“Desenhar à vista”, por Massimo Esposito

Foto: Pixabay

Desenhar é o fundamento de toda a arte visual: pintura, escultura, arquitectura, design, estilismo… Sem saber desenhar faltará sempre o mais importante para qualquer artista. E infelizmente há muitos destes. O recurso a fotografia, e agora aos tablets e smartphones ajudam em maneira superlativa a reprodução duma imagem para uma folha branca. Tenho alunos que em pouco tempo reproduzem imagens complicadas em folhas que são o dobro ou quádruplo delas e aparentemente sem muito esforço mas sim com algum exercício.

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O difícil aparece quando se deve retratar um objecto tridimensional numa folha que tem só duas dimensões, altura e largura, faltando a profundidade ou comprimento. Esta dificuldade muitas vezes parece intransponível, o cérebro não consegue interiorizar que devemos ver o objecto como se fosse, dizemos, projectado num muro ou visto num televisor. A dimensão “profundidade” fica surreal e aí começam as birras dos alunos e as várias decepções. Lembro-me que algum tempo atrás tinha dois alunos que pintavam e desenhavam muito bem, mas ainda não tinham feito nada à vista, se não uma peça de gesso que retratava a cabeça dum cavalo. Quando comecei a encaminhá-los para desenhar à vista, começaram as dificuldades, não por eles não saberem desenhar mas mesmo pela dificuldade de interiorizar que na folha há só altura e largura, a direita e a esquerda, para cima e para baixo e não existe o… ”ali atrás”.

Por estas razões acho imprescindível desenhar à vista, tanto pode ser um copo e uma garrafa como um cão ou um cavalo, uma casa ou uma árvore… mas algo tridimensional, palpável, sólido. Ver as sombras que tem ou as que projecta, as proporções e as inclinações, tudo isto desperta a atenção e desenvolve o cérebro a ver as coisas como… um desenhador. O exercício de urban sketcher é válida, mas não completa.

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Aconselho para isto a leitura, e a visão, do livro de Sarah Simblet “desenhar” que incita e convida a quem quer aproximar-se ao desenho, a desenhar tudo, insectos, jóias, panos, plumas… qualquer objecto é “desenhável” e naturalmente o livro de Betty Edwards “desenhando com o lado direito do cérebro” que contém profundos raciocínios e exercícios para começar a VER como um desenhador.

Eliminamos, por favor, os químicos ou decalcar fotocópias mas tehamos a alegria de desenhar e NÓS mesmos criarmos a nossa obra.

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