Naturais dos quais merece destaque Francisco Flores que se debruça sobre os conceitos e práticas conservacionistas no contexto internacional da altura, em 1939 e deste modo introduz no nosso Pais esta área de reflexão.

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Mas é em 1948 que a “ ideia conservacionista “ se organiza e institucionaliza com a criação da Liga para a Proteção da Natureza que surge da conjugação de preocupações de um conjunto de investigadores ligados à agronomia, biologia, geologia e outras áreas de investigação conexas.

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Está ligado à fundação da LPN um conjunto de individualidades oriundas das universidades que no Estado Novo desafia a liberdade de associação, destacando-se o nome do seu Presidente, o Prof. Baeta Neves, do Instituto Superior de Agronomia que liderou uma equipa que respondeu ao grito de socorro do poeta Sebastião da Gama que, da Serra da Arrábida, alertou para a destruição que pairava sobre a Mata do Solitário, uma das relíquias naturais mais simbólicas do património natural Português.

Gritava o poeta:

Senhor Engenheiro Miguel Neves:

Socorro! Socorro! Socorro!

 O José Júlio da Costa começou (e vai já adiantada) a destruição da metade da Mata do Solitário que lhe pertence.

Peço-lhe que trate imediatamente.

Se for necessário, restaure-se a pena de morte.

SOCORRO

Sebastião da Gama

A LPN elegeu, no momento da sua fundação, a educação dos cidadãos como prioridade de intervenção dirigindo ao Ministério da Educação Nacional, em 1948, uma proposta de envio de uma circular a todos os professores sensibilizando-os para o facto de o problema da proteção da natureza ser um problema de educação, num quadro de progresso da civilização. Ouvido o Conselho Permanente de Ação Educativa, viria a ser negado, por não serem de aprovar os termos em que a circular era redigida, ainda que se reconhecessem a importância e o valor dos seus fins. Concretizava-se deste forma subtil a ação castradora da censura na liberdade de expressão e pensamento.

No entanto a LPN prosseguiu com a sua ação até aos dias de hoje, com intervenção importante nos domínios da conservação da natureza e do desenvolvimento rural, na educação ambiental e na participação cívica, sempre com a preocupação de uma fundamentação científica rigorosa das suas propostas e ações.

ALHO2Tal como a LPN muitas organizações de cidadãos continuam a lutar de modo voluntarioso e empenhado na defesa da nossa “Casa Comum” que é este planeta em nome das gerações futuras.

É por isso que vale a pena celebrar este dia!

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José Manuel Pereira Alho Nasceu em 1961 em Ourém onde reside. Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL. Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela. Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental. Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador. Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental. Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente. Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional. Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza. Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN. Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva. É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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