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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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“Desnatar”, por Armando Fernandes

Os leitores deste jornal sabem o significado de desnatar. O termo é empregue nos meandros da economia – desnatou uma empresa -, da sociologia – aquela comunidade foi-se desnatando –, da política – Rui Rio pretende desnatar o grupo Parlamentar do PSD dos elementos espúrios à sua liderança –, a Igreja Católica tem dificuldades em desnatar os pedófilos existentes no seu seio –, muitos mais exemplos poderia acrescentar de forma a engordar a crónica relativa a uma operação simples e de natureza espontânea quando se deixa o leite em repouso. As donas de casa «talham o leite» utilizando uma faca de modo a separar a nata.

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Nata é vocábulo muito utilizado na representação da alta qualidade disto e daquilo, num exemplo de apuro saliente das virtudes de um grupo social ou corporação. Exemplifico: o juiz Ivo Rosa faz parte da nata discreta nata da judicatura portuguesa, a jornalista Ana Lourenço pertence à nata das jornalistas que sabe dizer e acima de tudo sabe ouvir, a Sra. Cristas pertence à nata das políticas que falam a toda à hora de tudo e de nada ao exemplo de Catarina Martins, estas senhoras ao modo da nata vêm à superfície sem serem necessários esforços para tal.

As natas têm largo emprego nas artes culinárias em geral e na pastelaria em particular, desconheço as qualidades das faladoras no referente à desnatação do leite, politicamente têm sido eficazes no depuramento das oposições internas como é sabido.

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O famoso Braganção Fernão Mendes II, o Bravo, foi alvo de risota (antecedeu o Trump) por parte de D. Afonso Henriques e restantes membros do seu «estado-maior» porque ao comer natas salpicou as barbas. O bravo guerreiro zangou-se, o rei fundador acalmou-o dando-lhe a irmã em casamento, não sei se foram felizes, sabemos através dos documentos da época qual foi o desempenho das natas.

Só para lembrar, o leite no comércio vende-se gordo, meio gordo e magro.

PS: Permito-me sugerir um composto de natas, pêssegos e boa carnação e amêndoas. A acompanhar espumante TEJO – Monge da Quinta do Casal Branco.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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