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“Devo ou não devo obrigar o meu filho a mudar a fralda?”, por Vânia Grácio

O momento tem novamente um assunto polémico. Um artigo escrito pela mentora da parentalidade consciente está a causar muito desconforto na sociedade, por muitas pessoas considerarem ridículas as afirmações publicadas. Já alguns humoristas fizeram posts a “brincar” com a situação e nas redes sociais multiplicam-se os comentários ao assunto.

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O que me parece neste momento é que estamos a começar a cair em extremos. Ora porque nada se pode fazer porque tudo pode ser potenciador de colocar as crianças em situações de vulnerabilidade em casos de abuso, ora porque os pais parecem que começam a perder importância na sua função, porque às crianças já quase que nada pode ser feito.

Ora bem, sou defensora que as crianças são sujeitos de direito, que devem ser respeitadas, mimadas, cuidadas até ao limite das nossas forças, mas por outro lado, há limites para tudo (menos para o amor que lhes damos). O facto de se pedir autorização ao bebé para trocar a fralda, parece-me um pouco extremado. Mas também consigo compreender que talvez a mentora da parentalidade consciente tenha explicado menos bem o que defende.

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A ideia é respeitar as vontades das crianças e eu concordo com isso. É um outro corpo, uma outra pessoa, que temos de respeitar na sua individualidade. Por outro lado, o papel dos cuidadores é assegurar que os cuidados básicos são assegurados. Claro que temos de ensinar as crianças a dizer não, a decidir por si, a saberem o que querem para si. Sem violência, com calma e tranquilidade, embora a nossa vida nem sempre o permita da melhor forma. Mas, temos de garantir que as coisas acontecem e que as crianças não são expostas a situações de negligência.

Por exemplo, se uma criança não quer comer a sopa um dia, porque não lhe apetece, ou porque gosta menos daquela sopa em concreto, não me choca que os pais sejam benevolentes e permitam que não coma a sopa. Agora se isto se tornar regra, considero que os pais têm de insistir e ser menos condescendentes. Também nós não gostamos de todas as sopas, nem todos os dias nos apetece comer sopa. Se uma criança não quer vestir o casaco porque não, e está um frio de rachar e é certo que vai constipar-se, então os pais devem ser mais assertivos e insistir para que vista o casaco. Não têm de existir extremos. Não é necessário que exista violência ou discussão, mas têm de haver uma linha condutora, orientadora para que as crianças sejam guiadas.

Porque é que as crianças às vezes fazem disparates (na nossa opinião) e infringem as orientações que os pais dão? Porque muitas vezes estão apenas a testar o limite para perceber até onde podem ir e que regras existem. E para que precisam disto? Para se sentirem seguras e protegidas pelos seus cuidadores.

O que me parece é que tem de existir uma análise de cada situação vivida, perceber em que medida eu condescender no pedido dos meus filhos coloca em causa o seu bem-estar e segurança, ou se posso aceder ao seu pedido sem que venha mal ao mundo. Tolerância e flexibilidade são as palavras de ordem. Aceitar o outro, respeitá-lo, com limites pela sua segurança, bem-estar e garantia de desenvolvimento de valores positivos.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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