“Dia de Tomar celebrado com o desejo de uma crescente coesão territorial”, por Hugo Costa

Foto: CM Tomar

Tomar viveu no passado domingo, 1 de março, o seu feriado municipal, data em que se assinalaram os 860 anos do início da construção do castelo pelo Mestre Gualdim Pais. Tive a honra de fazer, neste dia, uma intervenção pública enquanto representante da bancada do PS na assembleia municipal de Tomar, tendo aproveitado a ocasião para relembrar que foi com a presidência da atual edil de Tomar, Dra. Anabela Freitas, que estas cerimónias ganharam corpo e expressão maior, quando no passado nem homenageados existiam neste dia simbólico.

É sem dúvida um momento que nos toca a todos este em que celebramos a história da Cidade Templária, construída pelos valores de irmandade da sua ordem e as suas 11 freguesias. Quem não conhece o passado, não pode compreender o presente e melhor preparar o futuro.

É tempo de recordar todos os autarcas que já tiveram responsabilidades no concelho mas também é tempo de dar uma palavra para os presidentes de junta de freguesia, pessoas a quem o concelho está em dívida pelo  trabalho empenhado e, na maioria das vezes, sem o devido reconhecimento pessoal, trabalho de proximidade esse que permite que surjam as respostas diárias no nosso concelho.

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Considero, no entanto, que o atual modelo atira a maioria das freguesias para o praticamente voluntariado dos seus presidentes, o que não poderá ser o modelo mais correcto.

Tomar é um concelho em profundas alterações. Um concelho onde obras, que eram desejadas nas últimas décadas, estão em curso. Também, finalmente, o problema da Habitação está a ser ser olhado do frente, com vista a cumprir o desígnio constitucional do direito à Habitação, previsto no artigo 65 da Constituição. Mas Tomar não pode ser uma ilha. Mais que competir, deve cooperar com os concelhos vizinhos. Afinal de contas, só com uma cooperação clara entre os concelhos do Médio Tejo se pode colocar a região onde ela merece. Um investimento em qualquer concelho da nossa região é bom para Tomar. Temos de perder a lógica das capelinhas, de guerras de alecrim e manjerona que não levam a nada, só à perda de influência da nossa região.

Temos de discutir a região. Não faz sentido Tomar, para efeitos de fundos comunitários estar na CCDR Centro mas para efeitos de Ordenamento do Território na CCDR Lisboa e Vale do Tejo, onde tem direito de voto mas não vai  buscar um único fundo comunitário.
Este debate da nossa presença regional, a criação de uma nova região, onde esteja o Médio Tejo, a Lezíria e o Oeste é crucial para Tomar. E Tomar tem de debater e estar na primeira linha dessa nova estratégia regional.

Outro tema preocupante é que a democracia, tal como a conhecemos, enfrenta desafios e os autarcas devem olhar para o futuro, compreendendo que uma nova forma de estar “4G”, mas que em breve será “5G” leva a novas respostas. As respostas de ontem não são suficientes. Temos de encarar e responder pelo futuro. A informação, hoje com as redes sociais que circulam de forma imediata, obriga cautela a toda a sociedade e a termos o cuidado de não ser porta vozes de informação falsa.

Por outro lado, o desafio demográfico é um dos principiais desafios no nosso concelho mas também da região. Temos de garantir que a sangria de população pare, fenómeno que afeta toda a região. E isso só é possível com a criação de emprego, com a aposta na qualidade de vida e uma política na área da habitação que impeça que os nossos jovens saiam do concelho, atendendo aos preços elevados do nosso mercado, com taxas de esforço superiores à sua capacidade.

Tomar também é inovação. E temos de continuar a trilhar o caminho com o Instituto Politécnico de Tomar. Os investimentos de empresas de tecnologias de informação demonstram essas importância.

Tomar também tem de ser ambiente. E a situação do Rio Nabão tem de ser combatida, doa a quem doer. Não podemos aceitar os focos de poluição no concelho e temos de os combater, e isso só pode ser feito se os responsáveis forem encontrados e punidos. Tomar também de ser qualidade de vida. E aí obviamente temos de lutar por melhores cuidados de saúde, melhor ambiente, melhor educação e melhores respostas culturais e desportivas.

Mas não contem comigo para uma perspectiva miserabilista. Onde o aumento das valências e respostas no nosso hospital é esquecida, os investimentos em educação como o Centro Escolar da Linhaceira não são valorizados ou o aumento das respostas culturais e desportivas no nosso concelho, muito fruto das nossas associações, não são sublinhados com a devida importância que tem.

Finalmente, aproveitei o final da minha intervenção, para enaltecer a festa maior de Tomar – Festa dos Tabuleiros – aproveitando e sublinhando o reconhecimento da mordomo Maria João Morais nestas cerimónias, para dizer que, todos juntos, temos que nos empenhar em tornar esta festa, que tanto diz ao coração dos tomarenses e de toda a região, Património Imaterial pela UNESCO.

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